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Guerra na Ucrânia

Como 50 dias da invasão da Rússia à Ucrânia mudaram o mundo

14 abr, 2022 - 20:48 • Diogo Camilo

Em pouco mais de sete semanas, o mundo assistiu à maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, à união do Ocidente contra Putin e a sanções que levaram ao isolamento da Rússia. A guerra fez, também, disparar a inflação e aumentou o custo de vida, logo em fevereiro com a subida dos combustíveis.

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Passaram cinquenta dias desde que Vladimir Putin se dirigiu ao mundo para anunciar aquilo a que chamou uma “operação militar especial” na Ucrânia, a 24 de fevereiro.

Nas últimas sete semanas, o mundo assistiu à destruição de cidades ucranianas inteiras, à crise de refugiados de maior crescimento desde a Segunda Guerra Mundial, à resistência de um presidente e de um povo e ao isolamento de outro.

Os números da Nações Unidas registam a morte de pelo menos 1.862 civis ucranianos em pouco mais de mês e meio, incluindo 71 crianças, além de 2.558 que ficaram feridos, mas não espelham a totalidade das baixas provocadas pela guerra: muitas das baixas em cidades ucranianas que acabaram destruídas, como Mariupol, e casos ainda em investigação, como o de Bucha onde foram encontradas centenas de corpos após a retirada de tropas russas, não estão incluídas nestas contas.

Mais de 4,7 milhões de refugiados ucranianos

A guerra na Ucrânia deu origem à crise de refugiados de maior crescimento desde a Segunda Guerra Mundial, com mais de 4,7 milhões de ucranianos a fugirem do país, a que se somam mais de sete milhões de pessoas que estão deslocadas dentro do próprio país.

Os números mais recentes do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) indicam que, em apenas sete semanas, 11,7 milhões foram obrigadas a sair das suas casas - mais de um quarto da população ucraniana. Por comparação, até junho de 2021, o ACNUR contabilizava cerca de 53 mil ucranianos refugiados em todo o mundo, dos quais 36 mil viviam na Europa.

No total, a Ucrânia registava cerca de seis milhões de emigrantes, cinco milhões só na Europa.

A escalada do conflito levou a uma crise de refugiados nunca antes vista - e a uma ajuda humanitária em igual nível por toda a Europa. No primeiro dia de invasão, 24 de fevereiro, foi registada a saída de mais de 84 mil ucranianos, com os dias seguintes a registarem números cada vez maiores de refugiados. O dia em que foi registada a saída do maior número de ucranianos foi a 6 de março, com 209 mil.

O destino mais procurado foi a Polónia, para onde fugiram até esta quarta-feira cerca de 2,7 milhões de ucranianos, seguido de Roménia, com 716 mil, a Rússia com 471 mil, a Hungria com 440 mil, a Moldávia com 417 mil, a Eslováquia com 326 mil e a Bielorrússia com 22 mil.

A estes somam-se 7,1 milhões de ucranianos que estão deslocados das suas casas dentro da própria Ucrânia.

O isolamento da Rússia

Logo após o início da invasão russa, iniciou-se uma guerra económica em que foram lançadas sanções e medidas que tiveram como grande alvos as instituições financeiras e amigos e pessoas no círculo próximo de Vladimir Putin e do Kremlin.

A guerra na Ucrânia levou muitos países até com ligações a oligarcas russos ou à Rússia, através do gás natural, a boicotarem as parcerias e se juntarem ao Ocidente na condenação da ofensiva, como a Suíça ou Mónaco.

Numa votação na Assembleia Geral das Nações Unidas, no início de março, 141 países aprovaram a resolução acerca da agressão russa à Ucrânia, com apenas cinco votos contra e 35 abstenções. Portugal foi um dos países que votou a favor.

As sanções já começaram a mostrar o seu efeito: esta semana, projeções do Banco Mundial estimaram que a economia da Rússia baixe 11,2% este ano.

A acompanhar esta queda na economia esteve, até certo ponto, a moeda russa. O rublo desvalorizou brutalmente logo após o início da guerra mas tem vindo a recuperar nas últimas semanas, após a reabertura da bolsa russa que esteve com atividade suspensa devido à incerteza no final de fevereiro. Para isso contribuiu uma lei avançada por Vladimir Putin, em que a Rússia passou a obrigar ao pagamento em rublos de quem quer fornecimentos de gás natural.

A inflação e o aumento do custo de vida

A guerra na Ucrânia teve em Portugal o seu primeiro, e talvez maior impacto, nos combustíveis. Os preços começaram a subir no início do ano, refletindo o disparo da cotação do petróleo no mercado internacional e estavam, em meados de fevereiro, em 1,64€/L para o gasóleo simples e 1,80€/L para a gasolina 95 simples.

Um mês depois, com o primeiro impacto da guerra, subiram 34 e 23 cêntimos, respetivamente, chegando a um pico de 1,99€/L para o gasóleo e 2,03€/L para a gasolina 95 duas semanas depois, no final de março, já com apoios do governo português em vigor.

Atualmente, o preço médio do gasóleo está nos 1,86€/L e a gasolina 95 nos 1,95€/L, mas o preço deverá voltar a subir na próxima semana.

E o aumento dos preços não se fica pelos combustíveis. Na proposta do Orçamento do Estado para 2022, o Governo prevê que a taxa da inflação aumente para 4% este ano, face aos 2,9% que previa no Programa de Estabilidade, em março, um aumento de 3,1 pontos percentuais em relação aos 0,9% previstos na proposta chumbada em outubro do ano passado.

No início desta semana, o Instituto Nacional de Estatística estimou que Portugal tinha atingido uma variação homóloga do Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) de 5,5%, o mais elevado valor registado desde 1996.

Diário de Guerra: ao 50.º dia, ucranianos abatem navio russo

Neste que é o quinquagésimo dia desde o início da invasão da Rússia à Ucrânia, Kiev provocou “graves danos” num cruzador de mísseis russo, o Moskva, o principal navio de guerra da frota russa no Mar Negro.

Em reação, o Ministério da Defesa russo avançou que o fogo a bordo do navio estava “sob controlo”, apesar de confirmar os danos na embarcação. A tripulação a bordo abandonou o cruzador depois de um “intenso incêndio e subsequente detonação de munição".

Na sua mensagem durante a noite, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, afirmou que a a Rússia deveria deixar a comunidade internacional se não quer trabalhar num acordo de paz. "Ou a liderança russa realmente procura a paz ou, como resultado desta guerra, a Rússia deixará a arena internacional para sempre", disse em vídeo.

Já o antigo presidente e primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, deixou avisos para a Finlândia e a Suécia, caso estas avancem com o pedido de adesão à NATO, avançando que a Rússia poderá tomar “medidas” nucleares no Báltico.

“Não se pode continuar a falar de qualquer estatuto livre de armas nucleares para o Báltico - o equilíbrio deve ser restaurado. Até hoje, a Rússia não tomou tais medidas e não iria tomar”, disse citado pela agência Reuters, acrescentando que, “se a Suécia e a Finlândia se juntarem à NATO, a extensão das fronteiras terrestres da Aliança com a Rússia mais que duplicará”.

Também esta quinta-feira, o autarca de Mariupol avançou que já morreram cerca de 20 mil pessoas na cidade e que teme que o número chegue aos 35 mil nos próximos dias. "Há quatro dias demos um número otimista de 10 mil mortos.

Com o aumento da intensidade dos combates, é preciso dizer que, mesmo que o cerco terminasse agora, o número de mortos seria em torno de 20 mil", disse o assessor do autarca da cidade, Petro Andryushchenko, a meios de comunicação locais.

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