|

 Casos Ativos

 Suspeitos Atuais

 Recuperados

 Mortes

Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
A+ / A-

Os populistas e a religião

26 mai, 2020 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Trump e Bolsonaro têm como apoiantes os chamados cristãos evangélicos, fundamentalistas. Mas o percurso pessoal e político destes personagens nada tem de cristão, pelo contrário.

Os populistas, muitos deles ateus ou agnósticos, apoiam a religião - a cristã, não as outras. Na sua vida pessoal, financeira e sexual, estão longe daquilo que se costuma designar por moral cristã, mas mesmo assim atraem cristãos mal informados.

Trump e Bolsonaro, dois chefes de Estado populistas que não honram o cargo que ocupam, são um exemplo de oportunismo político. Uma das suas principais bases de apoio eleitoral destes políticos são os protestantes fundamentalistas, que leem a Bíblia textualmente.

O apoio de Trump a Israel e a Netanyahu, ignorando os palestinianos, tem a ver com essa leitura literal do Evangelho: as terras onde viveu Jesus Cristo eram judaicas (embora integradas no império romano), logo os muçulmanos devem ser expulsos delas. Faz lembrar os esclavagistas, que justificavam a escravatura nos EUA com passagens descontextualizadas do Antigo Testamento.

Trump veio agora exigir a reabertura das igrejas – mas ele não põe lá os pés, precisa é do voto dos chamados “evangélicos” para ser reeleito. Antes tinha tomado posição contra o aborto, depois de o ter defendido durante décadas. Também aqui não se trata de convicção, mas de eleitoralismo.

A fúria contra a imigração do presidente americano e as medidas cruéis que tomou contra refugiados e imigrantes, incluindo crianças, nada têm de cristão, pelo contrário. Mas travar a imigração nos EUA - um país de imigrantes... - rende votos.

Também está mais do que provado que Trump mente com enorme frequência. Há quem diga que ele acredita nas suas próprias mentiras, que começaram logo no início do seu mandato, quando proclamou que a cerimónia da sua posse tinha tido mais gente do que qualquer outra. As imagens demonstraram inequivocamente que tal não era verdade, mas Trump nunca o reconheceu.

Bolsonaro, um defensor da tortura e das ditaduras militares, surge como uma versão brasileira, em pior, do que é Trump. Este homem não quer saber do bem comum do país a que preside. Prefere promover os adversários do confinamento dos brasileiros, participando até (sem máscara) nas suas manifestações, o que tem levado a um forte aumento das mortes por covid19, que duplicam no Brasil cada duas semanas.

Foi divulgado há dias um vídeo de uma reunião ministerial presidida por Bolsonaro, que mostra o nível assustador do que ali se disse: palavrões, insultos, ameaças de prender juízes, mirabolantes teorias da conspiração, etc. Não há nessa reunião ministerial um mínimo de dignidade.

No Brasil, Bolsonaro está com a aprovação pública a descer, dizem as sondagens. Nos EUA Trump ainda pode aspirar a ser reeleito em Novembro. Veremos se os cristãos evangélicos abrem os olhos.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Paulo
    26 mai, 2020 Toronto 23:33
    Olha aí a RR a fazer o jogo, dos tempos da outra senhora, do combate aos "primos", evangélicos. Que texto enviezado, meu caro FSC. O que há de pior neste anti-protestantismo primário, é querer misturar a política brasileira/americana com uma determinada facção de Cristãos. Ou você acha que foram só os evangélicos "fundamentalistas" que elegeram essas duas figuras? Quantos católicos "fundamentalistas" é que acha que existem no Brasil? Meia dúzia? Pois, aqui vai, eu sou Evangélico e não me identifico com as personalidades que esses 2 países elegeram como seus líderes, da mesma maneira que não confundo a vasta maioria de Cristãos Católicos com o Cardeal Cerejeira. Esse discurso, caro FSC, só serve para desacreditar quem se pauta pelos valores e ética judaico-cristã.
  • Tomás
    26 mai, 2020 Ponta Delgada 21:41
    Caro Sr. Francisco Sarsfield Cabral. O sr. conhece as posições radicais pró-aborto, pró-homossexualidade e pró-ideologia de género de Joe Biden, que estão nos antípodas da prática e da fé cristãs? Julga mesmo que vamos perder tudo o que de positivo foi alcançado na Presidência de Trump por um fundamentalista do aborto, que já prometeu trazer de novo a guerra contra a religião da adminstração Obama? Não digo que os Estados Unidos mereciam melhor, mas não há certamente alternativa a Trump na actualidade. Aliás, um pouco de honestidade intelectual não confundiria a emigração legal com a ilegal, que é o verdadeiro problema.
  • Joaquim Santos
    26 mai, 2020 Tojal 09:32
    "No Brasil, Bolsonaro está com a aprovação pública a descer, dizem as sondagens". O Brasil tem 23473 casos de morte com o COVID -19, para 230 milhões de habitantes a Bélgica para 11 milhões de habitantes tem 9312 mortos. Quando o Brasil tiver o número de mortos, equivalente ao número de mortes da Bélgica terá (9312 x 23)/1,1 = 194705. Será que nesse tempo futuro o senhor Cabral irá comparar proporcionalmente os mortos do Brasil com os da Bélgica? Qual o motivo que o leva a ocultar os mortos Belgas e Holandeses, países desenvolvidos e ricos? e difamar o Brasil, será porque este não é vermelho?