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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Falta gente para trabalhar

15 jul, 2022 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Nos graves problemas que se vivem nos aeroportos, encontra-se uma realidade que afeta quase todos os ramos da atividade económica: a falta de gente para trabalhar. Por isso, incentive-se a imigração, mas com respeito pelos direitos humanos.

No princípio deste mês, o caos nos aeroportos atingiu um grau nunca antes visto. As televisões mostraram-nos inúmeros passageiros desesperados nos aeroportos, sem acesso a quaisquer informações ou apoios. E quando finalmente conseguiam partir, as suas bagagens nem sempre os acompanhavam.

O problema dos atrasos nos aeroportos foi sentido em praticamente toda a Europa e também, mas menos, nos EUA. Sucederam-se os cancelamentos de voos em cima da hora, levando muita gente a perder ligações.

Este problema prejudica sobretudo países turísticos, como Portugal. Não se pode excluir a possibilidade de turistas estrangeiros evitarem os problemas pelos quais passaram nos aeroportos, deixando de viajar para o nosso país.

Estamos em meados de julho e na Portela e no Porto ainda se registam cancelamentos. Ultrapassar esta situação passou a ser uma prioridade nacional.

As trapalhadas com o previsto encerramento do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) não ajudam. A Easy Jet, uma companhia “low cost” que ficou com várias autorizações de descolagem e aterragem, “slots”, antes pertencentes à TAP, já anunciou cancelamentos de voos previstos para o fim do verão.

Por outro lado, importa ter consciência de que esta realidade resulta de um problema do qual se queixam quase todos os ramos da atividade económica: a falta de gente para trabalhar. Daí um desejável recurso ao trabalho de imigrantes.

Há cerca de um mês foi criado um visto específico destinado a imigrantes que pretendam procurar trabalho em Portugal. Um passo na direção certa ou seja, “no sentido da promoção das migrações seguras”.

Mas outros passos serão necessários. Desde logo para garantir que imigrantes, nomeadamente asiáticos, que mal entendem a nossa língua, não sejam alvo de uma desumana exploração.

Graças à investigação de jornalistas, pudemos tomar conhecimento de situações inaceitáveis de exploração em zonas de estufas no Alentejo. Promova-se a vinda de imigrantes para trabalharem no nosso país, mas com respeito pelos direitos humanos.

O mercado de trabalho favorece, hoje, os trabalhadores, depois de muitos anos em que a situação lhes era adversa. Será positivo que a presente e maior força negocial dos trabalhadores faça subir os salários, muitos dos quais ainda se situam quase ao nível do salário mínimo.

Mas as reivindicações salariais nas empresas devem atender às condições concretas de cada uma. Uma subida salarial excessiva pode levar a empresa à falência, trazendo desemprego.

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  • Miguel
    21 jul, 2022 Lisboa 11:54
    Esses trabalhadores imigrantes vão viver onde, em barracas? Assistência médica e educação para os filhos também não deve ser fácil de obter, qual será a solução? Começar a importar médicos e professores dos países lusófonos?
  • Anónimo
    17 jul, 2022 Lisboa 05:32
    Se uma empresa não consegue arranjar trabalhadores pelos salários que paga nem aumentar salários de modo a arranjar trabalhadores, então tem mesmo é que falir. É assim que o mercado livre funciona. E se vierem menos turistas por causa do caos nos aeroportos, todos ganhamos. Exceto quem lucra com a especulação imobiliária, claro está.
  • Digo
    16 jul, 2022 Eu 09:34
    Discordo em absoluto. Em vez de promoverem uma nova vaga de imigrantes para explorarem - e vai dar nisso, não tenham dúvidas, está no ADN dos "Empresários" e Patronato Português - que tal aplicarem uma política de verdadeiro incentivo à Natalidade, e enquanto não se veem os impactos dessa política, melhorarem as condições salariais, o plano de carreiras, e tornarem atrativas as profissões, ao mesmo tempo que cortam pouco a pouco os benefícios que eram válidos enquanto haviam os confinamentos do Covid, mas que agora deixaram de fazer sentido? Ah, pois, mas isso custa dinheiro e para o Patronato português é preferível uma Odemira II, que pagar salários decentes às pessoas.