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FC Porto

Sérgio Conceição: "Jogamos sempre contra algo mais que 11 jogadores. Jogo com o Estoril era o que nos podia manter na luta"

02 abr, 2024 - 13:17

Treinador do FC Porto assume que visita à Amoreira era "decisiva", também por haver um dérbi na próxima jornada, e considera "muito estranho" que a sua equipa tenha sido, no seu entender, prejudicada pela arbitragem num jogo chave.

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Sérgio Conceição assumiu, esta terça-feira, que a derrota com o Estoril complicou mais ainda a luta do FC Porto pelo título, em especial pelo facto de haver clássico na próxima jornada do campeonato.

Questionado sobre se dará, agora, mais importância à Taça de Portugal, depois de ter ficado a dez pontos do primeiro lugar, o treinador do Porto frisa que o jogo na Amoreira "importava muito", também pelo "timing".

"Vai haver agora um Sporting-Benfica. O jogo com o Estoril era o que nos podia manter na luta pelo título. Acho muito estranho, uma arbitragem destas, muitíssimo fraca, de um árbitro que, três dias antes, tinha apitado alguns jogadores do Porto no Espanha-Brasil, e um VAR que é recorrente ter azar com o Porto, que é Tiago Martins. E não é este ano", atira.

Vários protestos do técnico portista na conferência de imprensa de antevisão da visita ao Vitória de Guimarães, a contar para a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal. Jogo marcado para quarta-feira, às 20h15, no Estádio D. Afonso Henriques, e com relato em direto e acompanhamento na rádio, na app e no site da Renascença.

Derrota com o Estoril: "Foi um jogo em que, mais uma vez, houve coisas positivas e negativas. Hoje [esta terça-feira], falámos única e exclusivamente do que a equipa não fez bem, e houve algumas parecenças com o jogo que fizemos em Arouca, no momento de posse, de reação à perda, de transição ataque-defesa. Houve situações que tiveram a ver com a ocupação de espaços e a paciência que tínhamos de ter perante um Estoril que jogou pela primeira vez daquela forma. Acredito que foi a estratégia definida pelo treinador adversário, não há nada a dizer. Cabia-nos encontrar forma de fazer golos."

Impacto da derrota nas contas do título: "[Jogo com o Estoril] importava-nos muito, porque vai haver agora um Sporting-Benfica. O jogo com o Estoril era o jogo que nos podia manter na luta pelo título. Isso é que eu acho estranho, uma arbitragem destas, muitíssimo fraca, de um árbitro que, três dias antes, tinha apitado alguns jogadores do FC Porto no Espanha-Brasil, e com um VAR que é recorrente ter azar com o Porto, que é o Tiago Martins. E não é este ano. Vocês lembram-se do jogo do Gil Vicente. Nós perdemos o jogo por dois pontos. Esse jogo valeu três. Foi só culpa da arbitragem? Não foi. Também há culpa nossa. Este jogo da Amoreira era o jogo que nos mantinha, porque ou ficávamos a cinco e quatro pontos, se empatassem, ou ficávamos a três do Benfica e a quatro do Sporting, dependendo de quem perdesse [o dérbi]. Há momentos na época que são decisivos e temos tido azar nesses momentos. No ano passado com o Gil Vicente e este ano com o Estoril."

Arbitragem: "As expulsões são a causa de algo. E é algo que é completamente claro para toda a gente. Só quem não quer ver. Ainda hoje vi mal escrito por um ex-árbitro internacional espanhol que o Francisco fez falta sobre o Mangala - esta é, provavelmente, a situação mais engraçada por que passei nestes 40 anos de futebol, e estou aqui desde os nove anos - porque entrou no espaço do defesa. Quero perguntar ao Mangala, porque foi meu jogador, há alguns anos, na Bélgica [no Standard de Liège], se comprou aquele espaço, aquele terreno de dois metros quadrados, em que ninguém pode entrar e se alguém entrar há falta. Sinceramente, acho muitíssimo estranho. É um penálti claríssimo, que resume um bocadinho aquilo que foi a época, a todos os níveis, até a esse. Jogamos sempre contra algo mais do que 11 jogadores. Vou ter mais um processo, mas é verdade. Ou o público adversário, ou o relvado, ou a chuva, ou, oor vezes, a equipa de arbitragem, que não é feliz. Tem acontecido algumas vezes. Quando não é feliz nas decisões, eu entendo, porque eu também erro todos os dias. Agora, tento é fazer de forma a não cometer o mesmo erro. O que se tem visto não são erros técnicos. Por vezes, é mesmo a provocação dos árbitros aos jogadores."

