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Diário de Guerra

Dia 55. Rússia avança no Donbass e já controla a cidade de Kreminna. Guterres pede trégua durante a Páscoa ortodoxa

19 abr, 2022 - 19:43 • André Rodrigues

Três dias de combates bastaram para o exército russo conquistar Kreminna, que fica a 50 quilómetros de Kramatorsk, a principal cidade do Donbass ainda sob o controlo do governo ucraniano. Em Mariupol, as forças russas aumentam a pressão sobre a última linha de defesa da cidade portuária e exigem a rendição dos combatentes ucranianos acantonados na fábrica de Azovstal, que também está a servir de abrigo a centenas de civis. Rússia diz que Guterres nunca tentou entrar em contato com Vladimir Putin desde o início da invasão russa à Ucrânia.

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O 55.º dia de guerra na Ucrânia ficou marcado pela primeira conquista estratégica do exército russo na ofensiva para conquistar o Donbass. Após três dias de intensos combates, Moscovo reclama o controlo de Kreminna, a primeira cidade da região de Lugansk conquistada depois do recuo do exército ucraniano.

Segundo o governador regional, os militares de Kiev abandonaram esta cidade com mais de 18 mil habitantes que fica a cerca de 50 quilómetros de Kramatorsk, a cidade que é a capital da região de Donbass ainda sob domínio ucraniano.

De resto, nas últimas horas, o Kremlin confirma que levou a cabo dezenas de ataques aéreos que, segundo o porta-voz do Ministério da Defesa russo, terá destruído 13 alvos militares ucranianos.

Com a intensificação dos ataques volta a ser impossível retirar civis do terreno.

"Salvem vidas". Guterres pede trégua, mas não falou com Putin desde o início da guerra

Precisamente para tentar evitar a perda de mais vidas civis, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou um apelo para um cessar-fogo de quatro dias na Ucrânia, durante as celebrações da Páscoa ortodoxa, para possibilitar a abertura de corredores humanitários que permitam a retirada de civis das zonas de conflito.

"Salvem vidas", apelou Guterres de forma dramática num discurso proferido diante da sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Entretanto, de Moscovo, chegou a indicação de que o secretário-geral das Nações Unidas nunca contactou o Presidente da Rússia desde o início da guerra.

Em conferência de imprensa, Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo assegura que "ninguém entrou em contacto, nem através da missão permanente da Rússia na ONU nem diretamente com o Ministério dos Negócios Estrangeiros”.

Mais de seis milhões desesperam por assistência humanitária

Dentro da Ucrânia, quem não conseguiu escapar ao conflito enfrenta sérias dificuldades.

De acordo com as Nações Unidas, serão mais de seis milhões os ucranianos que precisam de assistência humanitária imediata e outros 12 milhões vão necessitar de apoio no futuro próximo.

Esta terça-feira, o Programa Alimentar Mundial anunciou ter mobilizado 60 mil toneladas de alimentos para a Ucrânia e vai dar assistência a cerca de dois milhões de pessoas durante dois meses.

No entanto, essa ajuda não está a chegar às populações mais vulneráveis, sobretudo os que se encontram retidos em Mariupol. São mais de 100 mil pessoas que não conseguem sair da cidade e não tem acesso a bens de primeira necessidade.

Nesta fase do conflito, Mariupol é o objetivo principal do exército russo que, hoje mesmo, fez um novo ultimato aos combatentes ucranianos para que se rendam e abandonem as instalações da fábrica metalúrgica de Azvostal, onde persiste uma bolsa de resistência, e que foi fortemente bombardeada ao longo do dia.

De acordo com o jornal Kiev Independent, a fábrica de Azovstal, estará “completamente destruída”. Lá permanecem cerca de mil civis refugiados, sobretudo mulheres, crianças e idosos.

Pedro Sanchéz vai a Kiev

O dia ficou, também, marcado pelo anúncio do primeiro-ministro de Espanha de que vai viajar até Kiev para se encontrar com Volodymyr Zelensky.

Pedro Sanchéz segue, assim, os passos de outros líderes europeus que passaram pela capital ucraniana para demonstrar solidariedade.

A par desse anúncio, o Governo de Madrid revelou, também, que vai reabrir a sua embaixada em Kiev, encerrada desde o início da guerra.

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