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Trabalhadores continuam a pagar impostos. Empresas cortam receita ao Estado

29 set, 2020 - 16:59 • Sandra Afonso

Até agosto, a Segurança Social já terá perdido 450 milhões de euros, em comparação com igual período de 2019, segundo as contas da Deloitte.

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Os trabalhadores continuam a pagar impostos e são as empresas que cortaram receita ao Estado, conclui a consultora Deloitte. Uma grande parte dos contribuintes já não paga IRS, são quase metade, porque não recebem o suficiente para ser tributado.

Dos que restam, uma parte foi abrangida pelo “lay-off”, mas este apoio foi dado às empresas, não aos trabalhadores, explica Luís Leon, da Deloitte: “Houve uma opção política de determinar que o ‘lay-off’ não era um apoio aos trabalhadores, era um apoio às empresas. Por isso, o dinheiro pago aos trabalhadores esteve sujeito a tributação em sede de IRS e verificamos que na execução, apesar do ‘lay-off’, não há uma queda da tributação em IRS em Portugal.”

Por outro lado, apesar do desemprego estar a subir e da estimativa de aumento, estas estatísticas não deverão afetar a receita de IRS. “Pode parecer paradoxal, mas a verdade é que, como o desemprego afeta essencialmente pessoas com salários baixos, próximo do salário mínimo nacional, que já não pagam IRS, acaba por não ter impacto na receita de IRS”, defende o fiscalista.

A consultora Deloitte antecipa, assim, que a receita de IRS deverá manter-se estável este ano, com tendência de crescimento. Isto apesar do crescimento do esforço da segurança social.


Segurança Social perde milhões

Até agosto, a Segurança Social já terá perdido 450 milhões de euros, em comparação com igual período de 2019, segundo as contas da Deloitte.

“Houve aqui uma redução de contribuições, por todas as que as entidades empregadoras deixaram de pagar, no âmbito do ‘lay-off’. Nota-se claramente o impacto”, sublinha Luís Leon. Entraram menos 250 milhões de euros, o que soma ao crescimento que não se registou, em comparação com 2019.

Enquanto isso, as despesas estão a aumentar, uma subida que já ultrapassa os 2 mil milhões, nos primeiros oito meses do ano.

Já no IRC, pago pelas empresas, é esperada uma descida abrupta, para os níveis de 2014. Contas feitas, as receitas fiscais pagas pelas empresas deverão recuar seis anos em 2020, segundo a Deloitte.

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