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Boris. A queda de um político com estilo "ineficaz, frouxo e irresponsável"

08 jul, 2022 • José Pedro Frazão


Não foram greves nem contestações populares que derrubaram o primeiro-ministro britânico. O que se passou apenas em círculos restritos desmoronou o Governo que Johnson consolidou há apenas 3 anos com uma vitória nas legislativas sem paralelo para os Conservadores desde 1987. Seria possível noutro país europeu? E a sucessão evitaria eleições noutra democracia europeia?

António Costa Pinto, politólogo e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, entrou num pub britânico da capital há seis anos na noite em que se contavam os votos do referendo à permanência do Reino Unido na União Europeia. A convite da Renascença debateu com António Goucha Soares, Henrique Monteiro, Graça Franco e Pedro Santos Guerreiro um cenário que a todos se afigurava resolvido pelas projeções e pelas reações em Londres. À hora a que as portas do bar se fecharam, o Brexit tinha morrido na praia.

Na manhã seguinte, os resultados viraram o jogo. Johnson passaria mais tarde de 'mayor' de Londres a ministro dos Negócios Estrangeiros até ser nomeado primeiro-ministro e depois eleito com uma maioria absoluta, inédita no seu campo político desde Margaret Thatcher.

O povo deu-lhe poder e o poder foi demolido devido ao que aconteceu fora da vista desse mesmo povo. Sucessivas "perdas de confiança" dos governantes e dirigentes conservadores na sequência de escândalos diversos no plano dos comportamentos de membros do círculo de Johnson acabaram com o governo liderado pelo dirigente político de alto nível que mais apoiou a Ucrânia quando a guerra estalou na Europa. Convidamos António Costa Pinto para fechar o ciclo de Johnson numa breve conversa com a Renascença.

Boris Johnson não é um líder político qualquer no firmamento europeu, foi o homem que conduziu o Brexit. Onde vamos poder encaixar Johnson no quadro das figuras políticas da Europa?

Boris Johnson é o primeiro-ministro do Brexit, da saída do Reino Unido da União Europeia e da difícil reintegração do Reino Unido agora como potência regional na política e economia internacionais. Vai ficar na democracia britânica como um caso de grande insucesso político. Não foram o Brexit, as difíceis negociações com a União Europeia, o tema bastante complexo da Irlanda do Norte, nem sequer questões de política económica e social na Grã-Bretanha que provocaram a queda de Boris Johnson.

É um caso muito singular de um primeiro-ministro com um estilo político e modelo de governação de grande ineficácia. Esta radicalização do Partido Conservador em relação a Boris Johnson está ligada a dimensões associadas a pequenos escândalos políticos, festas na sede de Governo, nem sequer estamos a falar de casos de corrupção. Este estilo de liderança política não costuma caracterizar os primeiros-ministros britânicos. Os escândalos sexuais não existam em todas as democracias, mas o que está aqui em causa é o estilo político frouxo, irresponsável de Boris Johnson na gestão de todos esses casos. Ele cai fundamentalmente devido ao seu estilo político.

Já tivemos em Portugal substituições de primeiros-ministros dentro da área política que os elegeram. Neste caso, os Conservadores vão ter um Congresso e uma disputa interna, sem designação imediata de um número dois que sobe em definitivo ao lugar principal.

A democracia britânica contém uma característica ausente na maior parte das democracias europeias, nomeadamente na portuguesa. Houve até o ato singular de um grupo significativo de ministros ter batido à porta de Boris Johnson apelando à sua demissão. Isto seria impossível em Portugal, em França ou em Espanha. Isto explica-se pelo facto de no Reino Unido, os ministros serem parlamentares e, em segundo lugar, serem dirigentes partidários com grande autonomia política em relação ao Primeiro-Ministro. Assim, Boris Johnson perdeu sistematicamente o apoio do seu pessoal político, no seu Governo e no partido. Na sucessão, será importante perceber se o partido Conservador quer manter Boris Johnson mais alguns meses ou encontrar um Primeiro-Ministro substituto até ao Congresso. Este é um exemplo que como a democracia britânica resolve os seus problemas de sucessão de forma bem diferente de outras democracias europeias.

É estranho que o Reino Unido não avance para eleições antecipadas?

A democracia britânica não é um sistema semipresidencial como o português, onde o Presidente da República pode convocar eleições praticamente em qualquer altura, com base na sua análise política, como já vimos no passado. A democracia britânica tem uma dimensão muito mais descentralizada e os partidos políticos - neste caso os Conservadores como podiam ser os Trabalhistas - têm uma autonomia política muito mais significativa para gerir a sucessão dos primeiros-ministros.

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  • Manuel Rpodrigues
    11 jul, 2022 Lisboa 16:22
    Dizer que foram os escândalos sexuais e tenta tapar o sol com uma peneira.Na verdade a saída da UE conduziu a GB a uma crise económica e laboral sem precedentes nestes últimos anos. As greves que o sr jornalista não viu não aconteceram mas já estão anunciadas, nos médicos nos enfermeiros e nos transportes públicos caso dos caminhos de ferro até já estão em curso.