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​Covid-19

Do ensino à energia. A generosidade dos portugueses em tempo de coronavírus

25 mar, 2020 - 21:13 • Sandra Afonso

Empresas de vários ramos têm tomado iniciativas para doar material de proteção, alimentos, chocolates e até lavagem de roupa aos profissionais de saúde.

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Quando o país precisa, a sociedade mobiliza-se. Têm sido notícia os sucessivos apelos de associações e confederações para travar encerramentos, despedimentos e a paragem da economia. Mas, enquanto jornalistas, todos os dias nos chegam também notícias de dádivas e da disponibilidade de empresários e sociedade civil, uns mais anónimos do que outros, mas todos com o mesmo objetivo – ajudar a combater esta pandemia e tornar a luta mais humana, mais confortável.

Estes são apenas alguns exemplos, do ensino à energia, da banca à construção, dos produtos de consumo aos serviços, passando pela igreja:

  • O Santuário de Fátima vai oferecer três ventiladores ao Serviço Nacional de Saúde. Esta contribuição vem juntar-se a outras medidas, como a cedência de instalações à Proteção Civil Municipal, camas, colchões e outros equipamentos logísticos.
  • A diocese de Viana do Castelo anunciou uma recolha de fundos, para comprar ventiladores para o hospital local.
  • Na banca, o Santander juntou-se ao movimento tech4COVID19, para apoiar o Projeto Material Hospitalar. O objetivo é responder rapidamente às necessidades de material, com a angariação de equipamentos de proteção individual, ventiladores e testes de despiste ao Covid-19 para os profissionais de saúde. Nesta fase, “o Santander vai contribuir com um apoio de €50.000 para adquirir 50.000 máscaras P2”. O material será entregue às Administrações Regionais de Saúde. Este projecto é formado por um grupo de startups tecnológicas portuguesas, que inclui mais de 250 empresas de áreas diferentes e mais de 3700 pessoas.
  • Para evitar a deslocação de doentes infetados com coronavírus, a Altri e a Navigator ofereceram um aparelho de raio-x ao Hospital Distrital da Figueira da Foz, “reduzindo-se assim o tempo de diagnóstico e o risco de infeção, que é muito elevado em doentes com coronavírus”.
  • A Galp ofereceu 29 ventiladores ao SNS, disponibilizou apoio ao INEM para as ambulâncias e viaturas de recolha de amostras, entregou um pacote energético a mais de 500 instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e cedeu meios à Direção-Geral da Saúde (DGS) para uma campanha de sensibilização à escala nacional.
  • A EDP, juntamente com o acionista chinês China Three Gorges, ofereceu 50 ventiladores ao Estado, 200 monitores médicos e respetivos equipamentos de suporte, num total de quatro milhões de euros.
  • O Colégio Luso Internacional do Porto (CLIP) anuncia que “doou o único ventilador disponível no país ao Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, depois de uma recolha de fundos relâmpago no valor de 20 mil euros, tendo o colégio contribuído com oito mil do total.” A operação decorreu durante seis dias, segundo Francisco Marques, director do CLIP, o que prova “a força da solidariedade da nossa comunidade, a vontade de ajudar”.
  • O PIEP, Centro de Interface Tecnológico da Universidade do Minho para o setor dos Plásticos, “mobilizou-se para desenvolver por impressão 3D, nas suas instalações, viseiras de proteção individual”. Já foram entregues 20 viseiras ao Hospital da Senhora da Oliveira, em Guimarães.
  • Também em 3D, vários empresários com impressoras e a startup FAN3D juntaram-se e imprimem agora viseiras, já entregaram 30 ao Hospital de Setúbal e prometem não ficar por aqui.
  • Na construção, a Mota-Engil também está a ajudar no esforço de combate ao coronavírus e doou 17.000 batas/fardas protetoras, como equipamento de proteção individual, para os profissionais de saúde do Hospital de São João no Porto e Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHULN).
  • A Coporgest – Companhia Portuguesa de Gestão e Desenvolvimento Imobiliário entregou ao Ministério da Saúde 10 mil toucas clip e duas mil batas cirúrgicas.
  • A solidariedade passa ainda pelo desporto, com atletas e clubes a avançarem com doações milionárias. Em Portugal destaca-se a iniciativa de Cristiano Ronaldo e do empresário Jorge Mendes, que vão equipar uma ala do Hospital de Santo António, no Porto, para cuidados intensivos.
  • A Fundação do Futebol da Liga Portuguesa decidiu leiloar equipamento desportivo, o objetivo é angariar fundos para comprar material hospitalar, “nomeadamente máscaras, luvas e batas”. Será possível adquirir bolas e camisolas autografadas por atletas dos semifinalistas da Taça da Liga.
