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Assintomático, comorbidades ou zaragatoa. Glossário para entender a Covid-19

05 abr, 2020 - 20:30 • Tiago Palma

Está com uma cefaleia? E o seu confinamento, é compulsivo ou profilático? E a diferença entre coronavírus, covid-19 e SARS-CoV-2, sabe? Ou sabe distinguir epidemia de pandemia? E taxa de letalidade de taxa de mortalidade? Isto sem nos esquecermos, claro, da curva epidemiológica... Aqui, letra a letra, explicamos-lhe tudo.

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A

Assintomático - Diz-se que é assintomático o paciente que, embora infetado pelo novo coronavírus, não apresente quaisquer sintomas, tais como febre, tosse ou dificuldade respiratória. Ainda assim, o paciente assintomático poderá transmitir a doença a terceiros.


B

Boletim diário - Todos os dias, por volta do meio-dia, a Direção-Geral da Saúde publica o boletim diário que permite ir aferindo a evolução do surto em Portugal. A DGS criou ainda um micro-site totalmente dedicado à nova doença.


C

Casos confirmados - Pacientes que apresentam sintomas de infeção e cujo teste à Covid-19 confirmou a presença do vírus no organismo.

Casos suspeitos - Pacientes que apresentam sintomas, entraram em contato com infetados e/ou viajaram recentemente para locais onde há um elevado número de infeções, mas aguardam os resultados dos exames laboratoriais que confirmam, ou não, a presença do vírus.

Cefaleia - A cefaleia é o nome genérico dado a uma dor localizada na cabeça ou na região superior do pescoço (região cervical) e é um dos sintomas associados à doença Covid-19. Outros sintomas habituais são a febre, tosse, dificuldade respiratória, dores musculares e fraqueza generalizada.

Cerca sanitária - É uma das medidas utilizadas para combater a propagação do novo coronavírus, fechando as fronteiras às saídas e apertado o controlo de entradas numa determinada localidade em que se verifique um contágio alargado na população.

Confinamento compulsivo - É a obrigatoriedade, por lei, de isolamento da população na habitação como modo de travar a propagação da pandemia e aplica-se, enquanto perdurar o estado de emergência, por exemplo, aos pacientes infetados e a cidadãos sob vigilância médica. A violação do confinamento (ou isolamento) compulsivo constitui crime de desobediência.

Confinamento profilático - Ao contrário do isolamento compulsivo, o profilático assenta meramente em recomendações (não é, como tal, obrigatório) das autoridades de saúde, crendo as mesmas que a presença na habitação e o evitar do contacto social contribuem para prevenir o contágio.

Comorbidades - Os pacientes que apresentam comorbidades são uma das classes de risco face à infeção pelo novo coronavírus. Tratam-se de pacientes que têm já a si associados outros problemas de saúde, tais como asma, insuficiência cardíaca, diabetes, doenças hepáticas ou renais crónicas, doença pulmonar obstrutiva crónica ou cancro.

Coronavírus - Trata-se de uma família de vírus (existem vários tipos de coronavírus; a mutação que está a causar a pandemia atual é apenas mais um) que pode causar infeções, sobretudo ao nível respiratório, em humanos e em animais. Os coronavírus podem causar desde uma mera gripe comum até outras doenças mais graves, como a MERS ( Síndrome Respiratória do Oriente Médio) ou a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave). O novo coronavírus foi denominado SARS-CoV-2 (síndrome respiratória aguda grave - coronavírus 2) e causa a doença Covid-19.

Covid-19 - É o nome da doença causada pela infeção pelo novo coronavírus (a sigla vem da expressão em inglês “Coronavirus Disease 2019”, ou “Doença por Coronavírus 2019”, uma vez que o vírus foi identificado pela primeira vez em humanos no final de 2019) e pode causar infeção respiratória grave como a pneumonia.

Curva epidemiológica - Trata-se de um gráfico que permite visualizar a evolução de um surto como o do novo coronavírus, relacionando o número de casos com a sua evolução temporal. No começo, o número de casos vai aumentando (de forma mais rápida ou controlada, consoante as medidas de prevenção e combate) até chegar a um pico, seguindo-se o “achatar” da curva, ou seja, a redução do número de casos.


