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​Carlo Acutis, "padroeiro da Internet", já é Beato

10 out, 2020 - 18:01 • Sofia Freitas Moreira com agências e redação

A cerimónia teve lugar este sábado em Assis, Itália. O jovem italiano, que morreu aos 15 anos, em 2006, tornou-se no primeiro 'influencer' beato.

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Carlo Acutis, jovem devoto de Fátima que morreu de leucemia, foi beatificado este sábado pelo Papa Francisco, numa cerimónia que teve lugar na Basílica superior de São Francisco, em Assis, Itália.

Tratou-se de um dos eventos eclesiais mais aguardados do ano e, apesar das poucas centenas de pessoas que assistiram à cerimónia na igreja, a missa foi acompanhada por milhões de fiéis em todo o mundo, através da sua transmissão nas redes sociais.

Considerado pelos fiéis como o “padroeiro da internet”, o adolescente que usou a internet para difundir a mensagem de Jesus Cristo foi beatificado graças a um milagre registado no Brasil.

A Igreja reconheceu como milagre a cura de uma criança brasileira que tocou numa relíquia do adolescente italiano.

No arranque da cerimónia, já na presença dos pais, Andrea e Antonia, e dos dois irmãos do jovem, foi lida uma breve biografia do novo beato. O cardeal-vigário do Papa para a Diocese de Roma, Agostino Vallini, que presidiu a missa, leu a carta do Papa Francisco com a fórmula de beatificação:

“Concedemos que o Venerável Servo de Deus Carlo Acutis, leigo, que, com o entusiasmo da juventude, cultivou amizade com o Senhor Jesus, colocando a Eucaristia e o testemunho da caridade no centro da própria vida, a partir de agora seja chamado Beato e que seja celebrado todos os anos nos locais e de acordo com as regras estabelecidas pelo direito, em 12 de outubro, dia de seu nascimento ao céu.”

Seguiram-se calorosos aplausos e foi revelada a imagem do beato, enquanto uma relíquia foi levada em procissão até ao altar.

Já na homilia, o cardeal Vallini recordou momentos da curta, mas intensa existência de Acutis.

“O que havia de especial nesse jovem de apenas quinze anos? Ele tinha o dom de atrair e era visto como exemplo. Desde criança, sentia a necessidade da fé e tinha o olhar voltado para Jesus", disse o cardeal.

No final da missa, o arcebispo de Assis-Nocera Umbra–Gualdo, Dom Domenico Sorrentino, tomou a palvra. “Hoje o céu está mais perto. Aquela ‘estrada’ eucarística que Carlos amava percorrer velozmente para chegar ao Céu, hoje ele percorreu-a em sentido contrário para voltar a nós com o rosto radiante de bem-aventurança, e para se fazer, também por meio do culto da Igreja, nosso intercessor e nosso modelo de vida.”

O arcebispo aproveitou ainda o momento para anunciar a criação do “Prêmio Internacional Francisco de Assis e Carlos Acutis por uma Economia de Fraternidade".

“É a nossa primeira, pequena, mas generosa resposta à Encíclica ‘Fratelli tutti’ que o Papa Francisco assinou há exatamente uma semana neste lugar de graça”, rematou.

Carlo Acutis foi dado como exemplo pelo Papa Francisco na sua exortação pós-sinodal “Christus Vivit”.

O corpo de Carlo Acutis, que morreu de leucemia em 2006, quando tinha apenas 15 anos, foi inumado no dia 1 de outubro e encontrava-se incorrupto e em bom estado de conservação. Vai ficar exposto à veneração dos fiéis até ao dia 17 de outubro, no Santuário do Despojamento em Assis.

A vida deste jovem italiano foi marcada por um profundo amor à Eucaristia a que chamava “autoestrada para o céu". Ia à missa e rezava o terço todos os dias. Ensinava o catecismo às crianças e ajudava as pessoas mais necessitadas. Inventou um “kit para se tornar santo”, formado por missa, comunhão, terço, leitura diária da Bíblia, confissão e serviço aos outros.

Acutis, que visitou Lisboa e o santuário de Fátima, também desenvolveu o seu talento na informática e criou exposições virtuais sobre temas de fé e sobre milagres eucarísticos em todo o mundo.

Quando foi diagnosticado com leucemia, Carlo decidiu oferecer seus sofrimentos pelo Papa e pela Igreja Católica.

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