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Diário de Guerra

Dia 111. Civis retirados de Severodonetsk, Rússia bane 29 jornalistas britânicos

14 jun, 2022 - 20:00 • João Malheiro

O Papa Francisco considerou, numa conversa com os jornalistas, que o conflito na Ucrânia foi "de alguma forma provocada ou não impedida”. António Costa, defendeu esta terça-feira que a União Europeia deve concentrar-se em dar apoio imediato à Ucrânia em vez de se dividir em “longos debates” sobre a adesão do país ao bloco dos 27.

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No dia 111.º dia de guerra na Ucrânia, civis foram retirados de uma fábrica em Severodonetsk, depois da cidade ter perdido todas as pontes que a ligavam ao resta do país. Mesmo assim, ainda não há indicação que as forças pró-russas.

Esta terça-feira, a Rússia baniu 49 cidadãos britânicos, 29 deles jornalistas.

Já o Papa Francisco considerou, numa conversa com os jornalistas, que o conflito na Ucrânia foi "de alguma forma provocada ou não impedida”.

A Renascença destaca os principais momentos de mais um dia de guerra.

Rússia anuncia retirada de civis de fábrica em Severodonetsk

A Rússia anunciou a abertura na quarta-feira de um corredor humanitário para a retirada de civis da fábrica de produtos químicos Azot, em Severodonetsk, para uma localidade sob controlo russo.

“Um corredor humanitário será aberto em direção ao norte (para a cidade de Svatove) em 15 de junho" das 08h00, horário local (06h00 em Lisboa), às 20h00 (18h00 em Lisboa), declarou o Ministério da Defesa russo num comunicado à imprensa.

"A retirada segura de todos os civis, sem exceção, está garantida", referiu o ministério russo.

No comunicado, o Ministério da Defesa russo pediu às forças ucranianas que levantem uma bandeira branca para sinalizar que aceitam esta proposta, pedindo-lhes que ponham fim à sua "absurda resistência" em Azot.

Rússia bane 29 jornalistas britânicos

A Rússia baniu esta terça-feira 49 cidadãos britânicos, 29 destes jornalistas.

Os restantes 20 cidadãos são associados pelo Kremlin à indústria de Defesa do Reino Unido.

Segundo o Ministérios dos Negócios Estrangeiros russo, a lista de cidadãos banidos foi atualizada devido a sanções aplicadas pelos britânicos a jornalistas e empresas russas.

Papa diz que guerra na Ucrânia foi "de alguma forma provocada ou não impedida”

O Papa Francisco volta a criticar Rússia pela crueldade na Ucrânia, mas admite que “a guerra talvez tenha sido de alguma forma provocada ou não impedida”.

Numa conversa com os diretores das Revistas dos Jesuítas, que foram recebidos em audiência no Vaticano a 19 de Maio, Francisco fala da “brutalidade e a ferocidade com que esta guerra está a ser levada a cabo pelas tropas, geralmente mercenárias, utilizadas pelos russos”, mas alerta, ao mesmo tempo, para “o perigo de só vermos isso, e não vermos todo o drama por detrás desta guerra, que talvez tenha sido de alguma forma provocada ou não impedida”.

Nesta conversa que é publicada esta terça-feira pela revista “La Civittá Cattólica”, o Papa aludiu a uma outra conversa que teve meses antes do inicio da guerra, com um chefe de Estado, “um homem sábio (…) que me disse que estava muito preocupado com a forma como a NATO se estava a mover”.

“Perguntei-lhe porquê, e ele respondeu: “Eles estão a ladrar às portas da Rússia. E não compreendem que os russos são imperiais e não permitem que nenhuma potência estrangeira se aproxime deles, e esta situação poderá levar à guerra”, contou Francisco.

Costa diz que UE deve concentrar-se no apoio imediato

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu esta terça-feira que a União Europeia deve concentrar-se em dar apoio imediato à Ucrânia em vez de se dividir em “longos debates” sobre a adesão do país ao bloco dos 27.

“Para dar este apoio claro e imediato, não precisamos de abrir agora uma negociação ou procedimento que pode levar muitos anos. [O Presidente francês] Macron fala em décadas, eu não digo décadas, mas com certeza muito, muito tempo. O grande risco é que se criem falsas expectativas que se tornam em desilusão amarga. Menos debates legais, mais soluções práticas”, afirmou António Costa, numa entrevista publicada esta terça-feira pelo jornal britânico Financial Times.

O primeiro-ministro, que falou ao jornal durante a sua visita a Londres, este fim de semana, afirmou que o seu objetivo é “obter no próximo Conselho Europeu um compromisso claro sobre o apoio urgente e construir uma plataforma duradoura para apoiar a recuperação da Ucrânia”.

“O mais importante não são debates legais sobre a Ucrânia, mas apresentar algo prático”, declarou.

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