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Federação diz que baixa empregabilidade de autistas "envergonha sociedade"

01 abr, 2021 - 20:15

A situação foi agravada pela pandemia, considera a organização que representa as famílias com experiência de autismo.

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A Federação Portuguesa de Autismo alertou esta quinta-feira para a necessidade de uma maior aposta na empregabilidade digna e estável das pessoas com esta neurodiversidade, considerando que é uma vergonha para a sociedade que seja tão baixa. .

Numa mensagem a propósito do Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, que se assinala na sexta-feira, a federação faz este alerta, referindo que mais de 10 anos após a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência ainda está longe da sua aplicação generalizada.

"Passos legislativos importantes têm sido dados, contudo muitas Pessoas com autismo ainda não têm os apoios que necessitam. Apesar da legislação existente, com previsão de quotas e apoios, o número de Pessoas com autismo com emprego digno e estável é tão baixo, que nós como sociedade só temos que nos envergonhar", refere a federação em comunicado.

A fase pandémica de Covid-19, adianta, acentuou os obstáculos e as desigualdades no acesso à educação, emprego e saúde das pessoas com autismo.

Em 18 de dezembro de 2007, a 76ª sessão plenária da Assembleia Geral da Nações Unidas (ONU) aprovou a resolução 62/139 que declarou o dia 2 de abril como o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo. .

Em declarações à agência Lusa o presidente da Federação Portuguesa de Autismo (FPDA), Fernando Campilho, explicou que em Portugal há poucas estatísticas sobre esta matéria e até mesmos sobre o número de autistas diagnosticados.

No entanto, adianta, as associações que trabalham no terreno têm esta perceção da escassez de emprego estável e digno para os autistas. .

"Fazem formações profissionais, mas com emprego são muito poucos. É preciso sensibilizar as empresas e mais apoios do Estado. Existem quotas de empregabilidade para pessoas com deficiência, mas os jovens com autismo são difíceis de enquadrar nos parâmetros", explicou.

Fernando Campilho diz que este é um problema global e não apenas exclusivo de Portugal de tal forma que é uma das campanhas do autismo Europa. .

A Associação Internacional Autisme Europe, que se estima representar cerca de sete milhões de pessoas com autismo na Europa, no âmbito do Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, continua este ano a campanha iniciada em 2020 sob o tema "I can learn. I can work" ("Posso aprender. Posso trabalhar"), que, além de analisar a educação e emprego, também se dirige a tópicos relacionados com a covid-19, incluindo educação à distância, acomodações razoáveis, saúde mental e desafios colocados pela pandemia. .

O tema é ainda uma preocupação da Organização das Nações Unidas (ONU), que vai organizar a 08 de abril uma conferência sobre a matéria.

Também para assinalar o dia, uma outra associação portuguesa, a Inovar Autismo, realiza a iniciativa "Tertúlias Inclusivas – Autismo & Vida Independente" – Conversas de Abril, com quatro conversas às quartas-feiras.

No dia 07 de abril 2021 realiza-se a primeira destas tertúlias, com o título "Inclusão no Ensino Superior, organizada pelo CAVI Alentejo.

Esta associação divulga ainda um documento ao qual é chamado "Kit Aceitação – 12 vozes a ouvir durante todo ano e não somente em abril", que espelha a voz de um grupo de 10 pessoas autistas e neurotípicas.

Neste documento defendem que, mais que consciencializar é preciso aceitar, que o autismo não é uma doença, mas uma neurodiversidade e que não deve ser encarado como uma "anormalidade", mas como uma forma diferente de nascer e viver a vida.

Os autores desta espécie de manifesto pedem que sejam os autistas a falar sobre o autismo e que mais do que consciencializar há que aceitar exigindo respeito, compreensão e inclusão.

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