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Aulas suspensas

"Um escândalo e um abuso". Nuno Botelho critica suspensão do ensino à distância

23 jan, 2021 - 02:03 • Lusa

Presidente da Associação Comercial do Porto defende que a norma promulgada pelo Presidente da República é "inconstitucional" e "viola o princípio da proporcionalidade".

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O presidente da Associação Comercial do Porto (ACP), Nuno Botelho, considerou esta sexta-feira "um atentado à iniciativa privada, um escândalo e um abuso" a decisão do Governo de suspender o ensino à distância devido à pandemia de Covid-19.

Em declarações à agência Lusa, Nuno Botelho manifestou-se "absolutamente contra" a suspensão do ensino 'online' no setor privado, medida que, no seu entender, apenas serve para "escamotear" a realidade dos factos, que é "a incompetência" deste Governo, "que teve 10 meses" para preparar as escolas públicas e dotar os alunos com computadores, como havia prometido, "e não cumpriu".

Para o presidente desta associação empresarial, "é inconstitucional" a norma promulgada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa que permitiu a tomada desta decisão, pois "viola o princípio da proporcionalidade".

Nuno Botelho lembra que o vírus "não se transmite" via internet, reiterando que esta medida "é um claro ataque à iniciativa privada e aos direitos dos portugueses", nomeadamente às cerca de 400 mil famílias que têm os filhos em estabelecimentos de ensino privados.

O presidente da Associação Comercial do Porto diz que há escolas públicas "que estão preparadas para dar ensino à distância", sublinhando que "o Governo não pode proliferar a mediocridade em detrimento do mérito".

Este empresário critica ainda o facto de "não haver, na oposição, um sobressalto sobre este assunto", considerando "estranho o silêncio dos responsáveis políticos".

Questionado sobre se não iria criar "mais desigualdade" o facto de uns alunos poderem ter aulas à distância, enquanto outros não teriam condições para que isso acontecesse nas próximas duas semanas, Nuno Botelho diz que a "desigualdade já existe", fruto da atuação "dos sucessivos governos que foram incompetentes", em relação à escola pública.

Para o presidente da ACP, este momento deve servir para levar todos os portugueses a pensar como, enquanto sociedade, não foi capaz de se organizar, assumindo que hoje é um "dia muito triste para Portugal, muito desmotivante e dramático".

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