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João Virgínia abre as portas da Premier League a Amorim. “É de alto nível e adaptava-se aqui”

05 mar, 2024 - 10:10 • Pedro Castro Alves

Guarda-redes do Everton está “melhor a cada ano” e preparado para “assumir” a titularidade. Em entrevista a Bola Branca, o internacional sub-21 fala da formação no Arsenal com Bukayo Saka e da época no Sporting, por quem ficou “um carinho especial”.

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“Uma excelente opinião”, foi o que João Virgínia reteve da época que passou sob o comando de Rúben Amorim. O guarda-redes do Everton falou com Bola Branca e não deixou margem para dúvidas: “Não é por acaso que existe interesse de outros clubes pela Europa” no treinador do Sporting.

Com 24 anos e depois de dois empréstimos, o atleta português assumiu-se esta época como número dois da baliza dos “toffees” e abre as portas do campeonato inglês a um treinador que “tem um método de alto nível e que se adaptaria” à Premier League.

A ida para o Arsenal aos 15 anos – “uma mudança grande”, com os primeiros meses passados no ginásio – e as memórias de um tempo “excelente” ao lado que jogadores como Eddie Nketiah, Bukayo Saka ou Donyell Malen são temas abordados nesta entrevista à Renascença por um guarda-redes que tem como “principal objetivo” chegar à seleção nacional.

Como é que está a ser esta temporada em Inglaterra? As expectativas com que partia para esta época estão a ser cumpridas?
Sim. Eu tenho ido emprestado nos últimos anos, para ter mais minutos, mais experiência de jogo e estar mais preparado para, se eventualmente o Everton precisar de mim, eu estar pronto e responder de forma certa.

Este ano eles decidiram que queriam que eu ficasse no clube. Ficando, já sabia que, tendo o guarda-redes número 1 de Inglaterra no plantel, iria estar a jogar nas taças e esperar que alguma coisa acontecesse, mas a época está a correr bem, de certa forma está a correr como planeado. Está a ser uma época complicada para a equipa, até pelos pontos que nos retiraram, mas o grupo está unido e certamente vamos dar a volta por cima.

Falou do número 1 de Inglaterra, Jordan Pickford. O trabalho com ele ajuda a crescer como jogador?
Já o conheço há mais de 5 anos, portanto, claro, vai sempre dando para aprender. Mas, qualquer que seja o guarda-redes com que trabalhemos, vamos sempre aprendendo uma ou outra coisa e vamos incorporando coisas no nosso jogo, o Jordan não é exceção, é um excelente guarda-redes e vamos sempre tentando tirar o melhor de cada um.

O João foi para Inglaterra com 15 anos, para o Arsenal. Como foi chegar e adaptar-se a uma realidade muito diferente?
Foi uma mudança de ares muito grande, vir para outro país, para outra cultura, outra língua. Ao início foi complicado, o futebol aqui é muito mais físico, nos primeiros meses passei grande parte do tempo na academia no ginásio, porque há aqui muito contacto, especialmente nos cruzamentos, jogadores altos a baterem no guarda-redes.

Foi uma mudança grande ir para o Arsenal, com grandes jogadores. Grande parte da minha geração da formação são agora jogadores da Premier League, portanto, sim, foi excelente.

Há algum jogador que destaque desses tempos de formação? Algum com quem se dava particularmente bem?
Eu vivia com o Eddie Nketiah, ainda do Arsenal. Na minha equipa tinha também o Bukayo Saka, o Smith Rowe, o Reiss Nelson, todos ainda do Arsenal. Também o Joe Willock, que está no Newcastle, e o Donyell Malen, que está no Borussia Dortmund. Tinha ali uma mão cheia de jogadores de alto nível.

O João saiu muito novo de Portugal, mas regressou há duas épocas, emprestado ao Sporting. O que é que correu bem e o que é que correu mal nessa temporada em Portugal?
Nesse ano eu tinha falado com o mister Rúben Amorim e com o treinador de guarda-redes Jorge Vital e o planeado foi o que aconteceu. O certo é que, no final da época, o objetivo era ter continuado, mas não houve essa possibilidade, daí ter voltado para o Everton e ter continuado noutros empréstimos, mas ficou um carinho especial ao Sporting.

Com que opinião ficou de Rúben Amorim no tempo em que trabalhou com ele no Sporting?
Uma excelente opinião. O mister trabalha ao mais alto nível e não é por acaso que existe interesse de outros clubes pela Europa. Seja qual for a decisão do Sporting e do mister no final da época, eu sei que ele vai ter uma excelente carreira.

Conhecendo o método de trabalho de Rúben Amorim e estando há muito tempo em Inglaterra, o método de trabalho dele encaixaria no futebol inglês?
Sim. Eu já apanhei vários treinadores aqui no Everton e todos têm diferentes estilos de treino e diferentes métodos de trabalho, mas é certo que o Rúben Amorim tem um método de alto nível e que se adaptaria aqui.

Voltando ao João, como é que se sente em termos de maturidade nesta fase da carreira? Qual é que é a expectativa para o futuro?
Sinto que estou cada ano melhor, melhor guarda-redes. Tenho passado por vários contextos, ligas diferentes, países diferentes. Já joguei em quatro ligas diferentes, portanto estou a evoluir e, daqui para a frente, o meu objetivo é jogar cada vez mais e assumir-me como guarda-redes titular num grande clube. Por agora, é esperar e ver o que é que acontece também até ao final da época, eu estou sempre preparado para entrar e para dar o meu melhor pelo Everton.

O futuro pode passar por Portugal? Até porque também tem o objetivo de chegar à seleção nacional…
Claro, claro. A seleção é sempre o meu principal objetivo e um dos meus grandes sonhos, vai ser sempre uma luz e quero trabalhar para chegar lá. Sobre Portugal… é a minha casa. A época que eu passei aí passou num instante. Estar junto da família, dos amigos… senti-me em casa. É difícil explicar o sentimento que tenho por Portugal, é uma saudade enorme.

Veria com bons olhos voltar a Portugal, a nível de clube?
Claro, não punha fora de questão.

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