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Moratórias. Créditos à habitação voltam a ser pagos em abril

25 mar, 2021 - 08:27 • Sandra Afonso

São cerca de 3,7 mil milhões de euros que deixam de estar debaixo da “bolha de oxigénio” concedida para enfrentar os momentos mais intensos da pandemia. Até setembro, terminam todas as moratórias.

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A partir de abril, quem tem moratória privada no crédito à habitação começa a pagar juros.

Segundo as contas publicadas pelo Banco de Portugal, no final deste mês, a banca poderá voltar a receber os pagamentos regulares sobre cerca de 3,7 mil milhões de euros emprestados para a compra de casa (o valor em moratória em janeiro, mas que ainda pode ser atualizado).

Mas estes empréstimos representam apenas uma fatia no bolo total. Entre os particulares, menos de 9% das famílias (8,8%) aderiram a moratórias.

No total, são 20 mil milhões de euros em empréstimos e, destes, cerca de 17 mil milhões dizem respeito a crédito à habitação. Mas apenas 3,7 mil milhões estão em regime de moratória privada, as primeiras a chegar ao fim.

Um terço dos empréstimos das empresas estão em moratórias, mas são as famílias que têm mais devedores neste regime.

Moratórias com diferentes prazos

É preciso ter em atenção que existem diferentes prazos em vigor.

Já em abril, retoma o pagamento dos juros nas moratórias públicas para as adesões iniciais que não foram renovadas nem revistas. O pagamento do capital está previsto para final de setembro, data em que termina este regime para todos.

Antes disso, em 30 de junho, termina o prazo das moratórias privadas, mas no crédito pessoal.

Resumindo. Há duas moratórias ainda em vigor: o regime público e o regime privado, promovido pela Associação Portuguesa de Bancos. Apenas a moratória da Associação de Instituições de Crédito Especializado já chegou ao fim.

Até setembro, terminam todas as moratórias.

Moratórias públicas. Há riscos para os bancos e o Estado?

Os dados conhecidos na quarta-feira foram publicados pela primeira vez e vão passar a ser atualizados todos os meses. Para já, é possível concluir que 8,4 mil milhões de euros – um terço do crédito em moratórias – está em setores considerados vulneráveis. Ou seja, nas áreas económicas mais afetadas pela crise pandémica.

Fala-se muito no crédito à habitação, mas as moratórias são mais expressivas no universo empresarial. Um terço dos empréstimos estão suspensos.

Por setores, o que mais recorreu a este apoio foi o alojamento e a restauração: seis em cada 10 empréstimos têm moratória.

No comércio, por exemplo, 25% dos empréstimos estão sob moratória.

Trata-se de um cenário que tem preocupado os bancos e as autoridades, que já manifestaram publicamente estarem a contactar os devedores, no sentido de avaliar as dificuldades e eventuais medidas de apoio.

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