Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Os jovens e a Europa

06 nov, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Uma destacada ex-política, Leonor Beleza, correspondeu ao apelo do Presidente Marcelo para o combate pela integração europeia. Faltam os políticos no ativo.

Na quarta-feira da semana passada chamei aqui a atenção para um alerta do Presidente da República quanto à necessidade de os europeístas defenderem com mais eficácia a integração europeia. De facto, o euroceticismo tem crescido no interior da própria UE. Dizem as sondagens que, em França, a Frente Nacional, atualmente Rassemblement National, de Marine Le Pen, venceria o partido do europeísta Presidente Emmanuel Macron, se agora houvesse eleições para o Parlamento Europeu.

Por cá, foi uma destacada ex-política, Leonor Beleza, quem deu seguimento imediato aos avisos de Marcelo Rebelo de Sousa. Disse ela no encerramento da Escola Europa (uma iniciativa do PSD e do espanhol PP) que os jovens devem envolver-se na defesa dos valores da integração europeia, num momento em que a Europa da livre circulação, da solidariedade e dos direitos humanos pode ser posta em causa. “Sejamos capazes de explicar bem, nomeadamente aos mais novos, que aquilo que eles têm hoje está a ser discutido e pode não existir para a geração a seguir”, afirmou Leonor Beleza.

Julgo que os jovens estão entre aqueles que são mais contrários a recuos na integração europeia. No Reino Unido a maioria deles votou contra o Brexit. Programas como o Erasmus têm contribuído para uma consciência europeia, que não elimina as nações, antes as junta para que assim tenham mais força.

Mas há uma batalha política travar. Contra a esquerda marxista, que vê na UE uma mera manifestação capitalista, e contra o populismo eurocético e fascizante da extrema direita – na Itália, na Polónia, na Hungria... Os políticos nacionais têm que entrar a sério neste confronto; até agora quase só eurodeputados, como Paulo Rangel ou Francisco Assis, têm escrito, e bem, sobre este assunto.

O essencial da batalha está nos valores democráticos e humanistas da civilização europeia. A UE é conveniente para Portugal não só, nem sobretudo, pelos fundos europeus que traz a uma economia descapitalizada. Se olharmos para os anos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974 facilmente concluiremos que a nossa democracia apenas estabilizou com a entrada de Portugal na então CEE, no início de 1986. Confirmou-se, então, a aposta de Mário Soares, que solicitou a adesão à Europa comunitária em 1977, contra a opinião de consagrados economistas.

Dito isto, é de sublinhar o nosso país vai receber 4,7 milhões do Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FEAG), uma verba destinada à formação e integração no mercado de trabalho de 1460 jovens e antigos trabalhadores da indústria do vestuário. Trata-se de um projeto que irá garantir o maior apoio de sempre concedido ao nosso país.

Mas, repito, o que está acima de tudo em jogo quanto ao futuro da Europa comunitária são valores de civilização
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  • Antonio Gomes
    06 nov, 2018 Portugal 22:41
    A UE foi boa para os partidos políticos, principalmente na era do então primeiro ministro Cavaco — quando é sabido que jorravam milhões de lá para cá. Quanto ao resto, e como ninguém dá nada a ninguém, agora temos a corda ao pescoço com a dívida e respectivos juros. E, sem moeda para desvalorizar, estamos fritos. O Sr. Sarsfield sabe disso melhor que eu (e do que a maioria dos portugueses). Em termos políticos, perdemos a soberania, dado que as políticas que realmente interessam vêm de Bruxelas — cotas de pesca, etc... Isso é que devia ser endino aos jovens, mas os políticos não querem, pois só eles beneficiam com Portugal de cócoras perante o BCE. Politicamente, e como a escolha da comissão e dos directores do BCE não é feita pelos cidadãos europeus, a UE tornou-se uma organização mais ou menos "fascista".