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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​O milagre económico chinês acabou

20 mai, 2022 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A “máquina exportadora” chinesa parece ter avariado. As severas restrições por causa da covid 19 prejudicam o crescimento económico da China. A situação em Shanghai é dramática.

Quando, há 40 anos, Deng Xiaoping permitiu que o mercado funcionasse a economia chinesa iniciou um espetacular surto de crescimento, sem paralelo em qualquer outro país. As exportações da China funcionaram como o grande motor da expansão económica.

Entre 2010 e 2020, a parte da China na exportação mundial de mercadorias subiu de 4% para 13%.

Em 2021 as exportações chinesas registaram um notável crescimento de quase 30%. Mas em abril de 2022 esse crescimento foi praticamente nulo. Avariou de vez a máquina exportadora chinesa? Tudo indica que sim.

Preocupado com as desigualdades económicas crescentes no seu país, Xi Jinping desencadeou há dois anos um crescente controle do partido comunista chinês sobre empresas e gestores. Isto, a somar ao apertado controle que as autoridades chinesas exercem sobre a população em geral.

E agora temos a fixação do líder chinês na batalha contra a covid 19. Dir-se-ia que o prestígio do Estado e do partido (entidades que se confundem na China) está dependente do maior ou menor sucesso da luta contra a Covid-19. Daí a violência das restrições impostas.

A situação é dramática na zona de Shanghai, onde vivem 25 milhões de pessoas. Essa zona, bem como mais de 40 outras cidades, envolvendo perto de 30% do PIB chinês, foram submetidas a rigorosas quarentenas, que a população aceita mal.

As restrições por causa da Covid refletiram-se em quebras de produção. E em fortes reduções no comércio externo da China. Em abril, ao largo do porto de Shanghai, estacionavam mais de 500 navios mercantes.

Comenta o “Economist” que nem tudo abranda na China – as importações a partir da Rússia estão a crescer desde a invasão da Ucrânia. Pelo contrário, as exportações chinesas para os Estados Unidos estão a diminuir desde o início do corrente ano, porque a procura americana abrandou.

É certo que as autoridades chinesas pretendem agora uma economia menos voltada para o exterior e mais inserida no enorme mercado interno da China. Por isso uma parte da quebra das exportações pode ser desejada por Pequim.

Mas a falha na “máquina exportadora” chinesa parece demasiado brusca e profunda para permitir uma recuperação económica significativa.

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