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Morreu Sean Connery

31 out, 2020 - 12:30 • Marta Grosso com BBC

É o mais famoso James Bond. Tinha 90 anos. Recorde a sua ascensão e os melhores momentos no cinema.

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Morreu Sean Connery, o ator que apresentou James Bond ao mundo
Morreu Sean Connery, o ator que apresentou James Bond ao mundo

Morreu o ator escocês Sean Connery, que se tornou mais famoso pela sua interpretação de James Bond, tendo sido o primeiro a levar o papel para o cinema.

“Sir Sean morreu durante a noite, nas Bahamas”, avança a BBC neste sábado, citando a família.

O ator tinha 90 anos e encontrava-se doente.


Connery apareceu em sete dos filmes de James Bond, mas a sua carreira foi muito além desta saga de espionagem, tendo também marcado presença em “A Caça ao Outubro Vermelho”, “Indiana Jones e a Última Cruzada”, “A Rocha” e “O nome da Rosa”, filme de 1987 em que desempenhou o papel de um monge franciscano que investiga uma série de homicídios num mosteiro.

Recebeu vários prémios, incluindo um Óscar (1998) de Melhor Ator Secundário pelo seu papel em “Os Intocáveis”.

Foi ainda galardoado com dois Bafta e três Globos de Ouro.

Em 2000, foi nomeado cavaleiro (Sir) pela Rainha Isabel II.


Thomas Sean Connery nasceu em Fountainbridge, em Edimburgo, em 25 de agosto de 1930, filho de um operário católico e de uma mulher a dias, protestante.

O jovem Tommy Connery foi criado num cortiço com uma casa de banho partilhada e sem água quente.

Deixou a escola aos 13 anos, sem qualificações, e fez entregas de leite, poliu caixões e colocou tijolos, antes de entrar para a Marinha Real.

Três anos depois, acabou por ser considerado inválido devido às úlceras estomacais de que sofria.

Sobrevivia como podia. Conduziu camiões, trabalhou como salva-vidas e posou como modelo no Edinburgh College of Art. Passava seu tempo livre fazendo musculação e, em Edimburgo, ganhou mesmo a reputação de "homem duro" quando impediu que seis membros de um gangue lhe roubassem o casaco.

Era um bom jogador de futebol e atraiu a atenção de Matt Busby, que lhe ofereceu um contrato no Manchester United. Mas, preferiu o teatro, onde já fazia biscates – “uma das minhas decisões mais inteligentes”, reconheceu mais tarde.

Em 1953, quando entrou no concurso Mister Universo, tomou conhecimento de audições para o musical “South Pacific”. Candidatou-se e, no ano seguinte, estava a interpretar o papel do Tenente Buzz Adams, que ficou famoso na Broadway por Larry Hagman.

Foi o ator norte-americano Robert Henderson que encorajou Connery a retomar os estudos. Emprestou-lhe obras de Ibsen, Shakespeare e Bernard Shaw e convenceu-o a ter aulas de locução.

A primeira aparição de Connery num filme foi em 1954: “Lilacs in the Spring”. Um papel menor, como outros que foi conseguindo na televisão.

Em 1957, consegue o seu primeiro papel principal em “Blood Money”, uma versão da BBC de “Requiem for a Heavyweight”, onde interpretou um lutador de boxe cuja carreira está em declínio.

Um ano depois, enquanto gravava outro filme ao lado de Lana Turner, o namorado da atriz invade os estúdios com uma arma por ter ouvido rumores de romance entre os dois atores. Mas Connery consegue imobilizá-lo.

Bond. James Bond.

007 entra na vida de Sean Connery pelas mãos de Dana, a mulher do realizador Cubby Broccoli, que convenceu o marido a contratar o ator.

Cubby Broccoli e Harry Saltzman tinham adquirido os direitos para filmar os romances de Ian Fleming e estavam em busca de um ator para interpretar o agente 007.

Richard Burton, Cary Grant e Rex Harrison eram alguns dos nomes que constavam na lista. Mas Dana convenceu o marido de que Sean Connery possuía o magnetismo e a química indicada para o papel.

A ideia não foi, de início, bem aceite por Ian Fleming, mas tudo mudou quando viu o desempenho de Connery no grande ecrã.

Sean Connery encarnou a personagem e o público apaixonou-se pelo agente secreto. As cenas de ação, sedução e exotismo revelaram-se uma fórmula vencedora.

O primeiro filme, Dr. No, foi um sucesso de bilheterias. Tanto que o Presidente John F. Kennedy pediu uma exibição privada na Casa Branca.

Seguiram-se “Da Rússia com Amor” (From Russia with Love, 1963), “Goldfinger” (1964), “Operação Relâmpago” (Thunderball, 1965) e “Só se vive duas vezes” (You Only Live Twice, 1967).

Por esta altura (1967), Sean Connery já estava cansado. Os anos como James Bond foram muito exigentes em termos físicos. Num dado momento, foi atirado para uma piscina cheia de tubarões, onde existia apenas uma tela de vidro flexível para proteção. Mas um conseguiu passar a barreira e Connery fez o mais rápido dos recuos.

Além disso, o ator não queria ser rotulado pelo personagem que desempenhava. Em 1971, aceitou novo convite para protagonizar “Diamantes são eternos” (Diamonds Are Forever) e usou o que ganhou para criar o Fundo Escocês Internacional para a Educação (Scottish International Education Trust), através do qual apoiou as carreiras de artistas escoceses emergentes.

A saga do 007 prosseguiu com Roger Moore.


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  • Cidadao
    31 out, 2020 Lisboa 14:38
    Sean Connery foi o melhor 007 de sempre. Roger Moore, um bom 007, mas que era melhor para papeis tipo "O Santo" - o homem mundano entediado que se dedica a investigações privadas - George Lazemby não esteve o tempo suficiente para ser opção, e a Daniel Craig falta o carisma de Connery. Os outros não deixaram marca. Descanse em Paz, Agente 007, e Obrigado pelo seu desempenho.