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Entrevista Bola Branca

Jorge Jesus "deve abster-se de apoiar qualquer candidato", defende Noronha Lopes

13 out, 2020 - 12:45 • Carlos Dias

Candidato à presidência do Benfica explica o papel do treinador nas eleições, garante-lhe mais condições para alcançar sucesso europeu e sugere um modelo de gestão com um diretor desportivo.

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Jorge Jesus "deve abster-se de apoiar qualquer candidato", defende Noronha Lopes

João Noronha Lopes, candidato à presidência do Benfica, acredita que Jorge Jesus, assim como "qualquer outro funcionário do clube", deveria abster-se de apoiar um candidato nas eleições. Em entrevista a Bola Branca, o candidato à liderança das águias abordou o tema do treinador encarnado e do papel que o mesmo deve ter durante o processo eleitoral.

“Jorge Jesus é um funcionário do Benfica e qualquer funcionário do Benfica deve-se abster de apoiar qualquer candidato”, afirma.

Sobre aquilo que, enquanto presidente, poderá garantir ao treinador é que lhe dará “mais condições para ele ganhar e mais condições para que o Benfica chegue longe na Europa”, deixando ainda a garantia de que o clube da Luz “tem de ser campeão este ano e tem de ganhar a Liga Europa, uma vez que falhou o objetivo principal [Liga dos Campeões]”.

Sobre a forma como a temporada desportiva foi preparada por Luís Filipe Vieira, Noronha Lopes afirma que assistiu a “uma má planificação da época".

"O que faria é que teria preparado muito bem a época. Assistimos a uma má planificação da época, o que aconteceu nos anos anteriores. Se tivéssemos sido competentes, teríamos sido apurados para a Champions e não teríamos de vender Rúben Dias", afirma.

Diretor desportivo no centro do projeto

Fundamental para esta preparação, diz João Noronha Lopes, é uma “estrutura desportiva que apoie verdadeiramente o treinador” assente no papel de um diretor desportivo.

"Eu teria uma estrutura desportiva que apoiasse verdadeiramente o treinador. A minha estrutura é apoiada num diretor profissional, um diretor desportivo, que garanta identidade do clube e que congregue todas as áreas do futebol: prospeção, formação e planificação internacional", diz.

Ainda sobre esta posiçã,o que o candidato considera essencial para a estrutura do futebol, seria “alguém que escolhe os treinadores, não é escolhido por eles” e que “garante que não se passa do oito para o 80 sem se ter uma equipa preparada para tal”, mantendo sempre “uma ligação muito próxima com o presidente”.

Se fosse assim, Noronha Lopes considera que teria sido possível planear a época “como deve ser”. O clube não teria “andado um mês atrás de um fantasma e teríamos dado ao treinador os jogadores que ele exigia e precisava para o primeiro jogo da época”.

“Não o fizemos e, mais uma vez, falhámos naquilo que deve ser o grande objetivo do Benfica: estar na Liga dos Campeões. Esse é o nosso lugar e Luís Filipe Vieira não o conseguiu fazer”, atira.

Questionado por Bola Branca sobre o papel de Rui Costa enquanto elemento junto da equipa, Noronha Lopes refere que o "maestro" tem "tido um papel discreto na administração da SAD” e, ainda que espere que passe a ter funções mais ativas, “o modelo que eu pretendo é o de um diretor desportivo, que esteja mais perto da equipa”.

O candidato à presidência do Benfica afirma que “falta liderança em diversos aspetos” do clube, elaborando que esta falha é sentida “na vertente desportiva e nas relações com as instituições do futebol português”.

Para Noronha Lopes, esta falta de liderança tem sido sentida na Liga de Clubes, onde o Benfica tem feito “um caminho completamente errático”, que torna impossível “ter um papel de liderança que é inerente ao seu estatuto e consentâneo com a representatividade que tem”.

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