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É possível aumentar a capacidade de testagem? Laboratórios estão prontos para "os desafios que possam vir”

10 fev, 2021 - 16:19 • Fábio Monteiro

Ouvidos pela Renascença, os grupos Unilabs e Germano de Sousa garantem ter “capacidade” para aumentar testagem. Direção-Geral da Saúde está a preparar uma nova estratégia que deverá ser apresentada ainda esta semana.

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A ministra da Saúde, Marta Temido, definiu o aumento de testagem à Covid-19 como uma das prioridades para 2021 (posição também já subscrita pelo pneumologista Filipe Froes) e a Direção-Geral da Saúde (DGS) está, neste momento, a fazer uma revisão da estratégia – que ainda deverá divulgar esta semana.

Ouvidos pela Renascença esta quarta-feira, dois dos maiores grupos laboratoriais privados nacionais, o Unilabs e o Germano de Sousa, garantem ter capacidade para dar resposta às necessidades do Governo.

“Estamos disponíveis para os desafios que possam vir. Nós, os laboratórios privados, os laboratórios do setor social e tenho a certeza que também todos os laboratórios dos hospitais públicos”, diz Luís Menezes, CEO da Unilabs.

Germano de Sousa, administrador e fundador do grupo de laboratórios Germano de Sousa, secunda a mesma posição: “Podemos perfeitamente aceder às necessidades que a sra. ministra declarou.”

Desde que a terceira vaga da pandemia de Covid-19 “começou a diminuir lentamente”, os laboratórios Germano de Sousa têm feito, em média, cerca de 6 mil testes diários. Mas “durante a última quinzena de janeiro, tivemos dias de pico de 10 mil, 10 mil e 200 doentes por dia que nos procuraram”, conta o CEO do grupo.

Num futuro próximo, os laboratórios podem “voltar facilmente aos 10 mil testes por dia”. “E como adquirimos mais uma plataforma técnica para resolver os pedidos, podemos ir até aos 12 mil testes PCR”, revela ainda o responsável.

A conjuntura no grupo Unilabs é muito semelhante. De momento, estão a realizar cerca 4 mil testes PCR diários. “Nos últimos dias, houve uma diminuição de 50% face ao pico da pandemia, quando fizemos 10 mil e 500 testes por dia. Hoje, nós temos capacidade para ir aos 15 mil testes de PCR”, garante Luís Menezes.

Tanto Luís Menezes como Germano de Sousa garantiram estar em contacto com o Governo. O segundo, aliás, revelou à Renascença que iria reunir com a ministra da Saúde esta quarta-feira à tarde, para falar sobre o "aumento de capacidade".

O risco de um desconfinamento rápido

Segundo Germano de Sousa, a capacidade de testagem dos laboratórios nacionais, neste momento, é já muito razoável e talvez não seja preciso “muito mais”.

“Todos os laboratórios respondendo em conjunto como o meu laboratório pode responder, facilmente chegaremos aos 70 mil testes por dia. Como já tivemos, aliás, em janeiro. Já houve dias de 70 mil, podemos chegar aos 70 ou mais. O que é um número excelente. Mesmo dentro da Europa. Com uma melhor percentagem de testes realizados em função da população”, diz.

Luís Menezes vê a questão de outro ângulo. “O tema não está apenas na capacidade que nós possamos ter de testagem. O tema está em nós conseguirmos, agora que o número de contágios está mais baixo, ter um rastreio eficaz. Que faça com que cada infetado veja os seus contactos rapidamente compilados, esses contactos sejam contactados pelas autoridades de saúde para serem testados, com rapidez”, explica.

O “truque” será, então, alcançar” um rácio de testes por número de infeções elevado”. Com isso e uma resposta rápida dos laboratórios, “podemos pensar no desconfinamento gradual que irá acontecer algures em maio, dando segurança às pessoas”.

Caso contrário, “se fizermos o desconfinamento sem uma grande capacidade de testagem, corremos o risco de ver a pandemia novamente a crescer”, avisa.

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