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Semana de quatro dias de trabalho? “Vamos fazer a experiência”

Semana de quatro dias de trabalho? “Vamos fazer a experiência”

03 jun, 2022 • Olímpia Mairos


João Duque comenta a abertura do Governo para implementar a semana de quatro dias de trabalho e considera que é preciso estudar-se antes de tomar decisões.

O comentador d’As Três da Manhã entende que é muito importante “fazer-se a experiência”, para depois se decidir sobre a implementação da semana de quatro dias de trabalho no nosso país.

Na quinta-feira, no final do Conselho de Ministros, a ministra Ana Mendes Godinho avançou que o Governo vai estudar com os parceiros sociais vários projetos piloto. A governante adiantou também que a semana de quatro dias de trabalho vai ser testada em empresas privadas e que há já várias empresas disponíveis a testar o modelo.

“Vamos fazer a experiência. Eu acho muito bem estudar-se antes de se tomarem decisões e, portanto, vamos seguir o exemplo de outros países”, diz João Duque.

O comentador ilustra com o exemplo do Reino Unido, que começou “uma experiência de junho a dezembro, de seis meses, 60 empresas, 3.000 trabalhadores”.

“Os sindicatos até acordaram uma alternativa que é estender o horário de trabalho, portanto há a modalidade de dez horas por dia, quatro dias na semana, o que perfaz 40 horas”, acrescenta.

“Vamos ver qual são os resultados deles”, diz, recordando que também “há experiências a decorrer nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Escócia e com diferenças desde perda de rendimento e sem perda de rendimento”.

“Vamos ver quais são os resultados e depois cá estaremos para comentar melhor. Ora, nós podemos ter, à partida, uma impressão sobre o que é que nos poderá acontecer, ou se é ou não positivo, porque temos boas vantagens e desvantagens”.

Segundo João duque, “as pessoas, em princípio, no início, tendem a aumentar a produtividade, ficam muito contentes, ficam muito satisfeitas e isso é conhecido. Mas também é conhecido um outro fenómeno, que é o da acomodação”.

“Passado o encanto da compra da casa, da compra do automóvel, da mudança, nós acomodamo-nos e isso passa a ser o nosso standard”, ilustra.

Por isso, insiste que é necessário “fazer experiências longas e ver em que medida é que funcionam”.

“Por exemplo, nos horários que estão neste momento a trabalhar em três turnos de 8 horas, é muito complicado, mesmo aumentando o número de horas passar a dois, a três turnos - dois, por exemplo, de dez horas e depois um de quatro. É muito difícil. E, depois, isto obriga a alterações tão rápidas que as pessoas não têm tempo para acomodar os sonos e, portanto, pode provocar aqui grandes perturbações”, alerta.

O comentador sinaliza ainda que “neste momento, estamos com pleno emprego, praticamente atingido” e que temos um problema de escassez de mão de obra.

“Se obrigarem a estender ou a aumentar o número de contratados para manter a prestação de serviços, temos problemas”, antevê o comentador que, em jeito de brincadeira, diz que no caso da Renascença “iremos perder o Extremamente Desagradável num dia e não sei se é certo”.

Sobre o perigo de algumas empresas fazerem uma espécie de lay-off, ou seja, pagar menos um dia, João Duque assinala que há experiências em que as pessoas até preferem abdicar de um dia de remuneração num mês, para terem mais tempo para equilíbrio da sua vida familiar com a sua vida de trabalho.

“E isso depende muito também do nível de rendimento salarial que as famílias têm e que as pessoas têm. Porque, enfim, acho que é muito difícil a uma pessoa com o salário mínimo nacional tirarem-lhe 20% do seu vencimento”, conclui.

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