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​Professores dos colégios em fuga para o ensino público

14 out, 2020 - 15:01 • Fátima Casanova

A falta de professores nas escolas públicas está a ser uma oportunidade aproveitada por docentes dos colégios, especialmente da zona da Grande Lisboa, que optam por continuar a carreira no sistema público. A Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo admite preocupação.

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O ano letivo começou há cerca de um mês e desde há um mês que se fala da falta de professores nas escolas públicas, com muitas turmas sem aulas a várias disciplinas. Mas este, que é um problema grande para milhares de alunos, está a ser uma oportunidade para os professores que estão nos colégios, que preferem ter o Estado como empregador.

A Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo não quer falar em debandada, mas reconhece que este está a ser um problema sério. À Renascença, o diretor executivo da AEEP admite que “há uma quantidade relevante de professores que neste momento estão a ir para o ensino público, uma vez que há muitas vagas em meio urbano”.

São escolas onde faltam professores, especialmente de informática, geografia, matemática e inglês.

Para perceber a dimensão deste fenómeno, Rodrigo Queiroz e Melo diz que ainda esta semana vai ser lançado um inquérito junto dos associados da AEEP para “perceber a dimensão real do problema no terreno, já que a situação se agravou bastante”.

O diretor executivo da AEEP lembra que o quadro para o país em geral “é muito preocupante, porque existe o risco sério de, nos próximos cinco anos, 40 mil a 50 mil professores saírem do sistema.”


AEEP ao Governo: “Deixem-nos tratar do problema”

Face ao cenário da falta de professores a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo quer ter mais autonomia para contratar os profissionais, um pedido que quer repetir junto do governo.

À Renascença, Rodrigo Queiroz e Melo explica que os colégios querem transformar este “problema numa oportunidade para trazer talento novo para as escolas”. O diretor executivo da AEEP acredita que “vai enriquecer esta mistura entre pessoas que fazem uma opção pelo ensino muito precoce, portanto, fazem toda a sua formação inicial para serem professores, com pessoas que trazem outra experiência profissional para dentro da escola”, que seriam depois integrados mediante ações de formação especificas.

O ensino público paga melhor

A mudança de entidade patronal é explicada pela FNE pelos melhores salários e pela segurança de um emprego.

À Renascença, o dirigente da Federação Nacional de Educação, José Ricardo defende que, no imediato, os “colégios se adaptem à lei do mercado” e que, por isso, “devem fazer uma oferta melhorada face às condições de trabalho, que estão fixadas no contrato coletivo de trabalho” fechado com a FNE.

Este dirigente sindical explica que a diferença de salários do privado para as escolas públicas ainda é significativa “especialmente nos primeiros 10 anos do ensino público”, acrescentando que “logo no início da carreira a diferença é de 300 euros”.

Mas este é só um dos aspetos que leva à mudança de empregador. Para José Ricardo outra explicação está relacionada com a segurança, já que “no Estado é mais difícil despedir”.

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  • Professor ludibriado
    14 out, 2020 5 de out 17:44
    Quem é que não prefere ter um emprego com segurança e alguns direitos, em contraponto com um emprego onde a segurança é nenhuma, os direitos são espezinhados todos os dias, e a chantagem é máxima? Eu no lugar deles fazia o mesmo. Cada vez que me lembro dos abusos descritos na reportagem sobre os colégios GPS...
  • Cidadao
    14 out, 2020 Lisboa 14:54
    O motor dos Privados é o Lucro. E para se ter Lucro, tem de se exigir o máximo, pagando o mínimo. Quem viu as reportagens sobre a exploração desenfreada que existe nos Colégios GPS, sabe do que falo. O mais natural é os professores do privado, muitos deles alvo duma exploração que revolta, à mínima hipótese de terem um emprego com o mínimo de direitos, batam com a porta. Quem os pode censurar?