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Diário de Guerra

Dia 91. "Guerra vai acabar de qualquer maneira", mas depende do Ocidente e da vontade da Rússia, avisa Zelenskiy

25 mai, 2022 - 20:05 • André Rodrigues

Presidente ucraniano diz que dispensa intermediários para falar com Putin e diz-se disposto a negociar a paz diretamente com o homólogo russo.

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No arranque do 91.º dia da guerra, Volodymyr Zelenskiy sinalizou, uma vez mais, a vontade de negociar o fim da guerra diretamente com Vladimir Putin, em vez do modelo de negociações que tem sido seguido, com intermediários dos dois lados do conflito.

Falando ao Fórum Económico Mundial, reunido em Davos, na Suíça, o Presidente da Ucrânia alertou, também, para o que diz ser a falta de unidade entre os países ocidentais quanto à guerra na Ucrânia.

"Existe unidade, na prática? Não parece. Existe unidade sobre a adesão da Suécia e da Finlândia à NATO? Não. Então o Ocidente está unido? Não.”, rematou Zelenskiy com uma declaração de conteúdo semelhante à proferida pelo ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, também perante o Fórum Económico Mundial.

Dmitro Kuleba acusou a NATO de não fazer "absolutamente nada" pela Ucrânia ou para a resolução do conflito, ao passo que a União Europeia "toma decisões revolucionárias".

O chefe da diplomacia ucraniana lembrou que, antes da guerra, o país olhava a NATO como uma potência e a União Europeia como uma entidade que se limitava a expressar preocupação face à degradação das tensões na Ucrânia.

Os papéis parecem ter-se invertido.

Acabar com a guerra? Depende da "vontade de diferentes partes"

Aliás, regressando a Zelenskiy, o Presidente ucraniano sublinhou que o fim da guerra depende da "vontade de diferentes partes: da vontade de um Ocidente unido em termos de armamento e solidez financeira da Ucrânia e da vontade de um Ocidente unido de não ter medo de lutar contra a Rússia, de lutar esta guerra híbrida de formas diferentes, não com o seu próprio povo, acima de tudo".

Mas "também depende da vontade da Rússia, porque esta guerra vai acabar de qualquer maneira", sublinhou.

Zelenskiy acrescentou que existe a parte "militar" da guerra, com muitas mortes entre civis inocentes e soldados, e depois, mostrou-se convicto de que "em qualquer caso, haverá um processo de paz e haverá uma mesa de negociações, e haverá definitivamente paz".

A questão é com quem, com que Presidente russo a Ucrânia irá negociar, algo que também depende do atual chefe do Kremlin, Vladimir Putin, acrescentou o líder ucraniano.

NATO. Adesão da Finlândia e da Suécia discutida em Ancara em "espírito de construção"

Na frente diplomática, atenções voltadas para Ancara, tendo a adesão da Finlândia e da Suécia à NATO como pano de fundo.

Delegações dos dois países estiveram esta quarta-feira reunidas com a diplomacia turca, para resolver o impasse suscitado por Ancara em relação à entrada dos dois países nórdicos na Aliança Atlântica.

Em causa está o facto de os dois países acolherem militantes curdos do PKK, que a Turquia considera serem terroristas.

No final da ronda de conversações desta quarta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Finlândia referiu que o diálogo tripartido continuará num "espírito de construção"

A discussão entre as autoridades da Finlândia, da Suécia e da Turquia irá continuar num “espírito de construção“, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Finlândia no Twitter.

A decisão foi comunicada depois de representantes das três nações se terem reunido esta quarta-feira em Ancara.

Anexação russa de Mariupol?

Do terreno, chegam menos notícias de ataques com dimensão, mas chegam outras notas que indiciam que a influência russa se está a instalar cada vez mais no Donbass. Depois da capitulação de Mariupol, após a queda do complexo siderúrgico de Azovstal, a Rússia está a avançar com a "anexação de facto" da cidade portuária do sudeste da Ucrânia.

Através de uma publicação no Telegram, o porta-voz do autarca de Mariupol disse que os operacionais militares da República Popular de Donetsk começaram a emitir passaportes russos para os residentes da cidade.

Entretanto, Portugal poderá enviar mais material para a Ucrânia, em função das necessidades de Kiev.

A possibilidade foi admitida pela ministra da Defesa. Helena Carreiras confirma, ainda, que as 160 toneladas de material que já foram cedidas estão em trânsito rumo ao território ucraniano.

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