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Covid-19. Horas de trabalho caíram quase o dobro do registado em 2009

29 jul, 2020 - 11:10 • Lusa

Os números são do BCE, segundo o qual 10,6 milhões de pessoas da Zona Euro ficaram em “lay-off” no primeiro trimestre do ano. Aumento do desemprego foi mais baixo do que o esperado.

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A quebra das horas trabalhadas no primeiro trimestre do ano devido à pandemia de Covid-19 foi quase o dobro da registada no mesmo período de 2009, após a crise financeira mundial, divulga o Banco Central Europeu (BCE) nesta quarta-feira.

"Apesar de as medidas de contenção na maioria dos países da Zona Euro só ter começado a meio de março, o total de horas trabalhadas, tal como registado nas contas nacionais, caiu 3,1% no primeiro trimestre de 2020 face ao anterior, em linha com o declínio real de 3,6% do PIB [Produto Interno Bruto] no mesmo trimestre", pode ler-se numa caixa do Boletim Económico do BCE.

O texto assinala que "o declínio nas horas trabalhadas foi quase o dobro da registada no primeiro trimestre de 2009", em plena crise financeira mundial.

"No primeiro trimestre de 2020, a média de horas de trabalho decresceu 2,9% face ao trimestre anterior, ao passo que o declínio no emprego permaneceu relativamente estável em plena mudança de ambiente económico, nos 0,2%", pode também ler-se no documento.

De acordo com o Boletim Económico do BCE, "o aumento na taxa de desemprego até ao final de maio foi mais baixo do que poderia ser esperado, baseado na sua relação com o PIB", comparando ainda o decréscimo de 19,5 milhões de trabalhadores e o aumento em 9,8 pontos percentuais da taxa de desemprego nos Estados Unidos com os números da Zona Euro, que permaneceram pouco alterados.

"A reclassificação de algumas pessoas como estando inativas pode estar a afetar as estatísticas do desemprego", salienta o BCE, dado que a definição de desemprego da Organização Internacional do Trabalho (OIT) não contempla pessoas que perderam o seu emprego ou estavam anteriormente desempregadas, caso não estejam ativamente à procura de trabalho ou não disponíveis a curto prazo.

Mais de 10 milhões em “lay-off” na Zona Euro

No total, as estimativas dos trabalhadores em “lay-off” e esquemas semelhantes pela Zona Euro dão conta que 10,6 milhões de pessoas ficaram abrangidas por estes mecanismos na Alemanha, o que representa 26% do total de trabalhadores no país.

Em França, o valor foi de 12 milhões (47% dos trabalhadores), 8,1 milhões de pessoas em Itália (42%), 3,9 milhões em Espanha (23%), e 1,7 milhões nos Países Baixos (21%).

"Se se tiver em conta o número de trabalhadores em mecanismos de trabalho temporário e 'lay-off', a taxa de desemprego na zona euro teria atingido números muito maiores", vinca o BCE.

Segundo Frankfurt, os mecanismos laborais em causa "podem apoiar uma recuperação mais rápida do mercado de trabalho, já que permitem às empresas e aos trabalhadores retomar a atividade sem o custoso e moroso processo de procura e seleção que teria de ocorrer uma vez perdida a relação laboral".

"Ainda assim, é esperado que nem todos os trabalhadores em mecanismos de trabalho temporário ou 'lay-off' possam regressar aos seus trabalhos anteriores. Como consequência, um aumento do desemprego na zona euro é esperado no curto prazo", conclui o texto.

É diferente a contabilização que norte-americanos fazem dos trabalhadores em “lay-off” daquela que é feita na Zona Euro.

Segundo o BCE, "nos Estados Unidos, trabalhadores em 'lay-off' são considerados desempregados, ao passo que na Zona Euro as pessoas afetadas por sistemas de trabalho curto ou 'lay-off' permanecem, na maior parte dos casos, nas folhas de salários das empresas e, portanto, não são consideradas desempregadas".

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