Provocação dos árbitros aos jogadores: "Se me perguntar se a reação dos jogadores foi bonita ou se concordo, obviamente que não e que foi bonita. Posso aceitá-la por aquilo que tem sido um acumular. Podia estar aqui horas a falar. Dou dois ou três exemplos. No Bessa, o senhor Manuel Oliveira foi capaz de perguntar ao Eustáquio em que piscina é que andava a treinar. No final do jogo, foi unânime para os ex-árbitros que era um penálti claro. Dizer isto durante um jogo, em competição, com a emoção à flor da pele, com grande pressão, o que é que o árbitro quer desse jogador? Que o jogador seja expulso? O árbitro deve pautar-se por se acalmar, por ser o líder do jogo. Não entendo. Dou outro exemplo, e meto os nomes. O senhor Hélder Malheiro, no penúltimo jogo na Amoreira, passou pelo Francisco - e há imagens -, deu-lhe um encontrão com um ombro e disse-lhe, 'Estás feito comigo, vai-te f...'. Não sou eu que digo, esses áudios existem. Tivemos uma formação aqui no Olival com pessoas da arbitragem, nomeadamente o Bertino Miranda [antigo árbitro auxiliar], que confirmaram esse áudio. Imaginem um árbitro dizer a um jogador que está tramado. Está no áudio. Um miúdo que tem 20 anos. Se o Francisco devia ter sido expulso quando se dirigiu ao árbitro daquela forma? Sim, devia ter visto o vermelho. Não estou aqui a defender ninguém. Mas vejo os meus jogadores a ser atacados pela reação que têm e não vejo ninguém a defender a causa dessa reação. Isso é que eu estranho. Isto tem sido ao longo da época. Penáltis claros depois revertidos quando são mostradas só parte das imagens e depois vai-se ver que realmente... mas entretanto já passou, já perdemos dois pontos. É que ninguém vem falar disto."

Arbitragem III: "O treinador perde dois ou três jogos e vai-se embora. Os árbitros fazem com que esses pontos sejam importantes para que no final da época seja decidido um campeonato e, se calhar, vão para a Arábia apitar, como prémio, ou para a final da Taça de Portugal. Isto tem sido um acumular de situações. Se nós temos de melhorar como equipa? Eu, lá dentro, hoje, não disse que a culpa é de fazermos uma má exibição é da arbitragem. Não é isso. Olhamos para os nossos erros, queremos corrigir, queremos melhorar, queremos evoluir. É assim que tem de ser com todos os intervenientes no jogo."

Pinto da Costa associou erros de arbitragem à candidatura de André Villas-Boas: "Não vou comentar as palavras do presidente. Não me ficaria bem, porque sou empregado do clube e não tenho de comentar as palavras do nosso presidente, do líder, do número 1 do clube. Também não quero entrar por aí. Já falei o suficiente da arbitragem, temos é de falar do jogo de amanhã, da capacidade do Vitória em demonstrar fragilidades dos adversários, pela sua valia e competência. Vamos mais por aí."

Importância da Taça de Portugal pós-Estoril: "É igual. Não há jogos aqui para salvar nada. Somos um clube habituado a lutar pelos títulos até ao final. No campeonato, vamos dar tudo para chegar o mais possível aos lugares da frente. Vamos encarar cada jogo como uma final. Ninguém desiste de nada. Vamos todos trabalhar e evoluir e dar o máximo até ao final da época. Por vezes as coisas não saem tão bem, por culpa própria, e falo de mim também, mas vamos continuar a dar o máximo até ao final da época."

Pouco tempo de preparação e o que esperar do Vitória: "É a preparação normal, quando temos um jogo a meio da semana. Análise e observação do adversário que tivemos no último jogo. Hoje, preparação em vídeo e campo para o jogo com o Vitória. É uma equipa que, nas transições, é muito capaz, mas não só, tem outros momentos muito interessantes. Tem feito uma época muito boa, está num bom momento, com boa atmosfera, bom ambiente. Espera-nos um jogo difícil, como é óbvio, mas isso são todos."

Francisco Conceição e Diogo Costa de fora por castigo: "Não posso contradizer a mensagem que passo ao grupo de trabalho. Toda a gente é importante, tem valor e faz parte da primeira escolha. Basta trabalhar, afirmar-se e ser ambicioso no dia a dia. Não estarão esses dois, estarão outros dois jogadores que serão competentes, seja na baliza o Samuel ou o Cláudio, ou o Gonçalo Ribeiro. Temos opções. Na frente também. Há muita gente a trabalhar há muito tempo para ter a sua oportunidade e vai tê-la. Agora, o que acho engraçado é dizer que o Francisco é um jogador diferenciado. Faz-me lembrar aqueles Minis que passam a camião TIR. E ainda bem. Mas não pela velocidade, mais na dimensão."

Eleições: "Não quero comentar. Estou mais preocupado com o jogo. Isso suscita alguma curiosidade, mas já falei sobre isso. Penso que, ontem [segunda-feira, em entrevista à SIC Notícias], o presidente foi bastante claro naquilo que disse, até em relação ao jogo da Amoreira."

FC Porto pode terminar a época só com a conquista da Taça de Portugal: "Faremos o balanço no fim. Agora, não é justo, estão dois títulos em disputa. Um, como disse o presidente, e bem, está muitíssimo difícil. É praticamente impossível. Depois, temos a Taça, para tentar chegar à final, que não é líquido. Temos de trabalhar muito para o conseguir. No final, faremos o balanço desta época e das outras, se quiserem."

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