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TAP. Que novidades há na Comissão Parlamentar de Inquérito?

TAP. Que novidades há na Comissão Parlamentar de Inquérito?

12 mai, 2023


A comissão parlamentar de inquérito vai ouvir na próxima semana o ministro das infraestruturas, a chefe de gabinete de João Galamba e o ex-adjunto do ministro.

Quais os próximos passos da comissão parlamentar de inquérito?

Bom, as atenções vão estar voltadas para a audição do ministro das Infraestruturas, João Galamba, que vai ao Parlamento na próxima quinta-feira.
Na véspera, os deputados vão ouvir o ex-adjunto Frederico Pinheiro e, depois, a chefe de gabinete Maria Eugenia Cabaço. Estas audições foram marcadas hoje.

Com essas audições fica-se a saber quem deu a ordem para a entrada em cena das secretas?

Pelo menos, é essa a expectativa, porque, para já, daquilo que se foi ouvindo, o que podemos dizer é que há versões que são contraditórias.

Quando é que as secretas foram mobilizadas?

Esse parece ser o dado que não suscita dúvidas: o contacto foi feito na noite de 26 de abril, quando o gabinete do ministro das Infraestruturas ligou para a presidência do Conselho de Ministros, para dar conta da retirada de um computador com informação sensível.

Por sua vez, a presidência do Conselho de Ministros terá ligado para a secretária-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) e depois para o diretor do Serviço de Informações de Segurança (SIS), que não atenderam.

Descendo na hierarquia, a presidência do Conselho de Ministros terá feito, então, um telefonema para o gabinete do SIRP, mas o telefone continuava a não ser atendido e, por isso, foi feita uma chamada para o diretor adjunto do SIS, que por sua vez conseguiu falar com o diretor das secretas, Adélio Neiva da Cruz, e foi ele quem informou Graça Mira Gomes do SIRP, já que estavam juntos num evento.
Estas revelações que foram feitas à porta fechada na comissão de inquérito à TAP.

Mas essa nova versão não é contraditória?

É, tendo presente o que disse ontem o diretor do SIS. Afinal, a chefe de gabinete de Galamba não contactou diretamente o SIR, como tinha sido dito, dois dias antes, pelo conselho de fiscalização das secretas.

O diretor do SIS disse que as secretas foram chamadas pela presidência do Conselho de Ministros e o Conselho de Fiscalização das Secretas diz que o pedido foi feito pelo gabinete do ministro das Infraestruturas, é isso?

Sim, mas deixa-me lembrar que na conferência de imprensa que o ministro das Infraestruturas deu há duas semanas, Galamba disse que tinha sido o seu gabinete a ligar ao SIS e ao SIRP- versão que coincide com a do Conselho de Fiscalização das Secretas.

Então, temos 2-1 a favor do gabinete do ministro Galamba?

Mas deixa-me acrescentar que, ontem, o diretor do SIS, na audição parlamentar, assumiu toda a responsabilidade pela atuação das secretas e garantiu que não houve nenhuma ilegalidade na recuperação do computador do ex-adjunto de Galamba.
Adélio Neiva da Cruz disse que não sabia que documentos estavam em causa nem qual o grau de confidencialidade e que, numa curta janela de tempo, teve de tomar decisões, sobre o que fazer naquela noite de 26 de abril.

O que se sabe sobre essa noite?

Nessa noite, Frederico Pinheiro, segundo afirmou à revista Visão, terá recebido um telefonema de um agente dos Serviços de Informação, que terá afirmado que recebera ordens superiores para recolher o computador e que terá insistido que o melhor era resolver as coisas a bem.

Frederico Pinheiro assume que se sentiu intimidado e desconfiado. O homem deu-lhe, então, o número de telefone do SIS para que pudesse confirmar e o ex-adjunto teria de dar uma palavra-chave a quem lhe atendesse o telefone. A "chave" era "Guimarães", concelho onde o ex-adjunto nasceu. Frederico Pinheiro ligou, deu código e a identidade do agente foi validada.

Perto da meia noite, o telefone de Frederico tocou outra vez e foi marcado o encontro, numa rua no centro de Lisboa, que durou pouco mais de um minuto, com o agente a avisar que o caso morria ali.
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