D

Distanciamento Social - Medidas adotadas (exemplo: encerramento dos estabelecimentos de ensino ou outros espaços públicos com grande aglomeração populacional) para reduzir o contato entre as pessoas, inclusive as não-infetadas. O objetivo é desacelerar a disseminação da doença.


E

Epidemia - Um aumento no número de casos de uma doença, no caso a Covid-19, acima do que é normalmente esperado para a população de uma determinada área.

Estado de alerta - É menos restritivo que o estado calamidade ou de emergência. No fundo, significa que os meios os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança estão em prontidão para restabelecer a ordem pública, embora não exista qualquer restrição na liberdade de circulação das pessoas. O Governo adquire poderes alargados, pelo que todas as decisões e atos legislativos produzem efeitos imediatos.

Estado de calamidade - É decretado pelo Governo, após resolução do Conselho de Ministros, quando situações de dano à saúde e serviços públicos já estão em curso. Decretado o estado de calamidade, é possível limitar a circulação de pessoas e veículos e definir perímetros de segurança, nomeadamente decretando a fixação de cercas sanitárias. No que à economia fiz respeito, o Estado deve destinar apoios à reposição da normalidade das condições de vida.

Estado de emergência - É o mais duro e apertado dos estados que uma entidade democrática (no caso, em Portugal, é o Presidente da República, após aceitação do Governo e do Parlamento) pode decretar. Assim, o Governo ganha poderes alargados para combater a pandemia, incluindo a suspensão de alguns direitos dos cidadãos, logo à partida os de deslocação, reunião, manifestação e resistência. Quinze dias é o prazo máximo em que pode vigorar o estado de emergência à luz da Constituição. Mas, no fim desse prazo, pode vir a ser renovado.


F

Fase de Contenção - O Plano Nacional de Preparação e Resposta ao novo coronavírus, divulgado pela Direcção-Geral da Saúde, estabelece as fases de respostas (que incluem níveis e subníveis) de acordo com a avaliação de risco e o seu impacto para Portugal. Após a fase de preparação, na qual não há epidemia, entramos nas seguintes fases de resposta previstas no plano estratégico das autoridades. O primeiro nível de alerta e resposta corresponde a uma situação em que o risco de Covid-19 em Portugal é baixo, sendo por isso uma Fase de Contenção, com concentração de meios de resposta em contingência.

Fase de Mitigação - É o nível 3 (nível vermelho de alerta, o mais elevado) do Plano Nacional de Preparação e Resposta ao novo coronavírus. Ou seja, aqui, as cadeias de transmissão já se encontram estabelecidas em Portugal, tratando-se de uma situação de epidemia/pandemia ativa. As medidas de contenção passam a ser insuficientes e a resposta é focada, lá esta, na mitigação dos efeitos da Covid-19 e na diminuição da sua propagação até ao surgimento de uma vacina ou tratamento eficaz. Isso implica, por exemplo, segundo a Direcção-Geral da Saúde, que todos os hospitais do SNS sejam chamados a dar resposta e que os hospitais do sector privado e social sejam envolvidos na fase de diagnóstico e na gestão de casos.~


G

Grupo de risco - Pessoas que correm grande risco de serem contagiadas ou terem complicações de saúde caso venha a ocorrer o contágio. No caso do coronavírus, os grupos de risco são idosos, doentes crónicos, grávidas e pessoas com sistema imunitário fragilizado.


H

Hidroxicloroquina - Medicamento habitualmente utilizado para tratar doenças como a malária, lúpus ou artrite reumatóide. Tem sido usado em alguns países de modo experimental e sempre em associação com outros fármacos para o novo coronavírus.


L

Lavagem de mãos - Desde o início do surto da Covid-19 que esta tem sido a principal medida de prevenção. As autoridades de saúde recomendam uma frequente lavagem de mãos durante, pelo menos, 20 segundos e de acordo com procedimentos que têm sido amplamente difundidos.


