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Covid-19 já matou mais de 2,3 milhões de idosos. Vaticano considera "urgente" rever apoios

09 fev, 2021 - 12:27 • Aura Miguel

Uma nota da Academia Pontifícia ​para a Vida divulgada esta terça-feira fala em "verdadeiro massacre de idosos".

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A Academia Pontifícia para a Vida publicou, esta terça-feira, uma nota sobre os efeitos da pandemia nos idosos. O texto sublinha que a Covid-19 já matou mais de 2,3 milhões de idosos e considera "urgente" rever apoios à velhice.

A academia vaticana considera que os números revelam a “incapacidade da sociedade contemporânea em cuidar adequadamente de seus idosos”.

O presidente da Academia Pontifícia para a Vida, monsenhor Vincenzo Paglia, disse, em conferência de imprensa, que “o número de mortos é brutal”, pois “até ao momento, fala-se em mais de 2,3 milhões que morreram de Covid-19, a maioria deles institucionalizados, com mais de 75 anos".

"Um verdadeiro massacre de idosos”, enfatiza o monsenhor Vincenzo Paglia.

Em Portugal, número de mortes de residentes nos lares por covid-19 ascende a 3.750 desde o início da pandemia e até 4 de fevereiro, indica a mais recente atualização da Direção-geral da Saúde (DGS).

A nota do Vaticano, intitulada “A velhice: o nosso futuro. A situação dos idosos depois da pandemia”, sublinha a necessidade urgente de uma maior atenção às pessoas mais velhas, considerando o seu aumento crescente, a nível mundial.

Neste contexto, a Santa Sé considera urgente repensar, a nível global a proximidade da sociedade aos idosos e rever os actuais sistemas de cuidado e assistência, pois “nem sempre a sua institucionalização em lares garante melhores condições de assistência, sobretudo, quando estão mais fragilizados”.

O documento divulgado esta terça-feira surge após o Papa Francisco ter instituído o “Dia Mundial dos Avós e dos Idosos”, a celebrar neste ano, pela primeira vez, no próximo dia 25 de julho.

Trata-se de “uma reflexão sobre as lições a extrair da tragédia da pandemia, sobre suas consequências para hoje e para o futuro próximo de nossas sociedades”, com vista a “uma nova visão, um novo paradigma que permita à sociedade cuidar dos idosos.”

"A nova linfa do humanismo"

O cardeal Bergoglio, ainda antes de ser Papa, já considerava que “a eliminação do idoso da vida familiar e da sociedade representa a expressão de um processo perverso em que já não existe gratuidade, generosidade, nem aquela riqueza de sentimentos que garantem que a vida não seja apenas um dar e receber, como se fosse um mercado”.

Desde então e até hoje, o Papa Francisco continua a insistir no combate da “maldição de eliminar o idoso da nossa sociedade” e apela continuamente aos jovens para se relacionarem e aprenderem com os mais velhos.

O documento da Santa Sé aprofunda esta urgência e refere que “jovens e idosos, ao se encontrarem, podem trazer para o tecido social aquela nova linfa do humanismo que tornaria a sociedade mais unida".

O texto inclui um conjunto de propostas concretas para o acompanhamento integral, cuidados de saúde e apoio humano aos idosos. “Uma sociedade que sabe acolher a fraqueza dos idosos é capaz de oferecer esperança para o futuro a todos”, mas “tirar o direito à vida de quem está fragilizado, significa roubar a esperança, especialmente aos jovens”.

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