Tempo
|
Renascença Reportagem
O espaço de reportagem da Renascença. Segunda depois das 13h.
A+ / A-
Arquivo
"Dropshipping". Estes produtos “portugueses” afinal vinham da China
"Dropshipping". Estes produtos “portugueses” afinal vinham da China

"Dropshipping". Estes produtos “portugueses” afinal vinham da China

28 set, 2020 • Inês Rocha , Paulo Teixeira (sonorização)


As empresas são portuguesas e os produtos que vendem têm aspeto fidedigno - mas são apenas rostos bonitos para produtos de baixa qualidade, espalhados por toda a internet. O modelo de negócio, "dropshipping", é vendido como uma forma fácil de enriquecer online - um autêntico "negócio da China". Neste podcast contamos a história da “A Pé nas Nuvens”, uma loja portuguesa que tentou fazer tudo bem, mas caiu numa tempestade de imprevistos (e de críticas). E da “Salty Portugal”, que depois de enganar os consumidores, desapareceu do mapa. Analisamos o negócio ao pormenor e tentamos descobrir: afinal, fazer "dropshipping" em Portugal é um sonho ou um pesadelo?

Ana, Marta e João decidiram fazer compras online durante a pandemia. Para evitar problemas, compraram em sites portugueses, aparentemente fiáveis e com preços portugueses: a “A Pé nas Nuvens”, uma loja de calçado de Castelo Branco, e a “Salty Portugal”, que vendia biquínis no Instagram.

O resultado não foi bem o que esperavam: em vez dos produtos que os atraíram nas redes sociais, durante a quarentena, receberam artigos sem qualidade, vindos diretamente do fornecedor, na China.

O conceito de dropshipping não é novo - há até quem diga que já é um modelo de negócio morto.

Mas continua a ser vendido como uma forma fácil de enriquecer “online”. E continua a haver quem aposte tudo no negócio.

Nesta reportagem em áudio, Luís Diogo Guimarães, especialista em e-commerce, conta-nos tudo o que sabe sobre o modelo. Martim Bouza Serrano, advogado da CCA Law, e Ricardo Henriques, da Abreu Advogados, explicam-nos os limites legais do esquema.

E João Mafra, criador da Dacs Commerce, a empresa por detrás da “A Pé nas Nuvens”, dá explicações: garante que nunca quis enganar ninguém e conta todos os erros e imprevistos que encontrou pelo caminho.

O dropshipping em Portugal


É impossível saber ao certo quantos negócios em Portugal funcionam em modelo de dropshipping.

Esta segunda-feira, já depois do fecho desta reportagem, a ASAE adiantou à Renascença que recebeu cinco queixas de consumidores referentes à “A Pé nas Nuvens”. Sobre a Salty Portugal, que nunca esteve registada como empresa, não recebeu qualquer queixa.

Questionada sobre a dimensão do mercado em Portugal, a ASAE diz que, “como resultado das ações de fiscalização realizadas, foram detetadas situações que configuram “dropshipping” com maior incidência nas páginas online que vendem produtos contrafeitos, designadamente vestuário e calçado desportivo, perfumes, malas e acessórios, em especial nas redes sociais Facebook e Instagram”.

No entanto, a autoridade adianta que a maioria dos vendedores/detentores das páginas online, “não assumem apenas um papel puramente intermediário na venda, uma vez que promovem a venda recorrendo a fornecedores, mas também promovem a expedição dos produtos encomendados para os seus clientes”.

Os casos de vendedores que assumem exclusivamente um papel de intermediários são “escassos”, segundo a ASAE.

No primeiro semestre de 2020, foram fiscalizados, pela ASAE, 9102 operadores económicos no contexto de comércio digital (“e-commerce”).

Luís Diogo Guimarães, da PNE E-commerce, sabe porquê: a maioria dos empresários que começam por fazer dropshipping transitam rapidamente para outros modelos mais viáveis.

Ainda assim, há quem promova este modelo como uma excelente forma de ganhar dinheiro "online": é o caso do canal "Drop Portugal", que reúne cada vez mais seguidores.

Clique em cima para ouvir a reportagem completa

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.