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Pandemia de coronavírus

Sem-abrigo. “É preciso que que as pessoas não deixem de fazer o bem”

17 mar, 2020 - 15:30 • Ângela Roque

Apelo é feito pelo responsável pela Associação João 13, dos dominicanos, que continua a garantir jantar e produtos de higiene aos sem-abrigo em Lisboa. Mesmo com “serviços mínimos”, frei Filipe Rodrigues quer manter esta ajuda “o máximo de tempo” que puder, e que o deixarem.

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É a Associação João 13, criada pelos dominicanos, que gere o NAL + (Núcleo de Apoio local) de São Vicente. Situado entre a Feira da Ladra e a estação de Santa Apolónia, funciona em instalações cedidas e equipadas pela Câmara de Lisboa, prestando um apoio diferenciado em relação ao que é dado na rua.

Em condições normais é no refeitório do NAL, de sábado a quinta-feira, que os sem-abrigo, e outras pessoas carenciadas, são servidos à mesa. Também ali podem tomar banho quatro vezes por semana, entregar a roupa suja, para ser lavada, e levar o pequeno almoço para o dia seguinte. Mas, a atual situação de emergência devido à pandemia de coronavírus (Covid-19) já obrigou a grandes mudanças.

”À semelhança de outras instituições temo-nos adaptado a esta nova realidade, sempre a mudar, e estamos já no quarto plano de contingência”, diz à Renascença frei Filipe Rodrigues. Neste momento só conseguem garantir que a comida não falta, e pouco mais.

“Estamos na colaboração mínima que podemos fazer, que é a questão da alimentação e da higiene. Neste momento o NAL + São Vicente está fechado, fazemos a distribuição das refeições em embalagem, e também continuamos a colocar o pequeno almoço”.

O resto vão tentando manter. “Três vezes por semana temos distribuição de roupa e de alguns produtos, para que o mínimo de dignidade e de higiene possa ser garantido nesta situação”.

Frei Filipe garante que o objetivo é manter o serviço o máximo de tempo que puderem. Para já, continuam a atender dezenas de pessoas por dia. “Estamos a receber em média entre 45 a 50 pessoas, embora estejamos a prever um aumento. Já soubemos por estas pessoas sem abrigo que várias respostas fecharam, que alguns circuitos deixaram de ser feitos, e muito nos agradecem podermos continuar a distribuir-lhes a refeição.”

É preciso continuar a ajudar os sem-abrigo, e zelar também pela saúde dos voluntários. Muitos já deixaram de ir, alguns por razões de saúde, o que, até ver, não tem sido problemático.

“As nossas medidas de contingência também previram isso, que as pessoas de risco que são voluntárias suspendam o voluntariado. Algumas até aconselhámos que deixassem de vir, por questões de saúde, ou por questões de idade. Outros decidiram suspender o voluntariado, porque têm filhos menores, ou porque têm de trabalhar em casa. Mas com esta nova realidade no NAL também não precisamos de tantos voluntários, uma vez que a confeção da comida pode ser feita antecipadamente, e só estamos abertos uma hora. Precisamos de seis a oito voluntários por dia, nesta situação mais extremada”, explica.

O serviço pode ter de vir a ser redimensionado de novo, mas essas são decisões tomadas sempre em colaboração e de acordo com a câmara, diz frei Filipe Rodrigues, que espera que no meio da preocupação, que é de todos, ninguém esqueça os

mais frágeis, porque “continua a haver pessoas muito vulneráveis na nossa cidade de Lisboa, e se cada um de nós se fechar em casa há pessoas de idade, e sem abrigo que deixam de poder ter ajuda”.

“É muito bonito ver algumas iniciativas locais, em prédios, em bairros, de ajuda aos mais frágeis, e este seria o meu apelo: pedir às pessoas que não deixem de fazer o bem, porque o bem pode continuar a ser feito, mesmo com as medidas de precaução que nos são exigidas”.

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