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Reportagem

​No lar do centro social de Santo Adrião, visitas só através do vidro e a família fica do lado de fora da porta

22 mai, 2020 - 19:36 • Isabel Pacheco

As regras são apertadas e são para manter para os próximos tempos. Direção diz que é “ainda muito cedo para arriscar”.

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Sentada num banco à porta do lar do Centro Social de Santo Adrião, em Braga, Joana Monteiro prepara-se para visitar o pai. Ao lado está a mãe, Conceição.

Numa mão, a filha tem um telemóvel, na outra mão tem papel e caneta. “É para ele nos perceber”, explica a jovem, enquanto faz a ligação por telemóvel para o pai do outro lado da porta.

“Chegamos aqui ao lar e as portas estão fechadas. Eles estão do lado de dentro com touca, máscara e capa de proteção, e estamos a falar assim com as portas fechadas através do vidro."

A conversa pelo telefone facilita a visita que se faz com o olhar e algumas lágrimas contidas. Um contacto que, mesmo através do vidro e “um pouco mais triste”, já fazia falta, reconhece a jovem após dois meses sem ver o pai, António.

Sónia Dias, coordenadora da terceira idade da instituição, explica que é “ainda é muito cedo” para arriscar. “Temos dois meses de trabalho, e um grande investimento, e podemos perder tudo, porque os familiares não sabem o que têm”, atira a responsável, que lembra que, uma vez que não são permitidos abraços, “pouca diferença” faz a visita ser “numa sala” ou “aqui à porta”.

As regras apertadas são para manter nos próximos tempos, admite Elga Sousa, da direção do centro social, apesar de o lar estar autorizado ir mais além.

A palavra de ordem, explica a responsável, é ir “devagarinho”. Nesta primeira fase é para manter as visitas através do vidro. “Se correr bem, podemos passar para o outro lado de lá." “Mas com calma. Passo a passo”, diz a responsável, que adianta que “as famílias têm recebido bem as normas” do lar.

Passos que ninguém quer que sejam “dados em falso”, resume o presidente IPSS, João Sousa, que se diz “feliz”, por todos na instituição “estarem bem”, mas triste por outro lado. “Custa-me ver a televisão com exemplos iguais aos nossos com casos e nós sem casos."

Para prevenir mais tristezas, as visitas aos 31 utentes do lar do centro social de Santo Adrião vão continuar com as famílias do lado de fora da porta, ainda que isto “custe”. “Imagino-me a visitar o meu pai nestas condições, isto custa. Custa ver as visitas com a mãozinha, sem abraços ou beijos”, admite João Sousa.

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