Tempo
|
A+ / A-

Covid-19. INSA prevê mais de 9 mil casos diários na primeira semana de dezembro

25 nov, 2020 - 14:01 • Joana Gonçalves

De acordo com o relatório do Instituto Ricardo Jorge sobre a situação epidemiológica nacional, a que a Renascença teve acesso, estima-se que o número de doentes internados em unidades de cuidados intensivos seja 681, no primeiro dia de dezembro. A última atualização da ministra da Saúde apontava para uma capacidade de UCI de 589 camas.

A+ / A-

Veja também:


Portugal poderá atingir mais de nove mil casos diários de Covid-19 já na primeira semana de dezembro. De acordo com o relatório de Nowcasting/Forecast do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) sobre situação epidemiológica nacional, a que a Renascença teve acesso, estima-se que no dia 4 de dezembro o país registe um pico de 9.776 novas infeções.

O número total de casos confirmados deverá, de acordo com a mesma projeção, chegar aos 397.853, o que representa um aumento de cerca de 129 mil infeções, em pouco mais de uma semana.

O mesmo documento aponta, ainda, para uma estimativa da variação entre o número real de infecções e o número de casos notificados que pode superar os 29 mil infetados.

O relatório refere, também, que “tendo em consideração a tendência observada na prevalência de doentes Covid-19 hospitalizados em enfermaria e UCI [unidades de cuidados intensivos]”, projecta-se que no dia 1 de dezembro o número de doentes Covid-19 em unidades de cuidados intensivos (UCI) seja 681. Atualmente, ronda os 500.

Este valor ultrapassa a atual capacidade do Serviço Nacional de Saúde, em UCI. De acordo com a última atualização da ministra da Saúde, Marta Temido, estariam disponíveis 589 camas em UCI para doentes Covid-19. “Esse é um número que varia diariamente. A capacidade que temos para acolher doentes Covid-19 pode ir até às cerca de mil camas, com prejuízo de outra atividade assistencial e é isso que nos preocupa”, adiantou Marta Temido em entrevista à Renascença.


Desde o início de agosto que o R(t) nacional - o grau de transmissibilidade de infecção do novo coronavírus - se encontra sistematicamente acima de um. Para valores abaixo deste, a infeção é incapaz de se manter na população. Seria, por isso, bom sinal se o R(t) começasse a diminuir, o que não se tem verificado.

De acordo com o relatório do INSA, Portugal apresenta uma “taxa de notificação elevada e com tendência crescente”.

“A estimativa do tempo de duplicação do número de casos de SARS-CoV-2, com base na tendência dos últimos 15 dias de análise, foi de 30,3 dias”, lê-se no mesmo documento.

Os Açores são a região com o grau de transmissibilidade de infecção do novo coronavírus mais elevado. Já o Norte do país apresenta a maior média de novos casos diários.


Foram estimados os seguintes valores de R(t) para as regiões com mais casos:

• 1,08 na região Norte (média de 3643 novos casos por dia)

• 1,14 na região Centro (média de 815 novos casos por dia)

• 1,1 na região LVT (média de 1656 novos casos por dia)

• 1,14 na região Alentejo (média de 134 novos casos por dia)

• 1,1 na região Algarve (média de 102 novos casos por dia).

• 1,16 na região Autónoma dos Açores (média de 31 novos casos por dia).

• 0,93 na região Autónoma da Madeira (média de 9 novos casos por dia).

O INSA publica semanalmente um relatório sobre a curva epidémica e os parâmetros de transmissibilidade da Covid-19, disponível aqui.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.