João Ferreira do Amaral
Opinião de João Ferreira do Amaral
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​Instabilidade previsível

27 jan, 2023 • Opinião de João Ferreira do Amaral


É previsível que a economia mundial se mantenha instável nas próximas décadas, gerando mais períodos verdadeiramente críticos como tivemos nos últimos quinze anos. Isto, por razões económicas e por razões políticas.

Muita gente se interroga se a crise económica não terá fim. Efectivamente, desde 2008 que a economia mundial se mantém instável, primeiro, sofrendo as consequências profundas da crise financeira começada em 2007, depois com a pandemia e agora com a inflação muito agravada pela guerra na Ucrânia.

Mesmo descontando que em Portugal, ainda quando a economia cresce e o desemprego se mantém relativamente baixo, as pessoas têm tendência a interiorizar que estamos em crise, é indiscutível que a nossa economia tem atravessado momentos muito difíceis.

É previsível que a economia mundial se mantenha instável nas próximas décadas, gerando mais períodos verdadeiramente críticos como tivemos nos últimos quinze anos. Isto, por razões económicas e por razões políticas. Por razões económicas, porque a instabilidade necessariamente decorrente das mudanças induzidas pela globalização vai continuar. A globalização é um processo que ainda está no início. Por razões políticas, porque a emergência da China e da Índia no panorama político mundial vai gerar uma nova rivalidade entre superpotências que, como já se tem visto, contribui fortemente para tornar ainda mais instável a economia mundial. Também aqui ainda estamos no início.

O que pode um país de pequena dimensão fazer para lidar com esta instabilidade? O factor essencial está em dispor de instrumentos macroeconómicos para fazer face às consequências internas da instabilidade mundial. E aqui o papel da União Europeia poderia ser essencial, ajudando o país a dispor destes instrumentos, ou seja da autonomia necessária para, de acordo com as suas necessidades e objectivos, responder aos desafios. Infelizmente, é o contrário do caminho que a União tem seguido. Retirou os instrumentos essenciais aos estados e uniformizou as políticas que, assim não respondem às necessidades dos países, que têm que enfrentar não só a instabilidade mundial como as consequências de políticas europeias contraproducentes.

Por isso muita gente receia, com justificação, que a continuar neste caminho a Europa tenha um futuro pouco risonho.

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