Tempo
|
A+ / A-

FMI espera uma recessão de 10% este ano, em Portugal

13 out, 2020 - 16:25 • Sandra Afonso

Tributar os mais ricos e as empresas consoante os seus lucros é uma das propostas do Fundo Monetário para dar a volta à crise provocada pela pandemia.

A+ / A-

O Fundo Monetário Internacional prevê uma recessão de 10% para 2020 em Portugal.

O FMI mostra-se assim mais pessimista do que em abril, altura em que tinha apontado uma contração de 8%.

A organização está também mais pessimista que o Governo, que no Orçamento do Estado apresentado esta manhã estima uma contração de 8,5% este ano. É também um cenário mais negro do que o apresentado pela Comissão Europeia, que em julho apontou para uma recessão de 9,8%, ou que o da OCDE, que admite uma quebra de 9,4%, e mesmo do Conselho das Finanças Públicas, que fala numa recessão de 9,3%, e do Banco de Portugal, que melhorou a projeção para uma queda de 8,1% este ano.

Já para 2021 o FMI espera um crescimento de 6,5%, acima dos anteriores 5% e dos 5,4% apontados pelo Governo português. A inflação deverá ficar em zero este ano, só no próximo ano é esperada uma subida ligeira para 1,1% e a taxa de desemprego deverá disparar para 8,1% em 2020 e recuar para 7,7% no próximo ano.

Tributar os mais ricos

No World Economic Outlook de outubro, o Fundo defende a subida dos impostos para os mais ricos e que as empresas paguem conforme os respetivos lucros. São medidas que os Governos devem ter em conta, para dar a volta à atual crise.

O FMI avisa que esta crise será sentida, sobretudo, pelos países mais pequenos, mais endividados e mais dependentes do turismo. A população vai perder condições de vida, vai aumentar a pobreza e a desigualdade.

Mexer na fiscalidade é, nestes casos, uma solução. O FMI defende o aumento da progressividade dos impostos, "para os indivíduos mais ricos e para os que foram comparativamente menos afetados pela crise (incluindo aumentar os impostos nos escalões de rendimento mais elevados, propriedade de luxo e na riqueza)”, o que garantia que quem mais tem ia contribuir mais. Na mesma linha, é justo que as empresas com lucros também sejam chamadas a pagar a crise. O Fundo incentiva ainda os governos a procurarem entendimentos internacionais para avançar com impostos digitais.

Os governos também têm um papel ativo a desempenhar. O FMI é "a favor do investimento público" e pede mais atenção ao combate às alterações climáticas.

Por fim um alerta, para os riscos da conjuntura económica, que são "anormalmente elevados". Segundo o FMI são riscos descendentes e muito dependentes da evolução da pandemia.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+