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Gulbenkian ajuda alunos carenciados com mentorias e aulas extra

24 nov, 2020 - 07:56 • Lusa

O GAP pretende apoiar “pelo menos 5.000 alunos dos ensinos básico e secundário”, com vista a reduzir o impacto da pandemia na aprendizagem. Sociedade Portuguesa de Matemática quer também assegurar aulas a turmas ainda sem professor.

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A Fundação Calouste Gulbenkian lançou um programa dirigido a milhares de alunos mais carenciados para que tenham um apoio extra a Português, Matemática e Inglês e, em alguns casos, para que voltem a ter aulas de matemática.

O programa chama-se GAP – Gulbenkian Aprendizagem e pretende apoiar “pelo menos 5.000 alunos dos ensinos básico e secundário” a recuperar aprendizagens perdidas a Português, Inglês e Matemática e a “desenvolver competências importantes para o estudo autónomo”, explica a fundação em comunicado.

Os alunos escolhidos para este projeto pertencem a grupos socioeconómicos mais desfavorecidos e frequentam cerca de 120 escolas do país.

A ideia é reduzir o impacto da pandemia nas aprendizagens. Isto porque com a suspensão das aulas presenciais e o arranque do ensino à distância, em março do passado ano letivo, os alunos mais vulneráveis voltaram a ser os mais afetados em termos de aprendizagem.

Assim, além dos projetos que já estão a decorrer nas escolas, a Fundação Calouste Gulbenkian decidiu promover “mentorias académicas”, que podem ser levadas a cabo de forma individual, em pequenos grupos ou na sala de aula.

Neste momento, segundo dados da fundação, existe uma bolsa que conta com 30 a 60 mentores da associação “Teach For Portugal” (www.teachforportugal.org), uma organização portuguesa sem fins lucrativos que pertence à rede internacional Teach for All.

Este projeto nasceu do desejo de diminuir as desigualdades educativas e proporcionar às crianças de meios mais desfavorecidos a oportunidade de atingirem o seu máximo potencial.

Em Portugal, a taxa de reprovação dos alunos de comunidades desfavorecidas é cerca de cinco vezes maior do que a de alunos em melhor contexto social.

Assim, a “Teach For All” e a “Teach For Portugal” tem uma bolsa de mentores – pessoas com formação superior – que se oferecem para dedicar o seu tempo a tentar fazer a diferença numa escola.

Além desta parceria, o projeto conta também com a colaboração da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) e das Universidades do Porto e do Minho.

“Prevê-se que sejam prestadas, entre janeiro e junho de 2021, cerca de mil horas de mentoria semanal”, refere a Calouste Gulbenkian em comunicado.

Em complemento a estas mentorias, a Sociedade Portuguesa de Matemática vai também assegurar aulas a turmas que, devido aos efeitos da situação pandémica, estejam sem professor a matemática.

Estas aulas serão garantidas por uma bolsa de professores voluntários constituída pela SPM e começam já em dezembro.

A Gulbenkian lembra ainda que existe uma relação direta entre o perfil socioeconómico e cultural das famílias e o desempenho escolar dos seus filhos.

"As crianças e jovens provenientes de famílias mais vulneráveis enfrentam com mais dificuldade o seu percurso escolar e, apesar de iniciativas como a distribuição de computadores ou o #Estudoemcasa, nas quais a Fundação Gulbenkian esteve envolvida, o confinamento resultante da pandemia veio agravar esta realidade", acrescenta.

Entre março e junho de 2020, estas crianças e jovens não só foram privadas do ensino presencial de que tanto precisam, como viram acentuadas as desigualdades académicas inerentes às dificuldades de acesso ao ensino à distância.

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