  • A Super Bock Group e a Destilaria Levira estão a trabalhar juntas, na produção de gel desinfetante para as mãos. O objectivo é converter 56 mil litros de cerveja em 14 mil litros de álcool gel, isto para começar. O produto final vai ser oferecido a três unidades hospitalares da região do Porto.
  • A L'Oréal lançou um Plano Europeu de Solidariedade para o Coronavírus, que em Portugal passa por doações de produtos a hospitais e centros de saúde.
  • La Roche-Posay e a CeraVe, do mesmo grupo, já ofereceram 900 máscaras, juntamente com um kit de cuidado de higiene e hidratação das mãos. A L’Oréal Portugal também já doou cerca de 1.500 produtos de higiene para profissionais de saúde. Estas doações serão reforçadas “através da ENTRAJUDA ou através da rede de emergência alimentar”. A marca Garnier vai oferecer e distribuir gratuitamente 50 mil unidades de gel hidroalcoólico a todos os clientes europeus na distribuição alimentar, a partir do final de abril.
  • A Fundação L'Oréal decidiu doar “um milhão de euros às associações parceiras envolvidas na luta contra a precariedade. As associações apoiadas ao longo do ano pela Fundação L'Oréal também receberão kits de higiene (gel de banho e champô) e gel hidroalcoólico para assistentes sociais, voluntários e beneficiários”.
  • A marca italiana Chicco está a doar mais de 750 intercomunicadores com câmara, “todo o stock que a marca tem disponível em Portugal, com o objetivo de ajudar a minimizar os impactos que a pandemia causada pela Covid-19 está a causar nos hospitais e unidades de saúde do nosso país". Os pedidos devem ser enviados para este email.
  • O grupo Os Mosqueteiros vai doar meio milhão de euros, para apoiar profissionais de saúde da primeira linha com “equipamentos de proteção individual e material médico”. Segundo Laurent Boutbien, presidente do grupo, “faz parte do nosso ADN viver, sentir e ajudar a comunidade em todas as suas vertentes, por isso o nosso compromisso neste momento é envolvermo-nos ao máximo na proteção a todos aqueles que estão nas várias frentes desta batalha”.
  • A Unilever, fabricante de marcas como a Dove, Knorr e Skip, vai doar 100 milhões de euros em produtos: sabonetes, desinfetantes, lixívia e bens alimentares (a distribuição será feita tendo em conta os valores de venda em loja). As linhas de produção serão também adaptadas, para produzir desinfetantes para hospitais, escolas e outras entidades institucionais. A Unilever promete ainda “proteger todos os colaboradores que consequentemente venham a ser impedidos de desempenhar as suas funções, impedindo quedas dos seus salários, durante três meses.”
  • Especificamente para Portugal, a Unilever FIMA disponibilizou ajuda à DGS, com a doação de produtos, e está a reforçar doações às instituições com as quais já colabora.
  • A Carglass criou um serviço prioritário e gratuito para Polícia, Bombeiros, Proteção Civil, autarquias, farmácias e hospitais. A empresa oferece a “aplicação de soluções provisórias em vidros laterais e óculos traseiros e uma higienização profissional do habitáculo e condutas do ar condicionado.” Estes profissionais, e apenas estes, podem aceder ao serviço através da linha 225 320 706, nos dias úteis, das 9h00 às 18h00.
  • A “Dona Rosa” oferece limpeza de roupa a todos os profissionais de saúde, no concelho de Lisboa. Através desta app portuguesa de lavar e engomar e limpeza a seco, quem trabalha nos hospitais e centros de saúde poupa assim este trabalho. Os serviços estão disponíveis através de um email ou de uma mensagem por WhatsApp. “Neste momento tão difícil é nosso dever cívico ajudar quem mais nos ajuda”, afirmam Tomás Noronha e Rodrigo Ruiz, fundadores da empresa.
  • Se em Lisboa estes profissionais têm a roupa lavada, no norte têm algo doce. A Imperial, maior produtor nacional de chocolates, ofereceu “mais de 2.500 tabletes de chocolates a profissionais de saúde”, no Hospital de São João, no Porto, e à Lusíadas Saúde.
  • Aos profissionais de saúde têm chegado ainda outros produtos de várias marcas nacionais, como bebidas energéticas, barras de cereais ou cremes hidratantes.
  • Mas também há empresas a ajudar empresas. A Primavera BSS vai disponibilizar gratuitamente, ainda esta semana, um utilitário para gerir as medidas governamentais de resposta à Covid-19. Trata-se de um software “que permite aplicar rapidamente as novas regras decretadas pelo Governo, automatizando o cálculo das novas variáveis de processamento salarial e obrigações declarativas à Segurança Social”.
  • Os CTT lançaram “descontos nos preços e condições especiais nos serviços digitais para empresas e clientes particulares, até 30 de abril”. Uma forma de apoiar a “sustentabilidade do tecido empresarial nacional e a segurança e bem-estar das populações no âmbito da pandemia”.

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