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Covid-19

DGS volta a assumir erros no boletim. "Tentamos afinar dados em sistemas que não são automatizados"

01 mai, 2020 - 13:00 • Redação

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, explicou (novamente) a alteração do critério para dar um doente como curado e diz que a letalidade de Portugal "está dentro da normalidade", no dia em que o país ultrapassa os mil óbitos.

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A diretora-geral da Saúde voltou a justificar alguns erros nos boletins diários da Covid-19 com a dificuldade em afinar toda a informação "em sistemas que não são totalmente automatizados".

Na conferência de imprensa de atualização da situação pandémica em Portugal, esta sexta-feira, Graça Freitas garante, no entanto, que a Direção-Geral da Saúde (DGS) tenta fazer "o melhor trabalho possível para comunicar com a maior transparência".

"Os dados são uma tarefa muito complexa, em muito poucas horas temos de ter os dados afinados em sistemas que não são totalmente automatizados. Tentamos fazer o melhor trabalho possível, o mais rápido possível para comunicar com transparência, mas por vezes há discrepâncias nos concelhos", disse.

Graça Freitas explicou o processo de recolha de informação e esclareceu que a DGS trabalha com essencialmente duas fontes de informação.

"Recebemos o formulário que é preenchido pelos médicos, que identifica pelo número automático do registo nacional de utente, que é a área de residência e mesmo o próprio médico escreve o local. Esta notificação pode demorar algumas horas ou dias. A estes dados juntamos as notificações laboratoriais, com menos informação. Há um trabalho de conjugar a informação, que nem sempre coincide."

A diretora-geral da Saúde diz que "é bom que se percebam estas fragilidades". "Fazemos o que podemos com as fontes que temos", diz.

Doentes ligeiros têm pouca carga viral

Graça Freitas voltou a abordar o motivo que levou o país a apenas realizar um teste após duas semanas da infeção, para dar o doente como curado. A porta-voz diz que a DGS "acompanha a literatura médica e o Centro Europeu para Prevenção de Doenças Transmissíveis (ECDC)".

"O ECDC separa os doentes com sintomas ligeiros, que nem sequer vão ao hospital, que indicam que têm uma carga viral baixa. Os doentes mais graves carecem de dois testes, mas os que não são graves há estudos que indicam que têm menos particulas e que já não existe capacidade de replicação do vírus, deixa de ser uma pessoa infecciosa. Alguns países já não fazem testes a quem fica em casa, nós fazemos um", sublinhou, novamente.

Fiscalização dos casos suspeitos

A ministra da Saúde diz que é preciso melhorar a comunicação entre as autoridades de saúde e de segurança para o controlo dos casos suspeitos.

Marta Temido diz que a monitorização é "complexa" e que exige uma "articulação entre estruturas da saúde e de segurança". "Estamos a tentar melhorar ao garantir que a informação é atualizada constantemente. Precisamos de garantir um alinhamento total".

Graça Freitas acredita, por seu lado, que há poucos casos de incumprimento dos suspeitos que devem ficar em isolamento social.

"Há uma grande cooperação entre as autoridades de saúde e policiais. Muitas vezes as autoridades de saúde consideram que estão reunidas as condições para fazer a vigilância sem fiscalização. Mas são dinâmicas locais muito próprias. As forças de fiscalização só servem para fiscalizar o incumprimento, se ele não existe, não há lugar para isso", acrescenta.

Letalidade "dentro da normalidade"

Graça Freitas encara com relativa normalidade o aumento da taxa de letalidade, que se fixa nos 4%, à data, no dia em que Portugal ultrapassou os mil óbitos devido à Covid-19.

A diretora-geral da Saúde diz a taxa de letalidade de Portugal não é preocupante e "está de acordo com outros países", tirando aqueles com situações mais graves, em que é superior.

"A letalidade é uma proporção entre as pessoas que adoecem e as que morrem. No início é menor porque entre diagnóstico e óbito podem passar dez dias. À medida que o tempo vai passando, o número vai aumentando, mas todos os dias temos vindo a descer o número de óbitos. Hoje tivemos mais 18 óbitos do que ontem", conclui.

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