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Amigos do eficiente, mas também do ambiente? Como os centros de dados estão a reduzir a pegada carbónica

11 dez, 2023 - 06:30 • Alexandre Abrantes Neves

Têm elevados custos de arrefecimento e podem mesmo colocar em riscos os objetivos de neutralidade carbónica. Os “datacenters” apostam cada vez mais em soluções que juntem a sustentabilidade à velocidade - e, em Portugal, a chave está em combinar diferentes tipos de energia renovável.

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O diagnóstico é da Agência Internacional de Energia: se os centros de dados por todo o mundo não reduzirem para metade as suas emissões de gases com efeito de estufa, podem impedir que o setor energético alcance a neutralidade carbónica em 2050.

Atualmente responsáveis por 1,5% do consumo energético a nível mundial, os centros de dados esforçam-se cada vez mais para se tornarem soluções ecológicas - e para reduzir a sua pegada carbónica, que depende em 40% do efeito de arrefecimento dos computadores que trabalham 24 sobre 24 horas e onde estão armazenados milhões de dados.

Gonzalo García, fundador da start-up espanhola Therminer, dedicada à sustentabilidade de centros de dados, explica que há duas grandes soluções que têm vindo a ser utilizadas para remover o custo de arrefecimento: deslocar as infraestruturas para países mais frios ou para zonas urbanas.

“A melhor solução é colocar estas infraestruturas perto de cidades, para se conseguir reutilizar o calor [que vem dos computadores] e introduzi-lo nos sistemas de aquecimento das cidades. Há também novas tecnologias de arrefecimento, como o air-cooling, em que o arrefecimento é feito a partir da atmosfera. Por isso, algumas empresas estão a mudar-se para países mais frios, como a Islândia”, explica à Renascença.

Vento, sol e água ajudam Portugal

Porém, as temperaturas amenas não retiram potencial a Portugal para se tornar pioneiro e criar um ecossistema de centros de dados sustentáveis. Segundo García, a chave pode passar por combinar diferentes tipos de energia renovável, como solar e eólica – o que “muitas vezes já se provou ser a medida mais eficiente para garantir um consumo 100% sustentável 24 horas por dia”.

É precisamente esse o objetivo da Oni Portugal, dona de dois centros de dados (um em Lisboa e outro no Porto) que funcionam na totalidade à base de energia renovável. Carlos Piedade Pereira, diretor de tecnologia da empresa explica que a estratégia de sustentabilidade também aumenta a eficiência da empresa.

“Procura-se sempre que o arrefecimento seja feito à base de energia verde – energia eólica, energia hídrica e, nos últimos tempos, também com um grande enfoque na energia fotovoltaica. Mas mais do que arrefecer as salas, queremos fazê-lo de forma eficiente e garantir que o arrefecimento ocorre da forma mais rápida possível”, clarifica.

Dois em um: menos pegada carbónica, menos custos

Foi também com o objetivo de aumentar a eficiência dos centros de dados que Hayk Mnatsakanyan criou em 2021 a start-up rBlox. Mais do que reduzir o prejuízo ambiental, Hayk tem investigado formas para minimizar o impacto interno do arrefecimento dos computadores.

“Reduzir o consumo de energia também afeta os centros de dados internamente. Consumir muita energia, leva que se consumam muitos recursos, ou seja, muito dinheiro”.

A melhor solução passa por combinar diferentes tipos de energia sustentável

Por isso, o empresário arménio defende que a melhor forma para concretizar o sonho de “datacenters” 100% sustentáveis tem de começar dentro das empresas, através de “soluções flexíveis, em que os servidores funcionem sem precisarem de infraestruturas adicionais” – como criar software que necessitem de menos energia.

“Uma solução mais acessível e aplicável ainda tem de ser aplicada. Um software flexível [a cada empresa] pode ser uma delas: tem de minimizar o consumo dos computadores e de eletricidade e, ao mesmo tempo, aumenta a velocidade de transferência de dados entre servidores. Otimiza, de forma geral, as operações da infraestrutura”, remata.

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