Tempo
|
A+ / A-

Covid-19

Primeiro ventilador certificado em Portugal começa a ser produzido esta semana

01 fev, 2021 - 13:30 • Sofia Freitas Moreira

República Checa e Brasil já manifestaram interesse no equipamento português. O SYSVENT OM1 resulta de uma parceria entre uma empresa nacional, a Ordem dos Médicos e laboratórios acreditados em três países. 35 unidades vão ser doadas ao SNS, para ajudar no combate da pandemia de Covid-19.

A+ / A-

Veja também:


Vai começar a ser produzido, esta semana, o primeiro ventilador certificado em Portugal. O SYSVENT OM1, que começou a ser desenvolvido em março, resulta de uma parceria entre uma empresa nacional, um grupo de médicos especialistas em cuidados intensivos, indicado pela Ordem dos Médicos, e laboratórios acreditados em três países.

O ventilador tem requisitos para ser utilizado em cuidados intensivos e as primeiras unidades, que já foram certificadas, têm como destino Portugal e a República Checa.

Em declarações à Renascença, o engenheiro José Vale Machado, presidente do conselho de administração da Sysadvance, explica que a empresa tem "já um protocolo estabelecido com a República Checa" e há "também interesse do governo brasileiro", a quem já foi enviado o certificado.

“Com o fecho do processo de certificação, podemos começar a produção e também fazer o registo no Infarmed que é obrigatório”, sublinha José Vale Machado.

Em junho de 2020, foi celebrado um acordo "com a associação Todos Por Quem Cuida, da qual fazem parte a Ordem dos Médicos, a Ordem dos Farmacêuticos e a Apifarma, para a aquisição de 30 unidades, a um preço descontado”. O engenheiro avança ainda que a empresa vai doar mais cinco equipamentos e que "todos os ventiladores vão ser doados ao Serviço Nacional de Saúde, para apoio ao combate à pandemia de Covid-19".

O protótipo do ventilador SYSVENT OM1 está "totalmente desenvolvido, testado e validado" desde maio de 2020. A partir dessa altura, iniciou-se o processo de certificação, "abrindo um dossier técnico junto ao organismo notificado, a SGS Bélgica".

“De maio até novembro, estivemos a elaborá-lo, é um processo muito complexo. Estamos a falar de cerca de 304 documentos. Este equipamento suporta vidas humanas, portanto é provavelmente dos mais complexos de certificar”, explica o engenheiro.

No passado dia 24 de janeiro, o processo de auditoria foi fechado, sendo concedida a certificação do ventilador português. A empresa fez um apelo de urgência junto ao organismo de certificação porque, “normalmente, estes certificados demoram entre duas a três semanas a ser emitidos”, mas fizeram-no em 48 horas, “bastante antes do antecipado”.

“O SYSVENT OM1 é absolutamente complementar aos sistemas de Geração de Oxigénio, permitindo uma solução completa para a saúde, desde a fonte de oxigénio até à administração de oxigénio ao doente. A Sysadvance é hoje a única empresa mundial a fornecer estas soluções combinadas”, refere um comunicado da Ordem dos Médicos enviado às redações.

De acordo com a Ordem, a aliança entre médicos e engenheiros “demonstrou que devemos investir na investigação clínica para chegarmos às soluções que os hospitais precisam, com mais rapidez, qualidade e inovação”.

Para o bastonário, Miguel Guimarães, o primeiro ventilador certificado em Portugal “é uma grande alegria em tempo de notícias nem sempre boas”.

“Neste momento tão complexo da pandemia, a certificação do SYSVENT OM1 enche-nos de orgulho e corrobora todo o esforço, empenho e profissionalismo dedicado a este projeto, permitindo que Portugal possa dispor de um equipamento de alta precisão e fiabilidade para ventilação de doentes em cuidados intensivos”, destaca o engenheiro José Vale Machado.

Brevemente será anunciada a data de apresentação pública do equipamento, numa cerimónia que contará com as autoridades institucionais.


EVOLUÇÃO INTERNAMENTOS EM PORTUGAL:

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+