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Coronavírus

​Viver a Casa de Mateus sem sair de casa

02 abr, 2020 - 08:52 • Olímpia Mairos

Em estado de emergência, devido à pandemia de Covid-19, a Fundação Casa de Mateus, em Vila Real, aposta na programação online, uma “reinvenção do presente e do futuro imediato”.

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O novo palco da programação da Fundação da Casa de Mateus, em Vila Real, são agora as redes e o universo digital. “Ao longo deste mês, recordando como o mundo lá fora é, e continuará a ser, a nossa casa comum, o tema será 'Abril, mês da terra'”, comunica a instituição, realçando que face à pandemia “viu-se na necessidade de 'reimaginar' a programação cultural prevista” para este mês.

O local dos eventos passa do espaço físico para o espaço digital, e o relacionamento com o meio natural e social serve de ponto de partida para uma programação direcionada para a terra enquanto espaço comum.

Por iniciativa própria, ou em associação com os seus parceiros, recorrendo a plataformas inovadoras e a novas formas de relação, a Fundação Casa de Mateus pretende “contribuir para um renascimento apoiado no património, no saber e na arte, no exercício de uma nova forma de ser e de estar". Um estado que "permita que o futuro não seja apenas uma reconstrução pobre do presente, mas antes uma oportunidade para nos reinventarmos outros, mais ricos na inteligência do mundo e dos seus desafios”.

Programa de abril

Já no dia 14, e inserido no projeto "Lugar Comum", que tem como objetivo a capacitação dos funcionários e colaboradores da Fundação, realizar-se-á mais uma sessão da Oficina de Vitivinicultura, desta vez online e dirigida pelo engenheiro João Castella, com o título "Biodinâmica, um impulso cultural novo na compreensão da Natureza".

No dia 18 de abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o eixo longitudinal que atravessa a Casa de Mateus será o protagonista de uma narrativa que conta “como a história secular da casa determinou a paisagem envolvente, na qual se destacam o monte de Santa Sofia, a Quinta de S. João, a Mata do Conde, o bairro de Casal de Matos e a antiga aldeia de Mateus. A ligação histórica destes territórios à Casa de Mateus permitiu manter, até hoje, uma vocação antiga de proteção da envolvente paisagística”.

No Dia Mundial da Terra, 22 de abril, a pretexto da comemoração dos 150 anos da plantação dos grandes cedros feita por D. José Luís, 3º Conde de Vila Real, além de uma homenagem ao arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, autor do parque e do espelho de água que enquadra a entrada no perímetro da Casa de Mateus, será inaugurada uma exposição online, que conduzirá os visitantes pelos “momentos sucessivos que construíram aquilo que conhecemos hoje como os Jardins da Casa de Mateus”.

Para o dia 23 de abril, Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, dia 23 de abril, está previsto um diálogo com três autores universais desaparecidos neste mesmo dia: William Shakespeare, Miguel de Cervantes e Alvaro Garcia de Zúñiga, autor intimamente ligado à história da Casa de Mateus.

No dia 26, Dia das Rotas dos Jardins Históricos, a proposta será uma visita guiada online aos Jardins da Casa de Mateus, que desde o início de 2020 integram a Rota dos Jardins Históricos do Douro.

No dia 30 de abril, deveria ter lugar uma residência artística na Casa de Mateus com o trio luso-brasileiro que venceu o Concurso de Residência Artística dos XXIX Encontros Internacionais de Música de Casa de Mateus. “Na sua ausência física, a (Não)Residência Artística dos XXIX Encontros dá-nos a oportunidade de conhecer melhor este Ensemble e de reviver a experiência desenvolvida ao longo deste evento realizado em 2019”, refere a Fundação da Casa de Mateus, assinalando que ao comemorar 50 anos, “o desafio da celebração desta data é ainda maior e passa, obrigatoriamente, pela reinvenção do presente e do futuro imediato".
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