Seleção Nacional

Fábio Cardoso tira as medidas à Escócia

13 out, 2018 - 13:19

Portugal defronta a Escócia no domingo, em jogo particular. Bola Branca conversou com Fábio Cardoso, central do Santa Clara que jogou no Rangers, para um raio-x à seleção britânica.
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Foto: Lee Smith/Reuters

Fábio Cardoso acredita que Portugal é favorito, mas terá de colocar muita intensidade em campo, se quiser levar a seleção da Escócia de vencida, no domingo, às 17h00, em Hampden Park.

Em entrevista a Bola Branca, o central do Santa Clara fala da seleção escocesa, das suas forças e da estrela Tierney. Já numa seleção portuguesa sem Cristiano Ronaldo, agora ou no futuro, há excelentes jovens valores a despontar.

Cardoso também aborda a renovação do centro da seleção portuguesa, que tem em Rúben Dias o expoente máximo. O próprio Fábio Cardoso espera chegar à seleção, agora ou no futuro, mas não deixa de elencar alguns nomes fortes para o futuro.

O Fábio jogou no Rangers, na temporada passada. O que me pode dizer sobre esta seleção da Escócia e sobre as suas possibilidades de conseguir um bom resultado frente a Portugal?

É uma seleção muito competitiva. Claro que, na minha opinião, está longe de ter a qualidade individual e mesmo coletiva que a seleção portuguesa tem, mas são jogadores muito aguerridos, fisicamente muito fortes. Portugal vai ter de pôr bastante intensidade, tanto nos duelos como na partida, porque são jogadores que nunca dão uma bola por perdida e, fisicamente, acho que é a maior qualidade dos escoceses.

Quem é que selecionaria como o jogador de maior destaque na seleção escocesa?

Se não estou em erro, que não tenho acompanhado muito agora a seleção escocesa, mas da última vez que vi, que eu já fui ver um jogo ao vivo, no ano passado, é o avançado, que não sei se ainda está, o [Leigh] Griffiths, que joga no Celtic [abdicou de jogar frente a Israel e Portugal]. E o lateral-esquerdo, o [Kieran] Tierney. São muito bons, são muito competitivos. O lateral-esquerdo tem muito andamento, até leva muitos jogos no Celtic a um grande nível, sempre a destacar-se. Da seleção toda, penso que seja o jogador que neste momento se destaca mais.

Pensa que com esta ausência do Cristiano Ronaldo a seleção escocesa poderá estar com menos medo, por assim dizer, mais atrevida?

Claro que o Ronaldo é sempre um nome que intimida os adversários, mas penso que não. Hoje em dia, há muita informação e todos os que jogam em Portugal estão em grande nível e eu acho que a seleção escocesa sabe perfeitamente do potencial e do talento dos jogadores portugueses à frente, que é bastante.

Como é que a Escócia vive estes dias de jogo da seleção, qual é o ambiente?

Tal como no resto do Reino Unido, vive muito intensamente, vivem muito o futebol. É um país, não tanto como Inglaterra, mas é um país onde a cultura do futebol está muito presente e os jogos lá são sempre uma festa. O estádio vai estar cheio, com certeza.

Poderá o ambiente assustar Portugal?

Não, também penso que não, são todos jogadores que jogam em grandes palcos, habituados a ter muitas pessoas a ver o jogo. Acho que isso é bom. Acho que Portugal ficava mais preocupado se tivesse pouca gente a ver do que muita gente. O que qualquer jogador de futebol deseja é, jogando em casa ou fora, que o estádio esteja cheio.

Kieran Tierney, estrela da companhia escocesa. Foto: Russell Cheyne/Reuters.

Nas seleções e mesmo na formação do Benfica, partilhou balneário com vários jogadores que agora se estão a afirmar na nossa seleção, como João Cancelo, Bruno Fernandes, Bernardo Silva ou até Hélder Costa, que agora tem a sua estreia em convocatórias. Acredita que estes jovens têm capacidade para levar Portugal a vitórias, num futuro já sem Ronaldo?

Claro, claro que sim e num futuro próximo. Ainda são jovens, mas acho que já não são jovens promessas, porque já mostraram todo o talento que têm e ainda têm muito potencial para evoluir. São muito jovens, são jogadores com muito talento. Portugal, felizmente, tem muito jogador com talento e acho que, mesmo no futuro, quando o Ronaldo se aposentar, vai estar muito bem representado e muito forte, tal como agora.

E acredita que Portugal tem capacidade para, no futuro, voltar a ganhar uma grande competição?

Claro que sim, claro que sim. Acho que o facto de termos ganho o Europeu foi muito bom, mostrou que era possível e acho que isso ainda vem ajudar mais a desenvolver o futebol de formação e a valorizar o jogador português. Acho que mais do que nunca, neste momento, Portugal está muito valorizado lá fora e começam realmente a dar valor aos nossos jogadores, que acho que é essencial. Acho que Portugal, com os jogadores que tem e com os jogadores que estão a aparecer, tem mais do que condições para voltar a ganhar um título grande.

Que futuro é que augura a Rúben Dias, tanto no clube como na seleção?

Eu penso que ele tem todas as caraterísticas e todo o potencial para continuar a ser uma figura de destaque no Benfica e para se afirmar na seleção. Depende dele, claro, mas se ele continuar a trabalhar, acho que passa muito por ele o futuro da seleção.

Pode ser um herdeiro de Pepe, por exemplo?

Pode ser. De Pepe, de Bruno, do José Fonte. Sabemos que, na seleção, a maioria dos centrais que jogaram o último Europeu, por exemplo, já estão todos acima dos 30 e, mais cedo ou mais tarde, a seleção vai ter de se começar a renovar. Se [o Rúben Dias] continuar a fazer o quem feito até agora, a trabalhar e a demonstrar dentro de campo, penso que é uma das muitas soluções que Portugal tem para esse setor.

Mais que herdeiro, Rúben Dias tem sido o companheiro de Pepe. Foto: Radoslaw Jozwiak/Reuters

Quem é que acredita que pode, além do Rúben Dias, pegar nesse testemunho deixado pelos mais velhos, no centro da defesa?

Temos muitos. Temos muitos bons centrais, uns que já se afirmaram, outros que se estão a afirmar. Inclusive eu, que também espero um dia mais tarde conseguir chegar à seleção, que é esse o meu objetivo. Mas temos o Vezo, o Rúben Semedo, o Paulo Oliveira. Acho que é um setor em que temos muitas soluções e boas. Agora depende, claro, de quem se conseguir afirmar e destacar mais e jogar o máximo possível a um bom nível.

O Fábio até se adiantou à minha pergunta. Já disse que tem esse objetivo de chegar à seleção, acredita que uma grande época do Santa Clara pode ajudá-lo a lá chegar?

Acho que sim. É um objetivo que eu tenho, a curto-médio prazo. Sei que é difícil ser chamado, estando num clube como o Santa Clara, mas penso que sim. É passo a passo. Agora, estou concentrado no Santa Clara. Quero ajudar a equipa a atingir os objetivos o mais rapidamente possível, que passa pela manutenção. E sim, quero jogar o máximo de tempo possível, a fazer boas exibições e claro, espero um dia conseguir ser chamado. É para isso que trabalho e penso que qualquer jogador português ambiciona chegar à seleção, que é o ponto alto do futebol em Portugal.

Portugal defronta a Escócia no domingo, às 17h00, em Hampden Park. Relato na Renacença e acompanhamento, ao minuto, em rr.sapo.pt.

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