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A fome do tenista de metal ainda não acabou: Murray quer jogar mais uns Jogos Olímpicos

28 fev, 2024 - 15:05 • Redação

O antigo número 1 do mundo revelou que não iria jogar por muitos mais meses. Agora, afirmou que quer voltar aos Jogos Olímpicos.

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Andy Murray, ouro olímpico em 2012 e 2016, afirmou, esta quarta-feira, que quer voltar a estar presente nos Jogos Olímpicos, depois de, na passada segunda-feira, ter dito que não lhe restava muito tempo em alta competição.

“Espero ter a oportunidade de competir noutros [Jogos Olímpicos]”, disse o tenista à Radio 4, da BBC.

Foi no Open do Dubai que revelou que estes são os últimos momentos da carreira e que provavelmente não tem muito mais tempo. “Fica cada vez mais difícil competir quando ficamos mais velhos”, acrescentou o jogador, que quase terminou a carreira devido a uma lesão na anca.

A palavra que melhor descreve a carreira de Andy Murray é superação. Estreou-se como profissional com apenas 17 anos e afirmou-se, ao longo dos anos, como o melhor tenista britânico dos últimos 80 anos. O último vencedor britânico de torneios do Grand Slams remonta a 1936.

Conta com 47 títulos de torneios ATP, sendo dois deles em pares. Entrou no top-10 do ranking mundial pela primeira vez em 2007, apenas dois anos depois de se ter tornado jogador profissional. O número 1 chegou em 2016, depois de um ano de inúmeras conquistas para o britânico.

O tenista tem no seu museu três troféus de majors. Disputou 11 finais. O primeiro foi no Open dos Estados Unidos em 2012, quando venceu Novak Djokovic em cinco sets, e o segundo veio no ano seguinte, em Wimbledon, tendo vencido novamente o tenista sérvio, desta vez em apenas três sets.

O último torneio do Grand Slam que venceu foi em 2016, novamente no torneio britânico, jogado em relva, onde defrontou Milos Raonic. Apesar dos dois triunfos em Wimbledon, o relvado não é o piso onde Murray é mais eficaz. É nos pisos duros, nos quais se jogam o US Open e o Open da Austrália, que o britânico arrecadou mais vitórias. Murray é o quinto jogador com mais vitórias nos pisos duros, totalizando 500 triunfos.

Em 2012, Murray tentou a sua sorte nos Jogos Olímpicos de Londres. Tentou tanto, tanto que não ficou com uma, mas com duas medalhas de ouro olímpicas. Venceu o torneio de singulares, num jogo contra Juan Martín del Potro, e ainda venceu o torneio de duplas mistas.

No mesmo local, um ano depois, venceu o seu primeiro Wimbledon. Foram dois anos dourados para a carreira do tenista, que até podiam ter sido os melhores da trajetória de Andy Murray não tivesse ele feito num ano o que fez anteriormente em dois. Ou seja, voltou a vencer Wimbledon, em 2016, e ainda foi ao Rio de Janeiro revalidar o título de campeão olímpico. Como se não bastasse, subiu ao número 1 do ranking do ATP pela primeira vez.

Murray, que lutou olhos nos olhos com os três ‘grandes’ - Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic – durante vários anos, chegou a despedir-se do ténis em 2019. Nada nem ninguém previa aquilo que aconteceu. Em lágrimas, no Open da Austrália de 2019, Murray anunciou que teria de terminar a carreira devido a uma grave lesão na anca. Desde o verão de 2017 que o tenista sofria com dores e não conseguia fazer as coisas mais simples, como calçar umas sapatilhas.

Já se previa o seu fim e nem os próprios médicos acreditavam que Murray pudesse voltar a jogar. Os planos para o retorno do britânico estavam praticamente fora de questão. Contudo, depois de duas cirurgias e a introdução de uma anca de titânio, Andy Murray voltou aos courts e venceu o torneio ATP 250 da Antuérpia, na Bélgica.

No mesmo palco onde se tinha despedido, nos courts aussies, Murray provou que nem a anca de metal o podia parar. Em 2023, o tenista batalhou com Kokkinakis durante quase seis horas, numa partida que terminou às quatro da manhã.

Andy Murray é a prova de que desistir não deve estar no vocabulário de ninguém. Quando ninguém acreditava que o tenista poderia sequer voltar a jogar, ele provou que podia vencer. Não ganhou mais nenhum torneio do Grand Slam, mas foi sempre atrás do resultado, por mais horas que tivesse que ficar no court.

Nem as dores que o invadiram em 2017 o impediram de continuar a jogar. Murray traduz-se em resiliência e fome de vencer. A luta para manter resultados consistentes não foi fácil e a carreira do tenista, após a lesão, foi feita de altos e baixos, mas os momentos negativos parece que nunca atormentaram realmente o tenista de ferro. Que venham os Jogos Olímpicos...

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