M

Máscaras - Quatro meses depois do início do surto de coronavírus ainda não está totalmente esclarecido quem deve usar máscaras. Os profissionais de saúde e pessoas infetadas são dois grupos que devem usar sempre este material de proteção, mas para a população em geral as autoridades de saúde ainda estão a definir orientações sobre este assunto. No entanto, mesmo sem indicações precisas, as máscaras, bem como o gel desinfetante e álcool, estão entre os produtos que esgotam em qualquer superfície comercial.


O

OMS - A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem sido a organização que tem liderado as indicações dadas aos países sobre como lidar com o surto. Tedros Adhanom Ghebreyesu é o diretor-geral da entidade e tem sido o rosto mais frequente nas conferências de imprensa sobre a Covid-19.


P

Pandemia - O novo coronavírus foi declarado pela Organização Mundial da Saúde uma pandemia a 11 de março. Tal acontece, ou seja, uma epidemia é declarada pandemia, quando as autoridades de saúde consideram mais provável a existência de casos de contágio local ou comunitário num conjunto alargado de países – e não apenas num contexto geográfico mais restrito.

Período de incubação - Tempo decorrido entre o momento do contágio e os primeiros sintomas – no caso do novo coronavírus, o período de incubação é de dois a 14 dias.

Plano de Contingência - O Plano Nacional de Preparação e Resposta à Doença por novo coronavírus, ou Plano de Contingência, foi divulgado, em Portugal, pela Direção-Geral da Saúde a 10 de março. Este plano tem como referencial as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, sendo o documento de referência nacional (com orientações estratégicas, nomeadamente para o setor da Saúde) no que respeita ao planeamento da resposta à Covid-19.


Q

Quarentena - Separação e restrição de movimento de pessoas saudáveis que já foram expostas à doença Covid-19 de modo a evitar a transmissão.


S

SARS-CoV-2 - Significa “síndrome respiratória aguda grave - coronavírus 2” e é o nome pelo qual é conhecida a estirpe de coronavírus responsável pela atual pandemia.


T

Taxa de letalidade - É o número de pessoas, em média, que morrem após contrair a doença. Esse número é o resultado da divisão entre o total de mortes causadas pela doença e o número total de casos. Cada país e local terá uma taxa de letalidade diferente, dependendo de fatores como a agilidade no diagnóstico e a capacidade do sistema de saúde.

Taxa de mortalidade - Ao contrário da taxa de letalidade, é calculada pela divisão do número de mortos por toda a população, não apenas o número de infetados. No fundo, é o risco que qualquer pessoa na população tem de morrer por causa da doença.

Transmissão comunitária - Quando a infeção é descoberta numa pessoa que não viajou recentemente e não teve contacto com nenhum caso conhecido.


V

Ventilador - Equipamento médico que auxilia a respiração de pacientes infetados – nomeadamente os graves, de cuidados intensivos –, oxigenando o sangue quando os pulmões estão incapazes de o fazer.


W

Wuhan - Capital da província chinesa de Hubei, foi o local onde a epidemia começou, no final de dezembro passado. De acordo com estudos entretanto efetuados, o SARS-CoV-2 teve como hospedeiro inicial um morcego e foi transmitido às pessoas através de um animal selvagem, ainda desconhecido, que era vendido no mercado de animais vivos de Huanan, em Wuhan.


Z
Zaragatoa - Instrumento clínico (geralmente constituído por uma vareta com fios de linho ou algodão hidrófilo numa das extremidade) usado para recolher amostras para análise, geralmente na zona da garganta e das fossas nasais. Após a colheita, a zaragatoa deve ser guardada num tubo, utilizado como meio de transporte, e enviada imediatamente ao laboratório.

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  • Ippolito Cattapan
    06 abr, 2020 Rio de Janeiro 17:13
    Até hoje, não ouvi ninguém dizer que os idosos podem ser assintomáticos, só os mais jovens. Gostaria de saber se é possível que os idosos também sejam.