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​Segurança na net

“Pense antes de clicar”, alerta Comissão Europeia

21 out, 2020 - 11:57 • Miguel Coelho , Cristina Nascimento

Outubro é o mês europeu da cibersegurança. A Renascença ouviu um consultor de tecnologia para esclarecer dúvidas e conhecer estratégias que garantam a segurança na rede para crianças e adultos, numa altura em que vivemos cada vez mais online.

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Pelo oitavo ano, a Comissão Europeia dedica o mês de outubro à cibersegurança. “Pense antes de clicar” é o mote para a edição de 2020.

Este ano, a campanha foi concebida para abordar as questões de segurança em torno da digitalização da vida quotidiana, acelerada pela atual pandemia Covid-19, que colocou muitas pessoas em teletrabalho e alunos em aulas online.

Em entrevista ao programa da Renascença "As Três da Manhã", o consultor de tecnologia Pedro Aniceto deixa conselhos e dicas para miúdos e graúdos navegarem na net em segurança.

De um dia para o outro, milhares de portugueses ficaram em teletrabalho. As empresas tiveram alguma preocupação acrescida com a cibersegurança?

As empresas sim, os privados nem tanto. Muitas empresas já tinham conjuntos de boas práticas, nomeadamente. As boas práticas não são nenhum software nem hardware, são apenas medidas que todos devemos ter. Assim como há um conjunto de boas práticas para o convívio social, por exemplo, atravessar uma passadeira sem olhar não é uma boa prática. Essa é a melhor analogia que eu encontro para o uso da informática, muitas vezes atravessamos as passadeiras sem olhar, sem pensar nas consequências.

No mundo digital, quais são os maiores riscos?

Há vários, há um pacote vasto de grandes riscos, mas, hoje, o roubo de informação, a apropriação de informação e de identidade talvez seja o risco maior. Um desfalque na conta bancária é o que mais assusta, é o fantasma maior, mas há muitas outras situações. Se eu perder o controlo, por exemplo, das minhas redes sociais, se alguém se apropriar da minha identidade e conseguir publicar em meu nome, conseguir fazer afirmações em meu nome já é suficientemente grave, dependendo das publicações que possam vir a ser feitas, é socialmente grave porque me pode expor.

Qual é o nosso pior erro?

O pior erro, aquele que eu encontro de forma mais comum, é a utilização da mesma password para todos os sistemas. Quando questiono as pessoas, 90% das vezes é igual para todas.

Há o receio de esquecer a palavra passe. Como é que se contorna isto?

Através de uso de mnemónicas e há até softwares que podem ajudar a isso, uma espécie de livro preto de informação sensível. Isso é essencial, porque uma coisa é perder a chave da caixa do correio, mas se a chave da caixa do correio for a mesma chave do carro, da casa, do cofre do banco, da garagem, é pior.

É mais arriscado usar wi-fi do que uma rede mais doméstica?

Eu devolvo a pergunta. Confias no mensageiro que não conheces? Se eu quiser entregar um documento importante em mão, chego ali à rua e pergunto ao senhor Zé que está a passar ‘leve-me isso ali’; outra coisa é ter o colega aqui da empresa que conheces e no qual tens confiança para fazer essa entrega. A carta chega lá, mas tens mais confiança de que a informação não fica comprometida. Nada impede que o senhor Zé abra a carta pelo caminho e ver o que o que contem. Ou seja, não devo usar uma rede que não conheço para operações sensíveis, por exemplo, uma operação bancária.

Uma coisa é ter o sinal tem aqui wi-fi de borla, mas não há almoços grátis. Nem todas as redes abertas são um risco, mas eu não sei que sistemas estão por trás dessas redes.

É possível que nos vejam através da câmara do computador ou isso é um mito?

No limite, é possível. Há milhares de câmaras de vigilância a que poderei aceder a partir do momento que conheça o IP, o endereço dessa câmara, porque sei as credenciais, porque as pessoas foram preguiçosas na sua instalação e não mudaram palavras chave. Assim, a primeira coisa que devemos fazer quando recebemos um equipamento que requeira dados de segurança é mudar essa password.

Como é que podemos ajudar as crianças a protegerem-se na net?

Não podemos pôr-lhes uma campânula de vidro em cima e isolá-los, até porque a maior parte dos tutores e dos educadores têm muito menos conhecimento técnico do que eles. Não há melhor, consultoria técnica do que conversas de miúdos que estão em fase de descoberta.

Não há uma solução técnica que diga ‘vamos isolar esta criança e impedi-la de ver o mundo’, porque isso é também errado. Há questões conjuntas educacionais e de acompanhamento, não posso deixar o meu filho ou o meu net à solta na internet.

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