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Misericórdia de Mogadouro leva teleassistência ao apoio domiciliário

29 abr, 2020 - 10:50 • Olímpia Mairos

A medida visa quebrar o isolamento, em tempos de pandemia, e apoiar quem está mais só e mais vulnerável. O serviço de teleassistência é gratuito para os 110 utentes que estão em regime de apoio domiciliário e que dele vão beneficiar.

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A Santa Casa da Misericórdia de Mogadouro está a implementar um serviço de teleassistência destinado a utentes de apoio domiciliário.

Os equipamentos “são para todos os utentes que temos de apoio domiciliário, que são cerca de 110, e que, neste momento, devido à contingência da Covid, permanecem muito mais tempo em casa”, conta à Renascença o provedor da instituição, João Henriques.

O programa consiste em distribuir, por cada utente, um aparelho de teleassistência dotado de um sistema de localização (GPS), para que, no caso de uma emergência, seja de imediato localizada a pessoa.

João Henriques justifica a medida “com o isolamento forçado” e com a necessidade de apoiar quem está mais só e vulnerável.

“Entendemos colocar a teleassistência em todos eles para poderem, de uma forma bilateral, falarem connosco e nós falarmos com eles, para sabermos como é que estão, como é que passam os dias, se precisam de alguma coisa”, assinala o responsável.

De acordo com o provedor da Misericórdia, o sistema, “além de quebrar uma boa parte deste isolamento com GPS, permite que pessoas debilitadas, que podem cair na rua quando saem ou mesmo dentro de casa, nos indiquem o posicionamento e o que se passa”.

“É um passo mais que estamos a dar em relação a esta gente e esperamos que, desta forma, consigamos diminuir um pouco o isolamento”, realça João Henriques.

O projeto tem o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, através do programa Cuidar. “Ao ter este apoio, acaba por nos dar um elã financeiro de não termos que usar muitos recursos financeiros da Misericórdia para o conseguirmos implementar”, sublinha o provedor.

O serviço de teleassistência é gratuito para os 110 utentes que estão em regime de apoio domiciliário e que dele vão beneficiar.

Para usufruir deste serviço de teleassistência, basta colocar um aparelho do formato de um relógio no pulso do utente. Depois, em caso de necessidade, com um simples clique é estabelecido contacto imediato e de forma bilateral.

IPSS são solução. Não são problema


João Henriques sublinha que, ao contrário da imagem que tem passado para a opinião pública, as instituições particulares de solidariedade social “não são um problema, mas são parte da solução”.

“Nós temos tido um papel fundamental e um esforço muito grande para conter grande parte desta epidemia”, afirma o provedor da Misericórdia de Mogadouro, dando o exemplo da sua instituição “com três lares e uma unidade de cuidados continuados”.

“Estamos a testar toda a gente. Todos os funcionários já foram testados e nenhum deles acusou positivo. Nos utentes também acreditamos que assim seja. Isso é um esforço enorme, um esforço muito grande”, afirma.

O provedor da misericórdia de Mogadouro refere que, quando surgiu a pandemia, “os equipamentos de proteção individual praticamente não existiam".

"Andámos aqui aflitíssimos, não tínhamos máscaras, não tínhamos fatos, não tínhamos viseiras, não tínhamos nada. Agora, as coisas já se começam a compor em termos de materiais”, afirma o responsável.

João Henriques alerta para a imagem que se criou, que no seu entender é errada: "Uma imagem que devia ser invertida e que se devia perceber que instituições que não têm um fundo de saúde. Temos uma assistência solidária e de proteção a esta gente, e tudo aquilo que nós fazemos para que não entre a epidemia dentro das nossas instalações."

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mogadouro insiste e afirma que a realidade nos lares não é a que é veiculada e que atribuiu uma dimensão muito grande da pandemia naquelas estruturas.

“Se nós percebermos e juntarmos as notícias com gente infetada e fizermos a extrapolação para o número de instituições particulares de solidariedade social que têm estruturas residenciais para idosos, vemos que há aqui uma contenção muito grande até da entrada do vírus nas nossas instituições”, explica.

É preciso rever os acordos


O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mogadouro alerta para o papel das IPSS no pós-pandemia, em que estas instituições estarão, como estão hoje, na linha da frente do combate à propagação do novo coronavírus. João Henriques defende a revisão dos acordos com o Estado.

“Os acordos têm vindo a ser aumentados de uma forma muito pontual, enquanto os vencimentos com os ordenados mínimos a subir. E é pouco, as pessoas continuam a ganhar muito pouco por aquilo que fazem, mas é um esforço muito grande para as instituições”, afirma.

João Henriques lembra que as IPSS passaram “aqueles tempos de 'troika', de cinco e seis anos, onde as mensalidades não foram atualizadas por parte dos utentes”.

"Há um distorcer do financiamento e da responsabilidade muito grande. O Estado, obviamente, não nos dá nada. O Estado paga-nos um serviço que nós prestamos aos utentes e ao próprio Estado, que devia ser ele a prestá-lo”, alerta.

“Este valor que o Estado paga por isto é um valor que começa a estar desfasado daquilo que são os valores reais da prestação de serviços que fazemos”, conclui.

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