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Pandemia de Covid-19

"Fomos surpreendidos" com segunda vaga da pandemia "tão cedo", diz Costa

09 nov, 2020 - 21:26 • Redação com Lusa

Ao primeiro dia do novo estado de emergência, primeiro-ministro garantiu capacidade do SNS, definindo como objetivo evitar a sua rutura, e anunciou linha de apoio aos restaurantes para compensar perdas nos próximos dois fins de semana, em que haverá recolher obrigatório a partir das 13h.

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O primeiro-ministro, António Costa, reconheceu esta segunda-feira que o seu Governo e as autoridades de saúde foram "surpreendidos" com a chegada precoce da segunda vaga da pandemia de Covid-19.

"Nós, tal como todos os outros países da Europa, não previmos que esta segunda vaga surgisse tão cedo, isso é claro. Fomos surpreendidos. Todos estavam muito preocupados com a abertura do ano letivo, felizmente correu muito bem. Sentimos que as pessoas, no seu conjunto, não reagiram tão prontamente como no passado", disse Costa em entrevista na TVI, para explicar o atraso na adoção de algumas medidas de combate à epidemia em Portugal.

Questionado sobre a atual situação no país no contexto da pandemia, o chefe do Governo referiu que "estamos hoje numa situação bastante mais grave do que aquela em que estávamos" durante a primeira vaga, entre março e maio, indicou ao final do primeiro dia do novo estado de emergência.

Apesar da situação, Costa defende que "estamos naquele momento em que conseguimos ainda ter capacidade de controlar" e sublinha que aquilo que podia ser preparado foi "orientado" pelas autoridades.

"Aumentámos o número de chamadas atendidas pela Linha Saúde 24, o número de testes, a capacidade de internamento, o número de casos em vigilância", exemplificou o primeiro-ministro. "Mas a transmissão não depende do Governo, depende do comportamento das pessoas", reforçou.

"Assustamos de mais ou assustamos de menos?"

Interrogado sobre os motivos que levaram o Governo a anunciar apenas no sábado passado medidas mais duras de combate à pandemia, António Costa começou por observar que o crescimento verificado do número de contágios "foi exponencial nas últimas semanas".

Depois, tal como já tinha afirmado o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em entrevista à RTP - e também o próprio chefe do Governo no final do último Conselho de Ministros extraordinário -, António Costa alegou que, em Portugal, "como em todos os países da Europa, ninguém previu que esta segunda vaga surgisse tão cedo".

"Toda a gente a antecipava da passagem do outono para o inverno, ninguém pensava que chegasse tão cedo. Isso é claro. Agora, se me perguntam se eu estou surpreendido com este número tão significativo na comunidade do número de transmissões, eu estou muito surpreendido", acentuou.

Para o primeiro-ministro, nesta fase após o verão, "as pessoas no seu conjunto não reagiram tão prontamente quanto reagiram" em março e abril.

Neste contexto, António Costa foi questionado por Miguel Sousa Tavares se o Governo não assustou suficientemente as pessoas sobre a gravidade da situação.

"Se calhar... Acha isso? Não sei. Sabe que aqui é muito difícil, é se assustamos de mais ou se assustamos de menos, se as pessoas têm consciência ou não têm consciência", respondeu-lhe.

Objetivo: impedir "dramas de rutura" do SNS

Na mesma entrevista, o primeiro-ministro advertiu que a situação epidemiológica tem de ser controlada agora para evitar "dramas de rutura" no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e defendeu a ministra da Saúde, Marta Temido, reiterando a confiança política reforçada na governante e sustentando que, até agora, o SNS "não falhou em nada" na resposta à Covid-19.

"Se conseguirmos controlar situação, como temos neste momento - onde praticamente ainda temos uma capacidade de metade das camas de cuidados intensivos alocadas a Covid-19 -, se conseguirmos controlar a pandemia agora, vamos conseguir viver sem dramas de rutura", defendeu.

O líder do executivo recusou que o seu Governo tenha algum preconceito ideológico e que, por isso, não recorra a mais contratualizações com os setores privado e social.

De acordo com os dados apresentados pelo primeiro-ministro em relação à capacidade de resposta do SNS, sem ser necessário proceder a qualquer descontinuidade de outra atividade médica, há 704 camas para cuidados intensivos, estando ocupadas 433. Um número que, no limite, mas com perturbação de outras atividades médicas, pode chegar a 944.

"Temos em execução um conjunto de obras em vários hospitais (casos de Évora, Amadora/Sintra e Gaia) para aumentar a capacidade. Quando começou a pandemia, Portugal era o país da União Europeia com o menor número de camas de cuidados intensivos por cem mil habitantes. Chegaremos a março de 2021, um ano depois da pandemia, tendo passado do último lugar, para a média da União Europeia", disse.

Apoio específico à restauração

Questionado sobre o impacto das mais recentes medidas de combate à pandemia de Covid-19 nos vários setores empresariais, em particular nos restaurantes, Costa anunciou uma linha específica de apoio à restauração, sobretudo considerando que haverá recolher obrigatório nos próximos dois fins-de-semana a partir das 13h, nos concelhos mais afetados pela pandemia.

"Vamos agora anunciar esta semana um pacote específico para apoiar as empresas da restauração relativamente ao que vão perder de receita nos próximos dois fins de semana", disse o primeiro-ministro.

Também explicou que os apoios serão calculados de acordo com a receita de cada estabelecimento, através do "e-fatura" do Portal das Finanças, que permite saber qual é a receita de cada restaurante, ou durante o último ano ou no último fim de semana em que há dados disponíveis.

"Portanto, podemos saber qual é a receita que cada um tem e que teoricamente vai perder. Vamos fazer a média (pode ser a média do ano, pode ser só o mês de outubro), mas não está fixado o critério."

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  • Maria Oliveira
    09 nov, 2020 Lisboa 21:40
    Como é habitual, o 1.º ministro já está a enjeitar responsabilidades. A culpa é da população! Não foi ele que nos convidou a retomar o "saudável hábito" de jantar fora? São uns perigosos irresponsáveis, que não merecem qualquer credibilidade.