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Jogos Olímpicos

Samuel Barata sonha alto, rumo ao recorde nacional da maratona e ao "top-10" em Paris

04 dez, 2023 - 18:35 • Inês Braga Sampaio

Atleta do Benfica, que obteve mínimos em Valência, acredita que, com boa preparação, pode surpreender nos Jogos Olímpicos e terminar entre os melhores da Europa.

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O recorde nacional da maratona e um "top-10" nos Jogos Olímpicos. São os dois sonhos de Samuel Barata, depois de obter os mínimos olímpicos para Paris 2024.

O atleta do Benfica, de 30 anos, melhorou o máximo pessoal por mais de dois minutos na maratona de Valência, no domingo, e com isso, superou a marca mínima para apuramento para os Jogos Olímpicos. Em declarações à Renascença, Samuel Barata assume estar "muito contente, muito feliz", depois de uma prova que ele próprio complicou, por ter tentado ir atrás do recorde nacional.

"A prova não foi fácil. Na parte final tive de sofrer: os últimos dez, 12 quilómetros foram muito duros. Eu também fiz a prova um bocado mais dura, porque tentei correr mais rápido. Havia uma pequena ambição, sabendo que era muito difícil, de aproximar-me do recorde nacional de António Pinto, 2:06:36 horas, e saí para essa marca. A ideia falada com o meu treinador era correr um bocadinho mais lento, mas estavam boas condições, a prova em Valência é super rápida, tinha um comboio muito bom, com muitos bons atletas, e estava a sentir-me bem e arrisquei. Mas isto é uma maratona e na parte final quebrei um bocadinho, tive de sofrer. Felizmente, consegui o objetivo principal, que era a qualificação olímpica, e deu para fazer 2:07:35. Deixa-me muito satisfeito", assume.

O "objetivo de sonho" dos 2:06:36 de António Pinto, estabelecidos na maratona de Londres, em 2000 (e recorde da Europa em 2017), complicou a prova em Valência, algo que não demove Samuel Barata.

"Mete-me ao nível dos melhores da Europa e é ambicioso, mas sinto que cada vez estou mais perto e cada maratona que faço sinto também que estou mais experiente. Acho que é possível. Se não tiver lesões, se não tiver nenhum azar nos próximos tempos, acho que é possível aproximar-me ou mesmo bater o recorde nacional. Deixar-me-ia muito satisfeito", vinca.

Surpreender os outros europeus com a melhor preparação


Faltam nove meses para os Jogos Olímpicos e, por agora, Samuel Barata quer recuperar fisicamente do esforço da qualificação. O atleta acredita que, com uma preparação "muito semelhante ou melhor" à que o ajudou a concretizar os mínimos para Paris, poderá conseguir um bom resultado.

"O meu nível é mais europeu. Nós sabemos que lutar com os africanos é difícil, mas é uma prova de campeonato, mais tática, e Paris tem uma coisa completamente diferente nestas provas mais rápidas: vai ter calor, porque será em agosto, e uma prova é mais dura, com mais sobe e desce. Por vezes, muitos atletas não se adaptam a essas condições, mesmo os melhores. Quem se preparar melhor para essas condições e chegar lá na melhor forma pode fazer resultados extraordinários. Ainda não sei o que quero fazer, mas acho que é possível lutar por ser um dos melhores da Europa. Acho que essa é uma boa ambição", afirma.

Se isso acontecer, Samuel tem "a certeza" de que conseguirá "um bom resultado final" e, a partir daí, surge o sonho: "Quem sabe um 'top-10' seja possível. Mas isso é sonhando muito, muito alto. Vamos fazer as coisas com calma, recuperar bem para lá chegar na melhor forma, fazer o trabalho de casa e, depois, tudo é possível."

No atletismo, metade das vagas são atribuídas por ranking e as restantes por mínimos, pelo que só a 30 de junho de 2024 se saberá a lista definitiva de apurados para os Jogos Olímpicos de Paris.

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