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Jogos Olímpicos

Compra de votos para o Rio 2016 vale condenção de 30 anos a ex-presidente do Comité Olímpico do Brasil

26 nov, 2021 - 09:53 • Redação com Lusa

Carlos Arthur Nuzman, que também chefiou o Comité Organizador Rio 2016, foi considerado culpado de corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão fiscal.

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O ex-presidente do Comité Olímpico do Brasil (COB) Carlos Arthur Nuzman foi condenado a 30 anos e 11 meses de prisão por ter comprado votos para o Rio de Janeiro acolher os Jogos Olímpicos de 2016.

Nuzman, que também chefiou o Comité Organizador Rio 2016, foi considerado culpado de corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão fiscal. O antigo líder do COB, de 79 anos, não será preso até que todos os seus recursos sejam apreciados. Ele e o seu advogado não comentaram a decisão.
O juiz também condenou à prisão o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, o empresário Arthur Soares e Leonardo Gryner, que era à data dos factos diretor-geral de operações da comissão de candidatura Rio 2016.

Estes três e Nuzman acertaram o suborno do ex-presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo, Lamine Diack, e do seu filho Papa Diack, para garantirem votos.

Cabral, que está na prisão desde 2016 e enfrenta uma série de outras condenações e investigações, disse ao juiz que há dois anos tinha pagado cerca de dois milhões de dólares em troca de seis votos na reunião do Comité Olímpico Internacional (COI) que atribuiu ao Rio os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.

Cabral, que governou o estado do Rio entre 2003 e 2010, acrescentou que mais 500 mil dólares foram pagos mais tarde ao filho de Diack, com o objetivo de garantir mais três votos de membros do COI.

Na decisão de juiz classifica-se Nuzman como “um dos principais responsáveis pela promoção e organização do esquema criminoso, dada a sua posição no Comité Olímpico Brasileiro e perante as autoridades internacionais”.

O juiz disse ainda que vai enviar os resultados da investigação às autoridades do Senegal e de França, onde Papa Diack e Lamine Diack vivem, respetivamente.

A candidatura do Rio derrotou as de Chicago, Tóquio e Madrid para receber os Jogos de 2016.

A investigação no Brasil começou em 2017, depois do jornal francês Le Monde ter noticiado que membros do COI tinham sido subornados três dias antes da sessão de 2009 em Copenhaga, onde o Rio foi escolhido para receber os Jogos Olímpicos.

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