Opinião de Luís Cabral
A+ / A-

A Revolução Digital e o Emprego

12 jul, 2019 • Opinião de Luís Cabral


A história mostra-nos que as revoluções tecnológicas destroem empregos, mas não aumentam a taxa de desemprego. O problema é que a nova economia precisa de um conjunto diferente de habilitações.

Há alguns meses, Paulo Portas lembrava, numa entrevista, que "um americano muda de emprego, em média, 11 vezes durante a vida, um europeu muda três a quatro e com dificuldade". A mobilidade económica, que também se manifesta na mobilidade laboral, é um factor importante para o funcionamento da economia, especialmente da economia do séc. XXI.

As novas tecnologias (automação, inteligência artificial) terão um impacto enorme sobre o balanço da oferta e procura de trabalho. Não é que os empregos venham a desaparecer: a história mostra-nos que as revoluções tecnológicas destroem empregos, mas não aumentam a taxa de desemprego. O problema é que a nova economia precisa de um conjunto diferente de habilitações.

Neste sentido, a revolução digital, tal como a revolução industrial de há dois séculos, é, em grande parte, um problema de ajustamento.

Travar a mobilidade económica (nomeadamente a mobilidade laboral) pode parecer a melhor solução para evitar a destruição de empregos, mas acaba por ser uma luta contra o inevitável.

Não quero com isto negar que haja aqui um problema social grave. O que quero dizer é que a solução passa pelo apoio aos que mais sofrerão no processo de ajustamento, bem como a formação que permita entrar na nova fase do mercado de trabalho.

Continuando a citar Portas: "Precisamos de gente nova, como é evidente, mas também temos de ter uma cultura aberta." Concretamente, uma cultura aberta à revolução digital em curso, por maiores que sejam os custos de ajustamento.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • João Lopes
    15 jul, 2019 21:02
    Excelente artigo!