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Pandemia de ​Covid-19

FMI agrava previsões e aponta agora para uma recessão de 10,2% na Zona Euro

24 jun, 2020 - 16:21 • Sandra Afonso

Para Portugal não há novos números, mas a recessão de 8% estimada em abril deverá também ser revista em alta

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O Fundo Monetário Internacional admite que a pandemia irá provocar uma quebra mais acentuada na economia global. Em abril, nas primeiras previsões sobre o impacto da covid-19, o FMI já apontava para a recessão mais grave desde a grande depressão de 1930, dois meses depois apresenta um cenário ainda mais pessimista: "uma crise como nenhuma outra e uma recuperação incerta".

A actualização do Word Economic Outlook estima uma queda de 4,9% do PIB mundial este ano, bastante acima dos 3% previstos em abril.

Para Portugal não há novos números, mas a recessão de 8% estimada em abril deverá também ser revista em alta, tendo em conta que todos os países referidos viram as respectivas previsões agravadas para este ano. A confirmar-se, o FMI distancia-se do governo, que no Orçamento Suplementar admite uma quebra de 6,9% este ano.

Para os países do euro, a previsão para este ano passou de uma recessão de 7,5% para 10,2%.Espanha, que partilhava em abril a mesma contração apontada para Portugal (8%), deverá agora registar uma quebra do PIB de 12,8%, segundo o FMI. Itália deverá registar uma recessão de 12,8% (-9,1% em abril), Alemanha 7,8% (-7% em abril) e França 12,5% (-7,2% em abril).

Com quedas menos expressivas, o PIB dos Estados Unidos deverá recuar 8% este ano (previsão de 5,9% em abril), o Brasil enfrenta uma quebra de 9,1%, o Japão 5,8% e a Índia 4,5%. Já a China escapa às perdas, com um crescimento de 1% este ano.

Recuperação incerta

Além de admitir uma recessão mais grave do que inicialmente foi projectado, o FMI admite uma recuperação mais gradual. O regresso aos níveis pré-pandemia só deverá acontecer em 2022.

Apesar da abertura das economias, que irá marcar o segundo semestre, mantem-se o distanciamento social e o receio de contágio. São factores que atrasam a recuperação económica, "as projeções de um consumo privado mais fraco refletem uma combinação de um grande choque adverso do distanciamento social e ‘lockdowns’, bem como de um aumento da poupança por motivos de precaução. Além disso, o investimento deverá continuar deprimido, com as empresas a adiarem gastos de capital devido à incerteza", diz o FMI.

Segundo estas previsões, em 2021 o crescimento do PIB mundial deverá ser de 5,4%, na Zona Euro o FMI antecipa que o PIB de 2021 vai crescer 6% (4,7% em abril), com a Alemanha a registar uma expansão de 5,4%, França de 7,3% e Itália e Espanha de 6,3%. Nos Estados Unidos (4,5%), Japão (2,4%) e Brasil (3,6%) a recuperação será menos expressiva.

O FMI deixa ainda um aviso às economias com mais dificuldade em controlar as infeções, serão estas a registarem o mais impacto na atividade económica, o mesmo vai acontecer nos países pobres. O FMI apela à comunidade internacional para que intensifique o apoio aos países mais pobres, sobretudo na disponibilização de uma vacina, assim que esteja desenvolvida.

As famílias e empresas afectadas por confinamentos devem ser apoiadas, já os países que estão a abrir as economias, devem retirar gradualmente os apoios directos, mantendo estímulos aos sectores mais penalizados.

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