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Iniciativa Liberal acusa Galamba de condicionar CEO da TAP. Porquê?

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Iniciativa Liberal acusa Galamba de tentar condicionar CEO da TAP. Porquê?

05 abr, 2023 • Sérgio Costa


Liberais apontam para uma "reunião secreta" entre a bancada parlamentar do PS e Christine Ourmières-Widener antes de uma comissão de inquérito em janeiro, que, supostamente, terá sido recomendada pelo ministro das Infraestruturas.

A Iniciativa Liberal pede a demissão de João Galamba, que ainda há poucos meses assumiu a tutela do Ministério das Infraestruturas. Porquê?

Porque a CEO demissionária da TAP, Christine Ourmières-Widener, reuniu com o grupo parlamentar do PS antes da audição na Assembleia da República, em janeiro, a propósito da indemnização de 500 mil euros atribuída a Alexandra Reis.

A reunião terá sido sugerida pelo ministro João Galamba, de acordo com a ainda presidente executiva da transportadora portuguesa esta terça-feira.

Trata-se de um caso de condicionamento político?

É esse o entendimento da Iniciativa Liberal. O partido considera ter sido clara a intenção do PS de condicionar os esclarecimentos da CEO da TAP sobre a questão da indemnização.

Nesse sentido, os liberais consideram a reunião inaceitável e por isso pede a demissão de João Galamba. O presidente da IL desafia ainda o primeiro-ministro e o líder parlamentar socialista a pronunciarem-se sobre o caso.

Por que razão pede também esclarecimentos a António Costa?

Porque, alegadamente, também terá havido contactos com assessores governamentais.

João Galamba já se pronunciou sobre esta acusação?

Ainda não, mas certamente será questionado sobre as razões que levaram o seu gabinete a sugerir esta reunião.

O que diz o Partido Socialista?

Fala em "fait-divers". Carlos Pereira, do PS, e que esteve presente nessa reunião, diz ter sido um encontro normal, de cariz preparatório. Acrescenta ter-se tratado de uma videoconferência, não presencial.

Mas é habitual haver reuniões prévias dos grupos parlamentares com personalidades a ser ouvidas no Parlamento?

Não, ou pelo menos não são conhecidas publicamente. Daí a estranheza para com a situação e o pedido de demissão do ministro das Infraestruturas.

Haverá mais algum indício de condicionamento político da TAP?

Sim. Para fundamentar essa acusação, a IL refere outro dado revelado na comissão parlamentar, em que a CEO da TAP não negou que o ex-secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Mendes, tenha pedido à empresa para adiar um voo de Moçambique, no qual embarcaria o Presidente da República. Porquê?

Porque Marcelo precisava de ficar mais tempo naquele país. Christine Ourmières-Widener admitiu que a sua intenção era negar esse pedido, mas o governante terá obrigado, ou pelo menos sugerido à CEO aceitar o adiamento, por considerar que o Presidente era um "aliado político" - e que seria um "pesadelo" se Marcelo se pronunciasse em prejuízo da TAP.

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