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Mundial 2022

E se o suplente de Cristiano Ronaldo na seleção jogasse na II Liga?

29 nov, 2022 - 21:00 • Eduardo Soares da Silva

Kevin Rodríguez foi a grande surpresa da convocatória do Equador por jogar no Imbabura, da segunda divisão do país. A Renascença ligou para o Norte do Equador para conhecer a história do jovem avançado de 22 anos.

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Imagine-se que o suplente de Cristiano Ronaldo na seleção nacional jogava no Vilafranquense.

É algo semelhante que acontece no Equador. Enner Valencia é a grande figura e um dos principais responsáveis pela quarta qualificação do país para a fase final de um Mundial. O seu suplente joga no quinto classificado da segunda divisão do país.

Kevin Rodríguez, de 22 anos, é o único dos 23 jogadores de campo que alinha no Equador. Nem sequer num dos clubes de maior dimensão, como o Barcelona SC, Emelec, LDU Quito ou Independiente del Valle, o clube que recentemente foi campeão com o treinador português Renato Paiva.

A Renascença ligou para o Norte do Equador para conversar com Joe Armas, treinador do Imbabura, clube onde joga Kevin Rodríguez, ponta de lança de 1,90m de altura e apenas 22 anos de idade.

O treinador contextualiza a convocatória de Kevin, que leva 32 golos marcados em 89 jogos pelo clube.

"Durante a época soubemos que pessoas da seleção estavam a observar os nossos jogos em casa para ver alguns jogadores. O Kevin Rodríguez e o Alejandro Tobar chamaram à atenção e foram convocados a um treino da seleção, mas só o Kevin acabou por ser chamado ao amigável e depois ficou na lista final para o Mundial", diz.

Tirando os três guarda-redes, Kevin Rodríguez é o único jogador de campo da seleção que joga no Equador. O plantel é composto por jogadores espalhados pelo futebol europeu ou pelos melhores campeonatos do continente americano, como Argentina, Brasil, México ou Estados Unidos.

Enner Valencia joga no Fenerbahçe, Pervis Estupiñán e Jemery Sarmiento no Brighton, Jackson Porozo no Troyes e Piero Hinacapié defrontou o FC Porto na Liga dos Campeões pelo Bayer Leverkusen.

Apesar de estar rodeado por jogadores com mais experiência nos clubes e na seleção, Kevin Rodríguez não foi passar tempo ao Qatar. Foi suplente utilizado nos dois primeiros jogos da seleção na prova.

"Para todo o clube e para a província de Imbabura é uma felicidade muito grande e um enorme privilégio que um jogador nosso esteja no Mundial. Revela os talentos que vamos mostrando na formação. Está no Mundial a representar o nosso clube. Quando ele entrou no jogo frente ao Qatar, foi um momento de muita felicidade. Sabíamos que ele tem todo o talento e capacidade para poder competir no Mundial e no pouco tempo que jogou mostrou o motivo pelo qual foi convocado", atira.

Kevin Rodríguez a disputar o lance com Van Dijk, um dos melhores jogadores do mundo. Foto: Reuters
Kevin Rodríguez a disputar o lance com Van Dijk, um dos melhores jogadores do mundo. Foto: Reuters
Kevin Rodríguez antes de entrar em campo frente aos Países Baixos. Foto: Rungroj Yongrit/EPA
Kevin Rodríguez antes de entrar em campo frente aos Países Baixos. Foto: Rungroj Yongrit/EPA

O avançado é aposta pessoal de Gustavo Alfaro. Kevin Rodríguez foi a grande surpresa da convocatória do selecionador, que admite que se recordou da sua própria carreira de atleta.

"Sempre que o vejo recordo-me dos meus anos de luta. Cheguei a fazer mais de 44 mil quilómetros de autocarro num ano para jogar. Sonhava com a primeira divisão, nem falo num Mundial. Estou aqui para isto, para dar oportunidades. Desde que cheguei que digo que as portas da seleção estão abertas para todos, já chamei jogadores com 37 anos e com 18", explicou.

A escolha não foi consensual, como revela Joe Armas: "É normal que existam críticas e outras opiniões quando há um sucesso que não é comum. Não é normal um jogador da Serie B ser chamado ao Mundial, mas ele já mostrou o talento que lhe reconheceram".

O futuro poderá ser brilhante para o ponta de lança, que "tem de ir passo a passo". Quem o conhece de perto garante que "tem maturidade para subir e jogar nos melhores clubes do país e até do mundo".

O Equador não ficará na história deste Mundial como uma das melhores seleções em prova e não estará na final no dia 18 de dezembro. De qualquer modo, a história de Kevin Rodríguez ficará na história dos Mundiais como uma das mais surpreendentes, pouco usuais e inspiradoras da prova.

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