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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Manifestações contraditórias

04 ago, 2020 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Manifestações a favor e contra medidas para travar a pandemia realizaram-se nos últimos dias em vários pontos do globo. E é a alegada falta dessas medidas que, em Israel, está a aumentar a contestação a Netanyahu.

Nos últimos dias realizaram-se várias manifestações por causa da pandemia. Em Berlim, cerca de 20 mil pessoas protestaram contra as restrições impostas para travar a pandemia. Houve violência e 45 polícias ficaram feridos.

Pelo contrário, nas Filipinas os manifestantes reclamaram medidas para travar o alastramento do novo coronavírus. O Presidente Duterte, conhecido pela sua política de combate ao crime – primeiro dispara-se a matar, depois se verá se o morto era criminoso ou não – cedeu, apresentando várias medidas de confinamento, sobretudo na capital, Manila. Mas há filipinos receosos de que essas medidas sirvam para intensificar a perseguição aos opositores de Duterte e não tanto para travar o vírus.

Em Israel, multiplicam-se as manifestações de pessoas com máscara contra a incapacidade do primeiro-ministro Netanyahu para conter a pandemia. Ali, o desconfinamento precipitou uma subida alarmante dos infetados. Os israelitas queixam-se de que o seu primeiro-ministro está mais interessado no seu julgamento a correr num tribunal do que em combater o coronavírus.

O facto de estas manifestações serem contraditórias – umas pelo uso de máscara e outras contra ele, por exemplo – reflete, em parte, o facto de não existirem soluções eficazes e consensuais entre os cientistas e os peritos sobre a melhor maneira de enfrentar a pandemia.

Também se ouvem protestos em Israel, mas menores, contra o facto de o primeiro-ministro estar em pleno julgamento, sem deixar de chefiar o executivo. Netanyahu é acusado de corrupção, fraude e abuso do poder.

Há mais de 20 anos que recaem suspeitas sobre o primeiro-ministro israelita (que ele considera calúnias), mas esta é a primeira vez em Israel que um primeiro-ministro em exercício se encontra simultaneamente a ser julgado. A lei de Israel permite esta situação, que não é admitida na maioria dos países democráticos.

Recorde-se que Netanyahu partilha a chefia do governo com Benny Ganz, o ex-líder da oposição, que tomará o seu lugar em meados de 2021. Foi esta a única maneira encontrada para evitar uma quarta eleição geral sucessiva em Israel – as eleições anteriores não permitiram a nenhum dos líderes encontrar uma maioria no parlamento israelita.

Uma das bandeiras de Netanyahu tem sido a anexação por Israel de grande parte da Cisjordânia, além de não travar a multiplicação de colonatos israelitas nesse território, habitado por palestinianos. Um pretenso “plano de paz” israelo-árabe gizado pelo genro de Trump, Jared Kushner, que é judeu e, na prática, atua como principal conselheiro do Presidente, continha uma proposta deste tipo. Esse plano foi imediatamente rejeitado pelos palestinianos, como era de prever.

No fim de junho, Netanyahu disse que era altura de avançar com a anexação de grande parte da Cisjordânia. Mas Benny Ganz, agora ministro da Defesa enquanto não se torna primeiro-ministro, recusou publicamente essa iniciativa, argumentando que a prioridade do governo devia ser a luta contra o coronavírus.

Curiosamente, de Washington não veio qualquer palavra incitando Netanyahu a avançar para a Cisjordânia. É provável que Trump tenha entretanto percebido que o envolvimento dos EUA nessa aventura não seria do agrado de muitos eleitores americanos. E é a reeleição de Trump em 3 de novembro próximo que dita a política da Casa Branca, incluindo a política externa.

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