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​De Braga a Santiago de Compostela. Um caminho a palmilhar com livro de bolso

22 mai, 2020 - 13:00 • Olímpia Mairos

O objetivo é que os peregrinos tenham informação sobre os elementos que encontram, enquanto caminham.

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Os peregrinos que no pós-pandemia queiram percorrer o Caminho da Geira e dos Arreiros, que liga Braga a Santiago de Compostela na distância de 240 quilómetros, têm agora ao seu dispor um guia ilustrado sobre o património deste itinerário jacobeu.

“Caminho de Santiago da Geira e dos Arrieiros – Guia visual comentado do património cultural e natural” é um livro de bolso composto por 88 páginas, com 117 fotografias, acompanhadas de textos sobre o património histórico-cultural e natural do caminho.

“O principal objetivo é que os peregrinos tenham informação sobre os elementos que encontram enquanto caminham”, explica Carlos de Barreira, co-autor do guia.

O também presidente da associação espanhola Codeseda Viva acrescenta que “era uma necessidade apontada por muitos caminhantes, já que sobre a grande maioria (igrejas, pontes, alminhas e outros) existe informação na internet, mas não há em cartazes informativos nos próprios lugares”.

A obra oferece informação sobre 50 igrejas, 12 pontes, igual número de cruzeiros e alminhas, sete rios e outros elementos, como paços senhoriais.

“São também abordados os miliários da Geira Romana e outros aspetos muito relacionados com o caminho, como o vinho de O Ribeiro, os arrieiros ou o culto a São Roque”, assinala Carlos Barreira.

O livro é uma edição em co-autoria de Carlos de Barreira e Jorge Fernández, coordenador da investigação sobre este itinerário jacobeu e também membro da associação Codeseda Viva.

O projeto começou a ganhar forma em outubro de 2019, foi publicado na Amazon a 26 de janeiro, onde pode ser adquirido por 14,14 euros e os primeiros exemplares impressos datam de 3 de maio.

Carlos de Barreira conta que a ideia já existia “há muito tempo” e deram-lhe forma “quando terminou a temporada de chegada de peregrinos, em finais de outubro passado”.

O guia está escrito em galego e, pelo menos, para já, não é objetivo dos autores traduzi-lo para outras línguas, devido ao trabalho que pressupõe e o tempo que leva a paginar um livro com tantas fotografias.

“Fizemo-lo em galego com a intenção de poder ser entendido pelos portugueses e espanhóis”, explica.

O Caminho da Geira e dos Arrieiros foi reconhecido pela Igreja Católica a 28 de março de 2019, data em que o delegado de peregrinações do cabido da Catedral de Santiago, o deão Segundo L. Pérez López, assinou um certificado onde refere que o traçado cumpre “as condições de outros caminhos de peregrinação” e, por isso, “concede a Compostela” a quem o percorrer. Está em curso o processo de homologação pelas entidades civis.

No ano passado o caminho foi percorrido por 367 peregrinos em 10 meses. A maioria partiu de Braga (227), seguindo-se Castro Laboreiro (104), Entrimo e Ribadavia (com oito cada). Os portugueses constituem o maior grupo (80%), havendo ainda registo da passagem de italianos, suíços, franceses, brasileiros, polacos e holandeses.

Além dos peregrinos que receberam em Compostela, a associação Codeseda Viva considera que muitos outros o fizeram, apontando uma estimativa global de 850 pessoas.

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